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Questão de Medicina — Farmacologia e Anestesiologia — Avança SP 2025

MedicinaFarmacologia e Anestesiologia
Código
qg413778
Banca
Avança SP
Órgão
IAMSPE
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Residência Médica - Pré-Requisito - Angiorradiologia e Cirurgia Endovascular
Dos antiagregantes plaquetários utilizados na cardiologia intervencionista, como o Clopidogrel (um pró-fármaco) e os inibidores da glicoproteína (GP) IIb/IIIa (Abciximabe e Tirofibana), esses fármacos atuam em diferentes etapas da ativação plaquetária. O mecanismo de ação específico do Clopidogrel é:
  1. AImpedir a ligação do fibrinogênio ao receptor de GP IIb/IIIa, bloqueando diretamente a ligação cruzada das plaquetas.
  2. BLigar-se aos receptores plaquetários IIb/IIIa, o que acarreta repulsão estérica e inibe a agregação plaquetária.
  3. CAumentar a atividade da antitrombina (ATIII), inativando assim a trombina e outros fatores de coagulação.
  4. DInibir a síntese de fatores de coagulação dependentes da vitamina K, afetando a função plaquetária indiretamente.
  5. EInibir seletivamente a ligação da adenosina difosfato (ADP) ao seu receptor plaquetário P2Y12.
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GabaritoE — Inibir seletivamente a ligação da adenosina difosfato (ADP) ao seu receptor plaquetário P2Y12.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Antiagregantes plaquetários: mecanismo de ação do Clopidogrel

Gabarito: letra E. O Clopidogrel é um pró-fármaco que, após ativação hepática, inibe seletivamente a ligação da adenosina difosfato (ADP) ao seu receptor plaquetário P2Y12, bloqueando a ativação e a agregação plaquetária. Essa é a base farmacológica que distingue os antagonistas do P2Y12 (clopidogrel, prasugrel, ticagrelor) dos inibidores da glicoproteína IIb/IIIa (abciximabe, tirofibana, eptifibatida), que atuam na etapa final da agregação, impedindo a ligação do fibrinogênio ao receptor GPIIb/IIIa.

A ativação plaquetária é um processo em cascata que culmina na formação do trombo arterial. Diferentes classes de fármacos antiagregantes atuam em etapas distintas desse processo. O ácido acetilsalicílico (AAS) inibe irreversivelmente a ciclo-oxigenase 1 (COX-1), bloqueando a formação de tromboxano A2. Os antagonistas do receptor P2Y12, como o clopidogrel, bloqueiam a via de ativação mediada pela ADP. Já os inibidores da GPIIb/IIIa bloqueiam a etapa final, impedindo a ligação cruzada das plaquetas mediada pelo fibrinogênio. Compreender essas diferenças é essencial para o uso racional na cardiologia intervencionista, especialmente na síndrome coronariana aguda (SCA) e na prevenção de trombose de stent.

O clopidogrel é um pró-fármaco que requer metabolização hepática pelo CYP2C19 para gerar seu metabólito ativo. Esse metabólito liga-se de forma irreversível ao receptor P2Y12, um receptor acoplado à proteína G que, quando ativado pela ADP, desencadeia a ativação da GPIIb/IIIa e a consequente agregação plaquetária. Ao bloquear o P2Y12, o clopidogrel impede a amplificação da ativação plaquetária mediada pela ADP, reduzindo o recrutamento de novas plaquetas ao trombo em formação. Essa ação é distinta da dos inibidores da GPIIb/IIIa, que atuam diretamente no receptor de fibrinogênio, bloqueando a ligação cruzada final entre plaquetas.

A distinção entre as classes é um ponto central na farmacologia cardiovascular. Enquanto os inibidores da GPIIb/IIIa (abciximabe, tirofibana, eptifibatida) bloqueiam a agregação plaquetária ao impedir a ligação do fibrinogênio ao receptor GPIIb/IIIa, os antagonistas do P2Y12 (clopidogrel, prasugrel, ticagrelor) atuam mais precocemente, bloqueando a via de ativação pela ADP. Essa diferença é explorada na prática clínica: os inibidores da GPIIb/IIIa são usados em situações agudas de alto risco, como durante intervenção coronariana percutânea (ICP) com carga trombótica elevada, enquanto os antagonistas do P2Y12 são a base da terapia antiplaquetária dupla (DAPT) com AAS.

