Questão de Medicina — Dermatologia — Avança SP 2025
Medicina›Dermatologia
Código
qg413725
Banca
Avança SP
Órgão
IAMSPE
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Residência Médica - Pré-Requisito - Alergia e Imunologia Pediátrica
As terapias sistêmicas alvo-específicas para o tratamento da dermatite atópica moderada-grave apresentam-se em constante expansão, sendo importante lembrar que:
AMetotrexato é uma opção de tratamento sistêmico de longo prazo, e o ácido folínico é indicado se ocorrerem efeitos colaterais ou toxicidade com seu uso.
BCiclosporina é considerada opção de tratamento de 1ª linha para pacientes com DA grave, e contraindicada em menores de 12 anos.
CDupilumabe é um anticorpo monoclonal humano e não pode ser utilizado em conjunto com fototerapia.
DInibidores de JAK não requerem triagem inicial ou monitoramento durante o seu uso.
ECorticóides sistêmicos podem levar a efeitos adversos com uso prolongado e agravamento da doença após suspensão.
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GabaritoE — Corticóides sistêmicos podem levar a efeitos adversos com uso prolongado e agravamento da doença após suspensão.
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Terapias sistêmicas na dermatite atópica moderada-grave
Gabarito: letra E. A alternativa correta afirma que os corticoides sistêmicos podem causar efeitos adversos com uso prolongado e agravamento da doença após a suspensão — o chamado efeito-rebote. Essa é uma característica bem documentada da corticoterapia sistêmica na dermatite atópica, que produz resposta inadequada e está sujeita a muitos efeitos colaterais, sendo comum o efeito-rebote com a suspensão da medicação.
A dermatite atópica (DA) é uma doença inflamatória crônica da pele, caracterizada por prurido intenso e lesões eczematosas, que exige tratamento escalonado conforme a gravidade. Para casos moderados a graves, o tratamento envolve medicamentos sistêmicos, que variam conforme a faixa etária do paciente. Entre as opções estão a ciclosporina, o metotrexato, o dupilumabe, o upadacitinibe e os corticoides sistêmicos — cada um com indicações, contraindicações e perfis de segurança específicos.
A ciclosporina é considerada opção de primeira linha para DA moderada a grave, sem restrição de faixa etária, conforme o Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas (PCDT) do SUS. O metotrexato também é opção para DA moderada a grave, sem restrição etária, e o ácido folínico (leucovorina) é utilizado para prevenir ou tratar a toxicidade do metotrexato, especialmente a mielossupressão e a mucosite. O dupilumabe é um anticorpo monoclonal humano que bloqueia a sinalização das interleucinas IL-4 e IL-13, sendo indicado para DA grave com falha, intolerância ou contraindicação à ciclosporina ou ao metotrexato — e pode ser utilizado em conjunto com fototerapia, que é uma modalidade adjuvante válida. Os inibidores de JAK (como upadacitinibe e abrocitinibe) exigem triagem inicial e monitoramento laboratorial durante o uso, incluindo hemograma, função hepática e rastreio de infecções, como tuberculose.
A corticoterapia sistêmica, por sua vez, é uma opção de uso limitado na DA, reservada para crises agudas e de curta duração. O uso prolongado está associado a efeitos adversos significativos — ganho de peso, hipertensão, hiperglicemia, osteoporose, supressão do eixo hipotálamo-hipófise-adrenal — e a suspensão abrupta pode levar ao efeito-rebote, com agravamento das lesões. Essa é a razão pela qual os corticoides sistêmicos não são recomendados como terapia de manutenção de longo prazo na DA.
A banca explora o conhecimento sobre os perfis de segurança e as indicações de cada terapia sistêmica. A pegadinha está em afirmativas que invertem características ou contraindicações — como dizer que a ciclosporina é contraindicada em menores de 12 anos (quando não há restrição etária) ou que os inibidores de JAK não requerem monitoramento (quando exigem triagem e acompanhamento rigorosos).
