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Questão de Medicina — Pediatria e Neonatologia — Avança SP 2025

MedicinaPediatria e Neonatologia
Código
qg413739
Banca
Avança SP
Órgão
IAMSPE
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Residência Médica - Pré-Requisito - Alergia e Imunologia Pediátrica
Menino de 1 ano e 9 meses, diagnosticado com alergia a proteína do leite de vaca (APLV), tolera o alimento assado, mas apresenta vômitos e diarreia cerca de 20 minutos após a ingestão de leite cru. É esperado que:
  1. AO valor de IgE específico à caseína seja elevado.
  2. BTolere o leite de cabra e ovelha cru e cozido.
  3. CAPLV seja por IgE específica a proteínas do soro do leite.
  4. DNão tenha APLV, e sim intolerância à lactose.
  5. ESe confirme o diagnóstico pela dosagem de alfa-1-antitripsina fecal.
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GabaritoA — O valor de IgE específico à caseína seja elevado.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Alergia à proteína do leite de vaca (APLV): fenótipo IgE-mediado e tolerância a alimentos assados

Gabarito: letra A. O quadro descrito — reação rápida (vômitos e diarreia ~20 minutos após ingestão) ao leite cru, com tolerância ao alimento assado — é o padrão clássico de APLV IgE-mediada, na qual o paciente reage a proteínas termolábeis (principalmente do soro, como beta-lactoglobulina) que são desnaturadas pelo calor, mas tolera as proteínas termoestáveis (caseína) que permanecem alergênicas mesmo após aquecimento. Nesse fenótipo, é esperado que o IgE específico à caseína esteja elevado, pois a caseína é a proteína que resiste ao cozimento e mantém a reatividade. A alternativa A é a única que se alinha à fisiopatologia e à apresentação clínica descritas.

A APLV é a alergia alimentar mais comum na infância, afetando cerca de 2-3% dos lactentes. Ela se divide em três grandes fenótipos: IgE-mediada, não IgE-mediada e mista. A distinção é crucial porque muda o diagnóstico, o prognóstico e a conduta. Na forma IgE-mediada, os sintomas surgem rapidamente (minutos a 2 horas) após a exposição, envolvendo tipicamente pele (urticária, angioedema), trato respiratório (rinite, broncoespasmo) e trato gastrointestinal (vômitos, diarreia, dor abdominal). Já nas formas não IgE-mediadas, os sintomas são tardios (horas a dias) e predominantemente gastrointestinais, como a proctocolite alérgica e a enteropatia induzida por proteína alimentar.

O ponto central desta questão é a tolerância ao leite assado. O aquecimento prolongado (como em bolos, biscoitos) desnatura proteínas do soro do leite, como a beta-lactoglobulina e a alfa-lactalbumina, que são termolábeis. A caseína, por outro lado, é uma proteína termoestável e permanece alergênica mesmo após o cozimento. Assim, um paciente com APLV IgE-mediada que tolera leite assado, mas reage ao leite cru, tem, por definição, IgE específica contra proteínas termoestáveis, principalmente a caseína. Esse é um conceito fundamental na avaliação da APLV: a tolerância a alimentos assados indica um fenótipo com melhor prognóstico e maior chance de resolução espontânea, mas não elimina a necessidade de evitar o leite não aquecido.

A alternativa B sugere que o paciente toleraria leite de cabra e ovelha. Isso é incorreto porque há reatividade cruzada entre as proteínas do leite de vaca e as de outros mamíferos (cabra, ovelha, búfala). A beta-lactoglobulina e a caseína dessas espécies são estruturalmente semelhantes, e a maioria dos pacientes com APLV também reage a esses leites. A alternativa C afirma que a APLV seria por IgE específica a proteínas do soro do leite. Embora as proteínas do soro sejam os principais alérgenos na APLV IgE-mediada, o quadro clínico descrito — tolerância ao assado e reação ao cru — aponta especificamente para a sensibilização à caseína, que é termoestável. Se a sensibilização fosse apenas às proteínas do soro (termolábeis), o paciente reagiria também ao leite assado. A alternativa D confunde APLV com intolerância à lactose. A intolerância à lactose é um distúrbio metabólico (deficiência de lactase) que causa sintomas gastrointestinais (diarreia, distensão, flatulência) geralmente 30 minutos a 2 horas após a ingestão, mas não causa vômitos imediatos nem está associada a mecanismos imunológicos. A alternativa E propõe a dosagem de alfa-1-antitripsina fecal como método diagnóstico, o que é um exame para avaliar perda proteica intestinal (enteropatia perdedora de proteínas), não um teste diagnóstico para APLV. O diagnóstico de APLV é clínico, baseado na história e no teste de provocação oral, e os exames complementares (IgE específica, teste cutâneo) são auxiliares.

