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Questão de Medicina — Alergia e Imunologia — Avança SP 2025

MedicinaAlergia e Imunologia
Código
qg413728
Banca
Avança SP
Órgão
IAMSPE
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Residência Médica - Pré-Requisito - Alergia e Imunologia Pediátrica
Menino de 8 anos, asmático, há 3 anos tem prurido ocular intenso, hiperemia, fotofobia, secreção ocular mucoide, viscos. Refere piora no período de primavera-verão. No exame oftalmológico foi verificada a presença de papilas gigantes semelhantes a “pedras de calçamento”, nódulos de Horner-Trantas no limbo e úlcera córnea em escudo. O diagnóstico mais provável é:
  1. ACeratoconjuntivite vernal.
  2. BConjuntivite alérgica sazonal e perene.
  3. CCeratoconjuntivite atópica.
  4. DConjuntivite alérgica de contato.
  5. EConjuntivite irritativa (ou tóxica).
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GabaritoA — Ceratoconjuntivite vernal.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Ceratoconjuntivite vernal: diagnóstico pela tríade clássica

Gabarito: letra A (Ceratoconjuntivite vernal). O quadro descrito — criança asmática, prurido intenso, piora na primavera-verão, papilas gigantes em "pedra de calçamento", nódulos de Horner-Trantas e úlcera em escudo — é a apresentação típica da ceratoconjuntivite vernal (CCV), forma grave de alergia ocular mediada por IgE, que acomete preferencialmente meninos pré-púberes. O diagnóstico é essencialmente clínico, baseado na combinação desses achados patognomônicos.

A ceratoconjuntivite vernal é uma doença alérgica ocular crônica e bilateral, caracterizada por inflamação da conjuntiva e da córnea. Ela faz parte do espectro das conjuntivites alérgicas, que inclui também a conjuntivite alérgica sazonal (CAS), a conjuntivite alérgica perene (CAP), a ceratoconjuntivite atópica (CCA) e a conjuntivite alérgica de contato (CAC). O que diferencia a CCV das demais é a intensidade do processo inflamatório e a presença de sinais específicos que raramente aparecem em outras formas.

A fisiopatologia envolve uma reação de hipersensibilidade do tipo I (imediata), mediada por IgE, com participação de mastócitos, eosinófilos e linfócitos T. A exposição a alérgenos ambientais (como pólen, ácaros e pelos de animais) desencadeia a degranulação dos mastócitos, liberando histamina e outros mediadores que causam prurido, hiperemia e secreção. Na CCV, há ainda um componente de hipersensibilidade tardia (tipo IV), o que explica a cronicidade e a formação de papilas gigantes.

Os achados clínicos que fecham o diagnóstico são:

  • Papilas gigantes na conjuntiva tarsal superior, que lembram "pedras de calçamento" (cobblestones) — são formações papilares confluentes, com mais de 1 mm de diâmetro, resultantes de hiperplasia linfoide e fibrose subepitelial.

  • Nódulos de Horner-Trantas — acúmulos de eosinófilos e células epiteliais degeneradas localizados no limbo, que aparecem como pequenos pontos brancos ou amarelados.

  • Úlcera de córnea em escudo — erosão epitelial com acúmulo de fibrina e muco, que ocorre em casos graves e pode levar a cicatrizes corneanas.

A sazonalidade (piora na primavera-verão) é um dado importante, mas não exclusivo da CCV — a conjuntivite alérgica sazonal também piora nessa época. O que diferencia é a cronicidade e a gravidade dos sintomas, além dos achados oftalmológicos específicos. A CCV costuma iniciar antes dos 10 anos e, na maioria dos casos, melhora na puberdade.

O diagnóstico diferencial entre as conjuntivites alérgicas é feito principalmente pela história clínica e pelo exame oftalmológico. A tabela abaixo resume as principais diferenças:

Característica

CCV

CAS/CAP

CCA

CAC

Idade típica

Crianças e adolescentes (pré-púberes)

Qualquer idade

Adultos (30-50 anos)

Qualquer idade

Sazonalidade

Piora na primavera-verão

CAS: sazonal; CAP: perene

Perene

Não sazonal

Papilas gigantes

Presentes (patognomônico)

Ausentes

Presentes (menos exuberantes)

Ausentes

Nódulos de Horner-Trantas

Presentes

Ausentes

Raros

Ausentes

Úlcera em escudo

Pode ocorrer

Ausente

Pode ocorrer

Ausente

Associação com dermatite atópica

Comum (asma, rinite, eczema)

Comum (asma, rinite)

Obrigatória (dermatite atópica)

Não

Envolvimento palpebral

Raro

Raro

Comum (eczema palpebral)

Comum (dermatite de contato)

A ceratoconjuntivite atópica (alternativa C) é uma forma grave que acomete adultos com dermatite atópica, cursando com eczema palpebral, blefarite e ceratite. Embora possa apresentar papilas e úlcera em escudo, a idade do paciente (8 anos) e a ausência de dermatite atópica no enunciado afastam esse diagnóstico.

