Questão de Medicina — Farmacologia e Anestesiologia — Avança SP 2025
Medicina›Farmacologia e Anestesiologia
Código
qg413752
Banca
Avança SP
Órgão
IAMSPE
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Residência Médica - Pré-Requisito - Angiorradiologia e Cirurgia Endovascular
Pacientes em uso de betabloqueadores apresentam considerações específicas ao receberem meios de contraste (MC) iodados. Embora o uso concomitante não aumente a probabilidade inicial de uma reação, ele altera significativamente o manejo de uma eventual complicação:
APacientes em uso de betabloqueadores têm reações mais severas e refratárias ao tratamento habitual, particularmente com adrenalina.
BO uso de betabloqueadores está associado a um risco aumentado de crise tireotóxica quando administrado com contraste iodado.
COs betabloqueadores aumentam a frequência de reações adversas leves, mas comprovadamente previnem reações graves.
DA medicação betabloqueadora deve ser suspensa 48 horas antes do exame para diminuir o risco de reação anafilactoide.
EO uso de betabloqueadores é um fator de risco para Nefropatia Induzida pelo Contraste (NIC), mas não para reações de hipersensibilidade.
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GabaritoA — Pacientes em uso de betabloqueadores têm reações mais severas e refratárias ao tratamento habitual, particularmente com adrenalina.
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Betabloqueadores e meios de contraste iodados: manejo de reações
Gabarito: letra A. Pacientes em uso de betabloqueadores, ao apresentarem reações a meios de contraste iodados, tendem a ter reações mais severas e refratárias ao tratamento habitual, particularmente à adrenalina. Isso ocorre porque o betabloqueio antagoniza os efeitos β-adrenérgicos da adrenalina, comprometendo a resposta terapêutica esperada no manejo da anafilaxia.
O uso de betabloqueadores não aumenta a probabilidade inicial de uma reação ao meio de contraste, mas altera significativamente o manejo de uma eventual complicação. A preocupação central não é a prevenção da reação, mas sim a dificuldade de tratar uma reação grave que venha a ocorrer. A adrenalina, principal fármaco no tratamento da anafilaxia, exerce seus efeitos através dos receptores β-adrenérgicos (além dos α). Em pacientes sob betabloqueio, esses receptores estão bloqueados, o que reduz a eficácia da adrenalina e pode levar a um quadro de refratariedade ao tratamento convencional. Além disso, o betabloqueio pode permitir que os efeitos α-adrenérgicos da adrenalina (vasoconstrição) predominem, mas também pode exacerbar o broncoespasmo e a vasoconstrição coronariana, complicando ainda mais o quadro.
Na prática, se um paciente em uso de betabloqueador apresentar uma reação anafilática ao contraste, o manejo deve ser mais agressivo e considerar alternativas ou adjuvantes à adrenalina, como o glucagon, que atua em receptores distintos e pode contornar o bloqueio β-adrenérgico. A conduta profilática, como a suspensão do betabloqueador antes do exame, não é recomendada rotineiramente, pois o risco de suspender a medicação (ex.: descompensação cardiovascular) geralmente supera o benefício, e a reação não é prevenida por essa medida.
A distinção crucial é entre a prevenção da reação (que não é influenciada pelo betabloqueador) e o tratamento da reação (que é significativamente comprometido). A banca explora exatamente essa confusão: o candidato pode pensar que o betabloqueador aumenta o risco de reação ou que deve ser suspenso, quando na verdade o problema está na refratariedade ao tratamento. Guarde essa fronteira: betabloqueador não predispõe à reação, mas torna o tratamento da reação mais difícil.