A pegadinha central desta questão é a relação entre o tipo de proteína (termolábil vs. termoestável) e a apresentação clínica. O aluno que memoriza que "APLV IgE-mediada é contra proteínas do soro" pode marcar a alternativa C, mas o detalhe da tolerância ao assado muda o raciocínio: a reação ao leite cru e a tolerância ao assado só são possíveis se a IgE for contra a caseína, que resiste ao calor. Guarde essa lógica: tolerância ao assado = sensibilização à caseína (termoestável); reação ao cru e ao assado = sensibilização às proteínas do soro (termolábeis). É exatamente essa distinção que separa as alternativas.

Critério

Fenótipo IgE-mediado (caso descrito)

Fenótipo não IgE-mediado

Tempo de início dos sintomas

Minutos a 2 horas (rápido)

Horas a dias (tardio)

Sintomas predominantes

Cutâneos, respiratórios e gastrointestinais (vômitos, diarreia)

Gastrointestinais (proctocolite, enteropatia)

Reação ao leite assado

Tolerância (se sensibilização à caseína)

Geralmente tolera (proteínas termolábeis)

Mecanismo imunológico

IgE específica (caseína ou proteínas do soro)

Células T, não IgE

Exemplo de condição

Urticária, anafilaxia, síndrome de enterocolite

Proctocolite alérgica, enteropatia induzida por proteína

1Proteínas do soro (termolábeis)
Beta-lactoglobulina
Alfa-lactalbumina
Reage ao cru e ao assado
2Caseína (termoestável)
Tolera assado
Reage ao leite cru
IgE específica elevada
3Reatividade cruzada
Leite de cabra
Leite de ovelha
APLV IgE-mediada
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APLV IgE-mediada: Proteínas do soro (termolábeis) (Beta-lactoglobulina, Alfa-lactalbumina, Reage ao cru e ao assado); Caseína (termoestável) (Tolera assado, Reage ao leite cru, IgE específica elevada); Reatividade cruzada (Leite de cabra, Leite de ovelha)

Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A tolerância ao leite assado e a reação ao leite cru indicam que o paciente tem IgE específica contra a caseína, que é a principal proteína termoestável do leite de vaca. O aquecimento desnatura as proteínas do soro (beta-lactoglobulina, alfa-lactalbumina), mas a caseína permanece alergênica. Portanto, é esperado que o valor de IgE específico à caseína esteja elevado, confirmando o fenótipo IgE-mediado com reatividade a proteínas termoestáveis.

Alternativa B — ❌ Incorreta

A reatividade cruzada entre o leite de vaca e o de cabra/ovelha é alta, pois as proteínas (caseína e beta-lactoglobulina) são estruturalmente semelhantes. A maioria dos pacientes com APLV não tolera leite de outros mamíferos, mesmo cozido, devido à similaridade antigênica. A tolerância ao leite de cabra ou ovelha não é esperada e não é recomendada sem teste de provocação específico.

Alternativa C — ❌ Incorreta

Embora as proteínas do soro sejam os principais alérgenos na APLV IgE-mediada, o quadro clínico descrito — tolerância ao assado e reação ao cru — é incompatível com sensibilização exclusiva a proteínas termolábeis. Se a IgE fosse apenas contra proteínas do soro, o paciente reagiria também ao leite assado, pois essas proteínas seriam desnaturadas e perderiam a alergenicidade. A tolerância ao assado indica sensibilização à caseína, que é termoestável.

Alternativa D — ❌ Incorreta

A intolerância à lactose é um distúrbio metabólico por deficiência de lactase, causando sintomas gastrointestinais (diarreia, distensão, flatulência) que surgem de 30 minutos a 2 horas após a ingestão. Não causa vômitos imediatos (20 minutos) nem está associada a mecanismos imunológicos. O quadro descrito — reação rápida e sintomas sistêmicos — é típico de alergia IgE-mediada, não de intolerância.

Alternativa E — ❌ Incorreta

A dosagem de alfa-1-antitripsina fecal é um exame para avaliar enteropatia perdedora de proteínas, não um teste diagnóstico para APLV. O diagnóstico de APLV é essencialmente clínico, baseado na história detalhada, na resposta à dieta de exclusão e no teste de provocação oral. Exames complementares, como IgE específica e teste cutâneo, são auxiliares, mas a alfa-1-antitripsina fecal não faz parte do arsenal diagnóstico para alergia alimentar.

Gabarito: letra A

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