Questão de Medicina — Alergia e Imunologia — Avança SP 2025
Medicina›Alergia e Imunologia
Código
qg413718
Banca
Avança SP
Órgão
IAMSPE
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Residência Médica - Pré-Requisito - Alergia e Imunologia Pediátrica
Quais fatores associados à sibilância no primeiro ano de vida também são preditivos de desenvolvimento de asma em crianças e adolescentes?
AAtopia familiar e pessoal.
BLactentes do sexo feminino.
CInfecções bacterianas.
DExposição a fungos e contato com animais.
EUso de dipirona e paracetamol.
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GabaritoA — Atopia familiar e pessoal.
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Sibilância no primeiro ano de vida e preditores de asma
Gabarito: letra A. A atopia familiar e pessoal é o fator mais fortemente associado à sibilância no primeiro ano de vida que também prediz o desenvolvimento de asma em crianças e adolescentes, conforme a literatura médica sobre a história natural da doença. A atopia — tendência genética a produzir IgE contra alérgenos comuns — é o principal elo entre a sibilância precoce e a asma persistente, sendo reconhecida como o fenótipo alérgico que inicia na infância e se associa a história familiar de doença alérgica.
A sibilância no lactente é um sintoma comum, mas nem toda criança que chia no primeiro ano de vida desenvolverá asma. Estudos longitudinais (como o Tucson Children's Respiratory Study) identificaram fenótipos de sibilância: transitória precoce, persistente e de início tardio. O que diferencia a sibilância que persiste e evolui para asma é, sobretudo, a presença de atopia — tanto pessoal (eczema, rinite alérgica, sensibilização a alérgenos) quanto familiar (história de asma ou alergia em parentes de primeiro grau). A atopia é o marcador mais robusto de persistência dos sintomas, pois reflete a predisposição genética à inflamação alérgica das vias aéreas, mediada por IgE e eosinófilos.
A fisiopatologia da asma alérgica envolve a sensibilização a alérgenos inaláveis (ácaros, fungos, baratas, animais domésticos, pólens) e a resposta imune TH2, com produção de IgE e ativação de mastócitos e eosinófilos. A exposição precoce a esses alérgenos, em um sistema imunológico imaturo, pode favorecer o desenvolvimento de asma em crianças geneticamente predispostas. Por outro lado, fatores como sexo feminino, infecções bacterianas e exposição a fungos e animais não são, isoladamente, preditores fortes de asma — e alguns podem até ter efeito protetor, como a exposição a animais em certos contextos (hipótese da higiene).
A banca explora a confusão entre fatores que apenas desencadeiam sibilância aguda (infecções virais, exposição a irritantes) e fatores que predizem a evolução para asma crônica (atopia). A questão pede especificamente os fatores preditivos de asma, não os gatilhos de sibilância. É essa distinção que separa a alternativa correta das demais.
Sibilância no 1º ano de vida: Fenótipos (Transitória precoce, Persistente, Início tardio); Preditores de asma (Atopia familiar, Atopia pessoal); Gatilhos (não preditores) (Infecções virais (VSR), Exposição a irritantes)
Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A atopia familiar e pessoal é o fator mais fortemente associado à sibilância no primeiro ano de vida que também prediz o desenvolvimento de asma em crianças e adolescentes. A atopia — tendência genética a produzir IgE contra alérgenos comuns — é o principal elo entre a sibilância precoce e a asma persistente, sendo reconhecida como o fenótipo alérgico que inicia na infância e se associa a história familiar de doença alérgica.
Alternativa B — ❌ Incorreta
Lactentes do sexo feminino não são preditores de asma. Na infância, a asma é mais comum em meninos; após a puberdade, a prevalência se inverte, sendo maior em mulheres adultas. Portanto, o sexo feminino no primeiro ano de vida não é fator preditivo de asma — a banca inverte a relação etária.
Alternativa C — ❌ Incorreta
Infecções bacterianas não são preditores de asma. As infecções virais, especialmente pelo vírus sincicial respiratório (VSR) nos primeiros anos de vida, são gatilhos de sibilância e podem estar associadas ao desenvolvimento de asma, mas as bacterianas não têm esse papel. A banca troca o agente infeccioso.
Alternativa D — ❌ Incorreta
Exposição a fungos e contato com animais são fatores de risco para sensibilização alérgica, mas não são, isoladamente, preditores fortes de asma. Além disso, a exposição a animais em certos contextos pode até ter efeito protetor (hipótese da higiene). A banca generaliza fatores ambientais que não são preditivos por si só.
Alternativa E — ❌ Incorreta
Uso de dipirona e paracetamol não é preditor de asma. O paracetamol tem sido associado a risco aumentado de asma em alguns estudos, mas com vieses que impedem conclusões definitivas; a dipirona não tem associação estabelecida. A banca cita medicamentos que não são fatores preditivos reconhecidos.