A pegadinha desta questão está em confundir o mecanismo do clopidogrel com o dos inibidores da GPIIb/IIIa. As alternativas A e B descrevem exatamente o mecanismo dos bloqueadores da GPIIb/IIIa, não do clopidogrel. A alternativa C descreve o mecanismo da heparina (potencialização da antitrombina III), e a alternativa D descreve o mecanismo dos anticoagulantes cumarínicos (varfarina), que inibem a síntese de fatores de coagulação dependentes da vitamina K. A alternativa E é a única que descreve corretamente o mecanismo do clopidogrel: inibição seletiva da ligação da ADP ao receptor P2Y12.

Guarde a fronteira entre as classes de antiagregantes: inibidores da COX-1 (AAS), antagonistas do P2Y12 (clopidogrel, prasugrel, ticagrelor) e bloqueadores da GPIIb/IIIa (abciximabe, tirofibana, eptifibatida). É exatamente nessa distinção que as alternativas se dividem.

Fármaco/Classe

Mecanismo de Ação

Etapa da Cascata

Clopidogrel (antagonista P2Y12)

Inibe seletivamente a ligação da ADP ao receptor P2Y12

Ativação plaquetária (via ADP)

Abciximabe/Tirofibana (inibidores GPIIb/IIIa)

Bloqueiam a ligação do fibrinogênio ao receptor GPIIb/IIIa

Agregação final (ligação cruzada)

AAS (inibidor COX-1)

Inibe irreversivelmente a COX-1, bloqueando a formação de tromboxano A2

Ativação plaquetária (via TXA2)

1Inibidores da COX-1
AAS (aspirina)
2Antagonistas do P2Y12
Clopidogrel (pró-fármaco)
Prasugrel
Ticagrelor
3Inibidores da GPIIb/IIIa
Abciximabe
Tirofibana
Eptifibatida
Antiagregantes plaquetários
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Antiagregantes plaquetários: Inibidores da COX-1 (AAS (aspirina)); Antagonistas do P2Y12 (Clopidogrel (pró-fármaco), Prasugrel, Ticagrelor); Inibidores da GPIIb/IIIa (Abciximabe, Tirofibana, Eptifibatida)

Alternativa A — ❌ Incorreta

Descreve o mecanismo dos inibidores da GPIIb/IIIa, como abciximabe e tirofibana, que bloqueiam a ligação do fibrinogênio ao receptor GPIIb/IIIa, impedindo a ligação cruzada das plaquetas. O clopidogrel não atua nessa etapa final da agregação; ele bloqueia a via de ativação pela ADP, mais precocemente na cascata.

Alternativa B — ❌ Incorreta

Também descreve o mecanismo dos bloqueadores da GPIIb/IIIa, que se ligam ao receptor plaquetário IIb/IIIa e, por repulsão estérica, impedem a ligação do fibrinogênio. O clopidogrel não se liga ao receptor GPIIb/IIIa; seu alvo é o receptor P2Y12 de ADP.

Alternativa C — ❌ Incorreta

Descreve o mecanismo de ação da heparina, que potencializa a antitrombina III (ATIII), inativando a trombina e outros fatores de coagulação. Essa é uma ação anticoagulante, não antiagregante plaquetária, e não corresponde ao mecanismo do clopidogrel.

Alternativa D — ❌ Incorreta

Descreve o mecanismo dos anticoagulantes cumarínicos, como a varfarina, que inibem a síntese de fatores de coagulação dependentes da vitamina K (II, VII, IX, X). Essa ação afeta a coagulação, não a função plaquetária diretamente, e não é o mecanismo do clopidogrel.

Alternativa E — ✅ Correta ⟵ GABARITO

O clopidogrel, após ativação hepática, inibe seletivamente a ligação da adenosina difosfato (ADP) ao seu receptor plaquetário P2Y12. Esse bloqueio impede a ativação da GPIIb/IIIa mediada pela ADP, reduzindo a agregação plaquetária. Essa é a definição precisa do mecanismo de ação do clopidogrel, um antagonista irreversível do receptor P2Y12.

NÃO CAIA NESSA!

A banca troca o mecanismo do clopidogrel (antagonista do P2Y12) pelo dos inibidores da GPIIb/IIIa (abciximabe, tirofibana), que bloqueiam a ligação do fibrinogênio. Fique atento: clopidogrel atua na via da ADP, enquanto os inibidores da GPIIb/IIIa atuam na etapa final da agregação. Com treino, você identifica essas trocas rapidamente 💪

Gabarito: letra E

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