Terapia Sistêmica
Indicação/Perfil
Característica Correta
Característica Incorreta na Alternativa
Metotrexato
DA moderada a grave, sem restrição etária
Ácido folínico é usado profilaticamente (prevenção de toxicidade)
Afirmar que o ácido folínico é só para quando já ocorreu toxicidade
Ciclosporina
1ª linha para DA moderada a grave
Sem restrição de faixa etária (inclui crianças)
Afirmar que é contraindicada em menores de 12 anos
Dupilumabe
DA grave (falha/intolerância à ciclosporina ou metotrexato)
Pode ser associado à fototerapia
Afirmar que não pode ser usado com fototerapia
Inibidores de JAK
DA moderada a grave
Exigem triagem inicial e monitoramento laboratorial periódico
Afirmar que não requerem triagem ou monitoramento
Corticoides sistêmicos
Crises agudas, uso curto
Efeito-rebote e efeitos adversos com uso prolongado
— (alternativa correta)
Terapias sistêmicas na DA: Ciclosporina (1ª linha moderada-grave, Sem restrição etária); Metotrexato (Longo prazo, Ácido folínico profilático); Dupilumabe (Anti-IL-4/IL-13, Pode associar fototerapia); Inibidores de JAK (Exigem triagem inicial, Monitoramento laboratorial); Corticoide sistêmico (Uso limitado a crises, Efeito-rebote na suspensão)
Alternativa A — ❌ Incorreta
O metotrexato é, de fato, uma opção de tratamento sistêmico de longo prazo para DA moderada a grave, e o ácido folínico é indicado para prevenir ou tratar a toxicidade do metotrexato. No entanto, a alternativa está incorreta ao afirmar que o ácido folínico é indicado "se ocorrerem efeitos colaterais ou toxicidade com seu uso" — na prática, o ácido folínico é utilizado de forma profilática, ou seja, preventiva, em esquema regular (geralmente 24 horas após a dose de metotrexato), e não apenas quando surgem efeitos colaterais. A profilaxia com ácido folínico é padrão para reduzir a toxicidade, especialmente a hematológica e a gastrointestinal.
Alternativa B — ❌ Incorreta
A ciclosporina é considerada opção de tratamento de primeira linha para DA moderada a grave, conforme o PCDT, mas a afirmação de que é contraindicada em menores de 12 anos está errada. O Quadro 8 do PCDT indica a ciclosporina para DA moderada a grave "sem restrição" de faixa etária, incluindo crianças. A contraindicação em menores de 12 anos não existe no protocolo — a ciclosporina pode ser usada em crianças com DA moderada a grave, com monitoramento adequado.
Alternativa C — ❌ Incorreta
O dupilumabe é um anticorpo monoclonal humano que bloqueia o receptor da IL-4/IL-13, mas a afirmação de que não pode ser utilizado em conjunto com fototerapia está errada. A fototerapia é uma modalidade adjuvante válida no tratamento da DA, e não há contraindicação de uso combinado com dupilumabe. Na prática, a fototerapia pode ser associada a terapias sistêmicas, incluindo imunobiológicos, para potencializar a resposta clínica.
Alternativa D — ❌ Incorreta
Os inibidores de JAK (upadacitinibe, abrocitinibe, baricitinibe) exigem triagem inicial e monitoramento durante o uso. Antes do início, é necessário rastrear infecções latentes, como tuberculose (com radiografia de tórax, PPD ou IGRA), e avaliar função hepática e hematológica. Durante o tratamento, há monitoramento periódico de hemograma, função hepática e sinais de infecção. A alternativa está totalmente incorreta ao afirmar que não requerem triagem ou monitoramento.
Alternativa E — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A alternativa está correta ao afirmar que os corticoides sistêmicos podem levar a efeitos adversos com uso prolongado e agravamento da doença após suspensão. A corticoterapia sistêmica na DA produz resposta inadequada, está sujeita a muitos efeitos colaterais (hipertensão, hiperglicemia, osteoporose, supressão adrenal) e, com a suspensão, é comum o efeito-rebote, com agravamento das lesões. Por isso, os corticoides sistêmicos são reservados para crises agudas e uso de curta duração, não sendo recomendados como terapia de manutenção.
Gabarito: letra E — a única alternativa correta é a que descreve os riscos da corticoterapia sistêmica prolongada e o efeito-rebote após a suspensão.