Residência Médica - Pré-Requisito - Angiorradiologia e Cirurgia Endovascular
Um cirurgião vascular recebe em seu consultório paciente de 36 anos com história de edema assimétrico e varizes de grosso calibre em membro inferior direito há 10 anos, com piora progressiva. O ultrassom Doppler não visualizou as veias poplítea e femoral no lado acometido, e a flebografia confirmou a ausência dessas estruturas. Diante do diagnóstico de agenesia do segmento venoso femoropoplíteo, a conduta terapêutica mais adequada consiste em:
ARealizar ablação endovenosa das varizes superficiais com laser.
BIndicar safenectomia para redução da sobrecarga venosa superficial.
CPrescrever mudança de hábitos, uso de meias elásticas e medicação paliativa.
DPropor reconstrução venosa profunda com enxerto autólogo.
ERealizar escleroterapia química das varizes de grosso calibre.
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GabaritoC — Prescrever mudança de hábitos, uso de meias elásticas e medicação paliativa.
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Agenesia do segmento venoso femoropoplíteo: conduta clínica
Gabarito: letra C. Na agenesia (ausência congênita) das veias femorais e poplítea, o sistema venoso profundo não existe para receber o sangue; a drenagem depende exclusivamente das veias superficiais dilatadas (varizes de grosso calibre), que funcionam como via colateral. Por isso, a conduta é conservadora: mudança de hábitos, meias elásticas e medicação paliativa — nunca ablação, safenectomia, reconstrução ou escleroterapia, que eliminariam a única via de retorno venoso.
A agenesia venosa profunda é uma malformação congênita rara em que há ausência total ou parcial das veias profundas de um membro. No caso descrito, o ultrassom Doppler não visualizou as veias poplítea e femoral, e a flebografia confirmou a ausência dessas estruturas. O sangue venoso do membro acometido, então, não tem como retornar pelo sistema profundo — ele é forçado a drenar pelo sistema superficial, que se dilata progressivamente formando as varizes de grosso calibre. Essas varizes, portanto, não são a doença em si: são a via colateral de drenagem que mantém o membro viável. É exatamente por isso que qualquer procedimento que destrua ou remova essas veias superficiais é contraindicado — sem elas, o membro ficaria sem retorno venoso, levando a edema grave, síndrome compartimental e até amputação.
O tratamento da agenesia venosa profunda é essencialmente clínico e paliativo. A base é a compressão elástica (meias de compressão graduada), que reduz o acúmulo de sangue nas veias superficiais e alivia os sintomas; a elevação dos membros e a mudança de hábitos (evitar ortostatismo prolongado, praticar atividade física com contração da panturrilha) ajudam a bombear o sangue; e a medicação paliativa (fleboprotetores, analgésicos) controla a dor e o desconforto. A reconstrução venosa profunda com enxerto autólogo é tecnicamente possível em casos selecionados, mas é procedimento de alta complexidade, com resultados imprevisíveis e alta taxa de trombose — não é a primeira escolha, e no caso de agenesia congênita extensa (femoral + poplítea) raramente é indicada.
A distinção crucial é entre varizes primárias (doença da parede venosa, com sistema profundo íntegro) e varizes secundárias a malformação congênita (como a agenesia). Nas primárias, o tratamento cirúrgico (ablação, safenectomia, escleroterapia) é indicado porque o sistema profundo assume a drenagem. Nas secundárias por agenesia, o sistema profundo não existe — e o tratamento cirúrgico das varizes seria catastrófico. A banca explora exatamente essa confusão: o candidato que pensa "varizes = tratar varizes" cai nas alternativas cirúrgicas, quando a resposta certa é o oposto — preservar as varizes, pois elas são a única via de retorno.
Guarde o critério decisivo: antes de tratar as varizes, verifique se o sistema venoso profundo é pérvio. Se for, pode-se tratar as superficiais; se não for (como na agenesia), as superficiais são a via colateral e devem ser preservadas — o tratamento é clínico.
Varizes
1Primárias (sistema profundo íntegro)
Tratamento cirúrgico (ablação, safenectomia)
2Secundárias a malformação (agenesia)
Sistema profundo ausente
Varizes = via colateral de drenagem
Cirurgia contraindicada
Tratamento clínico (meias, hábitos, paliativo)
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Alternativa A — ❌ Incorreta
A ablação endovenosa com laser destrói a veia safena e suas tributárias. Na agenesia do segmento femoropoplíteo, essas veias superficiais são a única via de drenagem do membro. Eliminá-las provocaria edema grave, estase venosa extrema e risco de complicações isquêmicas. O erro é tratar as varizes como doença primária, ignorando que são a via colateral compensatória.
Alternativa B — ❌ Incorreta
A safenectomia (retirada cirúrgica da safena) tem o mesmo problema da ablação: remove a principal veia superficial que drena o membro na ausência do sistema profundo. É contraindicada na agenesia venosa profunda, pois eliminaria a via colateral essencial. A sobrecarga venosa superficial não é "reduzida" pela safenectomia — ela é a consequência da ausência do sistema profundo, e a safena é a solução compensatória do organismo.
Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A conduta correta é o tratamento clínico conservador: mudança de hábitos (elevação dos membros, evitar ortostatismo prolongado, atividade física com bomba muscular da panturrilha), meias elásticas de compressão graduada (para reduzir a estase e o edema) e medicação paliativa (fleboprotetores, analgésicos para controle sintomático). Como não há sistema profundo para reconstruir e as varizes são a via colateral vital, a abordagem é paliativa e de suporte, não cirúrgica.
Alternativa D — ❌ Incorreta
A reconstrução venosa profunda com enxerto autólogo é procedimento de altíssima complexidade, com resultados imprevisíveis, alta taxa de trombose e indicação restrita a casos muito selecionados de obstrução adquirida (pós-trombótica), não de agenesia congênita extensa. No caso descrito (ausência de femoral e poplítea), a reconstrução não é a conduta mais adequada — o risco supera o benefício, e a abordagem padrão é clínica.
Alternativa E — ❌ Incorreta
A escleroterapia química das varizes de grosso calibre também destrói as veias superficiais. Além de ser ineficaz em varizes de grosso calibre (a escleroterapia é indicada para telangiectasias e varizes reticulares finas), seria desastrosa na agenesia, pois obliteraria a via colateral de drenagem. O erro é duplo: técnica inadequada para o calibre e contraindicação absoluta pela fisiopatologia.
NÃO CAIA NESSA!
A banca explora a confusão entre varizes primárias (tratáveis cirurgicamente) e varizes secundárias a malformação congênita (que são via colateral e devem ser preservadas). O candidato que pensa "varizes = tratar varizes" cai nas alternativas A, B, D ou E. A chave é identificar que a ausência do sistema profundo torna as varizes a única via de retorno — logo, o tratamento é clínico e paliativo. Com esse raciocínio, você enxerga a pegadinha de longe 💪.