Questão de Medicina — Pediatria e Neonatologia — Avança SP 2025
Medicina›Pediatria e Neonatologia
Código
qg413716
Banca
Avança SP
Órgão
IAMSPE
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Residência Médica - Pré-Requisito - Alergia e Imunologia Pediátrica
Mãe de criança de 3 anos, que frequenta creche há um ano, refere que há cerca de uma semana a criança apresenta febre, coriza clara e tosse leve. Nos últimos quatro dias a tosse tornou-se mais intensa, com timbre metálico semelhante a “latido de cachorro”, e a criança apresenta disfonia e perda de apetite. O raio-X de pescoço mostra o “sinal da torre”. Qual é o diagnóstico mais provável?
AEpiglotite aguda.
BLaringite aguda viral (crupe viral).
CLaringotraqueobronquite bacteriana.
DAmigdalite estreptocócica.
ECorpo estranho em vias aéreas.
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GabaritoB — Laringite aguda viral (crupe viral).
Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.
Laringite aguda viral (crupe viral) na infância
Gabarito: letra B. O quadro descrito — criança de 3 anos, pródromos de infecção de vias aéreas superiores (febre, coriza, tosse leve) seguidos de tosse com timbre metálico "em latido", disfonia e o clássico "sinal da torre" no raio-X de pescoço — é a apresentação típica da laringotraqueobronquite viral, também chamada de crupe viral. O diagnóstico é essencialmente clínico, e o "sinal da torre" (estreitamento subglótico) é o achado radiológico que confirma a suspeita.
O crupe viral é a causa mais comum de obstrução de vias aéreas superiores em crianças entre 6 meses e 6 anos, com pico entre 1 e 3 anos. A doença é causada principalmente pelo vírus parainfluenza tipo 1, mas também por influenza, adenovírus e VSR. O processo inflamatório atinge a região subglótica, que é o ponto mais estreito da via aérea da criança — por isso, mesmo um pequeno edema gera obstrução significativa e o estridor característico.
O quadro evolui em duas fases: primeiro, sintomas inespecíficos de resfriado (febre baixa, coriza, tosse leve) por 1 a 3 dias; depois, a tosse torna-se "metálica", "de cachorro", surge disfonia (rouquidão) e estridor inspiratório, que piora à noite e com o choro. A febre costuma ser baixa, e a criança, apesar do desconforto respiratório, geralmente não apresenta toxemia — diferentemente da epiglotite, em que a criança fica toxêmica, com sialorreia e posição de tripé.
O diagnóstico é clínico. O raio-X de pescoço em incidência anteroposterior mostra o estreitamento da coluna aérea subglótica, que assume aspecto de "torre de igreja" ou "bico de lápis" — o chamado "sinal da torre" (steeple sign). Esse achado, embora não seja necessário para o diagnóstico, é altamente sugestivo e ajuda a diferenciar de outras causas de estridor, como corpo estranho e epiglotite.
O tratamento do crupe leve a moderado é feito com corticoides (dexametasona oral ou budesonida inalatória), que reduzem o edema subglótico. Casos graves com estridor em repouso e desconforto respiratório podem necessitar de adrenalina nebulizada e, raramente, intubação. A doença é autolimitada, com resolução em 3 a 7 dias.
A grande pegadinha desta questão é a diferenciação entre crupe viral e epiglotite aguda. Ambas causam obstrução de vias aéreas superiores, mas são entidades distintas: o crupe é viral, de instalação gradual, com tosse "em latido" e disfonia, afetando a região subglótica; a epiglotite é bacteriana (Haemophilus influenzae tipo b), de instalação abrupta, com febre alta, toxemia, sialorreia, disfagia e posição de tripé, sem tosse característica. O "sinal da torre" é específico do crupe; na epiglotite, o raio-X mostra o "sinal do polegar" (epiglote aumentada).
Guarde a fronteira entre crupe viral e epiglotite: é exatamente nela que as alternativas se dividem. O quadro clínico gradual com tosse metálica e o raio-X com "sinal da torre" apontam inequivocamente para o crupe viral.
Alternativa A — ❌ Incorreta
A epiglotite aguda é uma emergência bacteriana (Haemophilus influenzae tipo b) que cursa com instalação abrupta, febre alta, toxemia, sialorreia, disfagia e posição de tripé. A criança não apresenta tosse "em latido" nem disfonia, e o raio-X mostra "sinal do polegar" (epiglote aumentada), não "sinal da torre". O quadro descrito é de evolução gradual com pródromos virais, incompatível com epiglotite.
Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A laringite aguda viral (crupe viral) é a causa mais comum de obstrução de vias aéreas superiores em crianças de 6 meses a 6 anos. O quadro clássico inclui pródromos de infecção de vias aéreas superiores (febre, coriza, tosse leve), seguidos de tosse "em latido", disfonia e estridor inspiratório. O raio-X de pescoço mostra o "sinal da torre" (estreitamento subglótico). Todos os elementos do enunciado — idade, evolução gradual, tosse metálica, disfonia e o achado radiológico — são típicos do crupe viral.
Alternativa C — ❌ Incorreta
A laringotraqueobronquite bacteriana (traqueíte bacteriana) é uma complicação rara e grave, geralmente causada por Staphylococcus aureus, que cursa com toxemia, febre alta, secreção purulenta e piora rápida do desconforto respiratório. O quadro descrito é de evolução gradual, sem toxemia, com tosse "em latido" e "sinal da torre" — características de etiologia viral, não bacteriana.
Alternativa D — ❌ Incorreta
A amigdalite estreptocócica (faringoamigdalite bacteriana) manifesta-se com dor de garganta intensa, febre alta, exsudato tonsilar e adenopatia cervical. Não causa tosse "em latido", disfonia nem "sinal da torre" no raio-X. O quadro respiratório com tosse metálica é de laringite, não de amigdalite.
Alternativa E — ❌ Incorreta
Corpo estranho em vias aéreas costuma ocorrer em crianças menores, com início súbito de tosse, engasgo e estridor, frequentemente com história de aspiração. O raio-X pode mostrar atelectasia ou hiperinsuflação, mas não o "sinal da torre". O quadro descrito tem evolução gradual com pródromos virais, incompatível com aspiração de corpo estranho.
NÃO CAIA NESSA!
A banca explora a confusão entre crupe viral e epiglotite aguda. O candidato que vê "estridor" e "obstrução de vias aéreas" pode marcar epiglotite, mas o quadro gradual com tosse "em latido", disfonia e "sinal da torre" é inequívoco do crupe viral. Na epiglotite, a instalação é abrupta, com toxemia, sialorreia e "sinal do polegar".
PEGA ESSA DICA!
Para diferenciar crupe de epiglotite na prova, foque em três pontos: (1) instalação — gradual no crupe, abrupta na epiglotite; (2) tosse — "em latido" no crupe, ausente na epiglotite; (3) raio-X — "sinal da torre" no crupe, "sinal do polegar" na epiglotite. Se a criança está toxêmica e com sialorreia, pense em epiglotite; se tem tosse metálica e disfonia, pense em crupe.