Critério
Betabloqueadores e MC iodados (correto)
Alternativas incorretas (erros comuns)
Probabilidade inicial de reação
Não aumenta
B (associa a crise tireotóxica), C (aumenta reações leves), D (suspensão previne)
Efeito sobre o tratamento
Torna a reação mais severa e refratária à adrenalina (β-bloqueio antagoniza o efeito)
A (correta)
Conduta profilática
Não suspender rotineiramente o betabloqueador (risco de descompensação)
D (suspender 48h antes)
Relação com NIC
Não é fator de risco para NIC
E (afirma que é fator de risco)
Betabloqueador + contraste iodado
1Não aumenta risco de reação
2Dificulta tratamento da reação
Adrenalina menos eficaz (bloqueio β)
Reação refratária e mais severa
Glucagon como alternativa
3Conduta
Suspender betabloqueador (não indicado)
Manter medicação e preparar manejo agressivo
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Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A alternativa está correta ao afirmar que pacientes em uso de betabloqueadores têm reações mais severas e refratárias ao tratamento habitual, particularmente com adrenalina. O betabloqueio antagoniza os receptores β-adrenérgicos, que são essenciais para o efeito terapêutico da adrenalina no tratamento da anafilaxia (broncodilatação, inotropismo, cronotropismo). Sem a resposta β, a adrenalina tem eficácia reduzida, tornando a reação mais difícil de controlar. Além disso, o bloqueio β pode desmascarar efeitos α-adrenérgicos não antagonizados, como vasoconstrição intensa e broncoespasmo, agravando o quadro.
Alternativa B — ❌ Incorreta
A alternativa afirma que o uso de betabloqueadores está associado a um risco aumentado de crise tireotóxica quando administrado com contraste iodado. Isso não é correto. A crise tireotóxica (tempestade tireoidiana) é uma complicação rara do uso de contraste iodado em pacientes com hipertireoidismo não controlado, devido ao excesso de iodo. No entanto, não há associação específica entre betabloqueadores e aumento do risco de crise tireotóxica. Na verdade, os betabloqueadores são frequentemente usados no tratamento da crise tireotóxica para controlar os sintomas adrenérgicos. A alternativa confunde o risco de reação anafilática (que não é aumentado pelo betabloqueador) com o risco de crise tireotóxica (que é uma complicação do iodo, não do betabloqueador).
Alternativa C — ❌ Incorreta
A alternativa afirma que os betabloqueadores aumentam a frequência de reações adversas leves, mas comprovadamente previnem reações graves. Isso é incorreto. O uso de betabloqueadores não aumenta a frequência de reações adversas leves nem previne reações graves. Na verdade, o betabloqueio não tem efeito profilático sobre reações ao contraste; pelo contrário, se uma reação grave ocorrer, ela tende a ser mais refratária ao tratamento. A alternativa inverte a lógica: o problema não é a prevenção, mas o tratamento. Não há evidência de que betabloqueadores previnam reações graves; eles apenas dificultam o manejo quando a reação acontece.
Alternativa D — ❌ Incorreta
A alternativa afirma que a medicação betabloqueadora deve ser suspensa 48 horas antes do exame para diminuir o risco de reação anafilactoide. Isso é incorreto. A suspensão do betabloqueador antes do exame não é recomendada rotineiramente, pois o risco de descompensação cardiovascular (ex.: hipertensão rebote, taquicardia, isquemia) geralmente supera o benefício. Além disso, a suspensão não previne a reação anafilactoide, pois o betabloqueador não aumenta a probabilidade inicial da reação. A conduta correta é manter a medicação e estar preparado para tratar uma eventual reação de forma mais agressiva, considerando alternativas como o glucagon. A alternativa sugere uma medida profilática que não é indicada e que pode ser prejudicial.
Alternativa E — ❌ Incorreta
A alternativa afirma que o uso de betabloqueadores é um fator de risco para Nefropatia Induzida pelo Contraste (NIC), mas não para reações de hipersensibilidade. Isso é incorreto. Os betabloqueadores não são um fator de risco estabelecido para NIC. Os principais fatores de risco para NIC incluem insuficiência renal pré-existente, diabetes mellitus, desidratação, uso de doses elevadas de contraste e uso concomitante de outros nefrotóxicos. Além disso, a alternativa erra ao afirmar que os betabloqueadores não são um fator de risco para reações de hipersensibilidade: embora não aumentem a probabilidade inicial da reação, eles influenciam significativamente a severidade e o manejo da reação, tornando-a mais refratária ao tratamento. A alternativa confunde os fatores de risco para NIC com os fatores que complicam o manejo de reações de hipersensibilidade.