A conjuntivite alérgica de contato (alternativa D) é uma reação de hipersensibilidade tipo IV a substâncias tópicas (colírios, cosméticos), causando dermatite palpebral e hiperemia, mas sem papilas gigantes ou nódulos de Horner-Trantas.

A conjuntivite irritativa ou tóxica (alternativa E) é causada por agentes químicos ou físicos, sem componente alérgico, e não apresenta os sinais característicos da CCV.

A conjuntivite alérgica sazonal e perene (alternativa B) é a forma mais comum e leve de alergia ocular, com prurido, hiperemia e secreção aquosa, mas sem papilas gigantes, nódulos de Horner-Trantas ou úlcera em escudo. A presença desses achados graves no enunciado exclui essa hipótese.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a confusão entre as formas de conjuntivite alérgica. O candidato que se fixa apenas no prurido e na sazonalidade pode marcar a alternativa B (CAS/CAP), mas a presença de papilas gigantes, nódulos de Horner-Trantas e úlcera em escudo é o que define a CCV. Esses três achados são praticamente patognomônicos e não aparecem nas formas mais leves.

1Ceratoconjuntivite vernal
Crianças pré-púberes
Papilas gigantes (pedra de calçamento)
Nódulos de Horner-Trantas
Úlcera em escudo
2Sazonal e perene
Forma leve
Sem achados graves
3Ceratoconjuntivite atópica
Adultos (30-50 anos)
Dermatite atópica obrigatória
4Alérgica de contato
Hipersensibilidade tipo IV
Agentes tópicos
Conjuntivites alérgicas
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Conjuntivites alérgicas: Ceratoconjuntivite vernal (Crianças pré-púberes, Papilas gigantes (pedra de calçamento), Nódulos de Horner-Trantas, Úlcera em escudo); Sazonal e perene (Forma leve, Sem achados graves); Ceratoconjuntivite atópica (Adultos (30-50 anos), Dermatite atópica obrigatória); Alérgica de contato (Hipersensibilidade tipo IV, Agentes tópicos)

Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A ceratoconjuntivite vernal é a única que reúne todos os achados descritos: papilas gigantes em "pedra de calçamento" (conjuntiva tarsal), nódulos de Horner-Trantas (limbo) e úlcera de córnea em escudo. O paciente é um menino de 8 anos, asmático (atopia), com piora na primavera-verão — perfil clássico da doença. O diagnóstico é clínico, e a presença desses sinais específicos torna a CCV a resposta inequívoca.

Alternativa B — ❌ Incorreta

A conjuntivite alérgica sazonal (CAS) e perene (CAP) são formas leves de alergia ocular, com prurido, hiperemia e secreção aquosa ou mucoide, mas não apresentam papilas gigantes, nódulos de Horner-Trantas nem úlcera em escudo. Esses achados indicam uma forma grave e crônica, incompatível com CAS/CAP. A sazonalidade isolada não é suficiente para o diagnóstico — é a associação com os sinais oftalmológicos específicos que define a CCV.

Alternativa C — ❌ Incorreta

A ceratoconjuntivite atópica (CCA) acomete adultos (tipicamente entre 30 e 50 anos) com dermatite atópica, cursando com eczema palpebral, blefarite e ceratite. Embora possa apresentar papilas e úlcera em escudo, a idade do paciente (8 anos) e a ausência de dermatite atópica no enunciado afastam esse diagnóstico. A CCA é uma doença de adultos, enquanto a CCV é típica de crianças pré-púberes.

Alternativa D — ❌ Incorreta

A conjuntivite alérgica de contato é uma reação de hipersensibilidade tipo IV (tardia) a substâncias tópicas, como colírios, cosméticos ou conservantes. Manifesta-se com dermatite palpebral, hiperemia e prurido, mas não causa papilas gigantes, nódulos de Horner-Trantas nem úlcera em escudo. O enunciado não menciona exposição a agentes tópicos, o que reforça a exclusão.

Alternativa E — ❌ Incorreta

A conjuntivite irritativa (ou tóxica) é causada por agentes químicos, físicos ou ambientais (fumaça, poluição, produtos químicos), sem componente alérgico. Os sintomas são inespecíficos (ardor, hiperemia, lacrimejamento) e não há os achados característicos da CCV (papilas gigantes, nódulos de Horner-Trantas, úlcera em escudo). A história de atopia (asma) e a sazonalidade apontam claramente para uma etiologia alérgica, não irritativa.

Gabarito: letra A

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