Em infecções da mão em pacientes com hanseníase, considere a antibioticoterapia e assinale a conduta inicial ideal quanto à coleta de material e início do antibiótico:
AIniciar antibiótico empírico e dispensar coleta para cultura.
BColetar material para antibiograma e aguardar o resultado sem cobertura.
CColetar material para antibiograma e iniciar antibioticoterapia após a coleta; se houver demora, iniciar de amplo espectro.
DPrescrever antibiótico tópico exclusivamente após drenagem.
ERealizar corticosteroide sistêmico e postergar antibiótico.
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GabaritoC — Coletar material para antibiograma e iniciar antibioticoterapia após a coleta; se houver demora, iniciar de amplo espectro.
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Infecções da mão em pacientes com hanseníase: conduta inicial
Gabarito: letra C. Em infecções da mão, a conduta ideal é coletar material para cultura e antibiograma e iniciar antibioticoterapia empírica de amplo espectro imediatamente após a coleta, sem aguardar o resultado — princípio geral do manejo de infecções graves, aplicável também ao paciente com hanseníase, que tem maior risco de infecções secundárias por neuropatia periférica.
O princípio que rege essa conduta é o da coleta antes do antibiótico: em qualquer infecção que possa exigir tratamento direcionado, o material para cultura deve ser obtido antes da primeira dose do antimicrobiano, pois a antibioticoterapia prévia reduz a sensibilidade da cultura e compromete a identificação do patógeno. Porém, isso não significa postergar o tratamento: em infecções de mão, que podem evoluir rapidamente para abscesso, tenossinovite ou osteomielite, o antibiótico empírico de amplo espectro deve ser iniciado imediatamente após a coleta, cobrindo os patógenos mais prováveis (Staphylococcus aureus, estreptococos e anaeróbios).
No paciente com hanseníase, a situação é ainda mais delicada. A hanseníase causa neuropatia periférica, levando à perda de sensibilidade protetora nas mãos. Isso faz com que traumas e feridas passem despercebidos, evoluindo silenciosamente para infecções profundas. Além disso, a imunidade celular comprometida pode alterar a apresentação clínica e a resposta ao tratamento. Por isso, a coleta de material para cultura e antibiograma é essencial — o espectro de patógenos pode ser diferente e a resistência bacteriana é uma preocupação real, especialmente em pacientes que já fizeram uso prolongado de antibióticos.
A alternativa C resume exatamente essa sequência: coletar material → iniciar antibiótico empírico de amplo espectro → ajustar conforme o antibiograma. A ressalva "se houver demora, iniciar de amplo espectro" reforça que o tratamento não pode esperar o resultado da cultura em infecções potencialmente graves. Essa é a conduta preconizada pelas diretrizes de cirurgia da mão e infectologia: nunca deixar o paciente sem cobertura antimicrobiana enquanto se aguarda o resultado laboratorial.
A pegadinha da questão está em inverter a ordem ou suprimir uma das etapas: dispensar a cultura (A), aguardar o resultado sem tratar (B), usar apenas antibiótico tópico (D) ou usar corticoide no lugar do antibiótico (E) — todas contrariam o manejo racional de infecções. Guarde a sequência: coleta → antibiótico empírico imediato → ajuste pelo antibiograma. É exatamente esse fluxo que separa a alternativa correta das demais.
1Coletar material (cultura/antibiograma)
2Iniciar antibiótico empírico de amplo espectro
3Ajustar conforme antibiograma
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Alternativa A — ❌ Incorreta
Dispensar a coleta para cultura é um erro grave. Sem cultura e antibiograma, o tratamento fica cego: não se sabe qual patógeno está causando a infecção nem a qual antibiótico ele é sensível. Em infecções de mão, especialmente em pacientes com hanseníase (imunocomprometidos, com neuropatia e risco de infecções por germes resistentes), a identificação do agente é fundamental para direcionar a terapia e evitar falhas terapêuticas. A conduta correta é sempre coletar material antes de iniciar o antibiótico.
Alternativa B — ❌ Incorreta
Aguardar o resultado da cultura sem iniciar cobertura antimicrobiana é igualmente errado. Infecções de mão podem progredir rapidamente para abscessos, tenossinovite, osteomielite e sepse. Deixar o paciente sem tratamento enquanto se aguarda o antibiograma (que leva 48–72 horas) permite a progressão da infecção e piora o prognóstico. O correto é iniciar antibiótico empírico de amplo espectro imediatamente após a coleta, ajustando depois conforme o resultado.
Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO
Esta alternativa descreve exatamente a conduta ideal: coletar material para antibiograma e iniciar antibioticoterapia após a coleta; se houver demora, iniciar de amplo espectro. A coleta prévia garante que a cultura não seja comprometida pelo antibiótico, e o início imediato da terapia empírica de amplo espectro cobre os patógenos mais prováveis enquanto o resultado não chega. Essa é a sequência recomendada para infecções graves, incluindo as da mão em pacientes com hanseníase.
Alternativa D — ❌ Incorreta
Antibiótico tópico exclusivamente após drenagem é insuficiente para infecções profundas da mão. Infecções que exigem drenagem cirúrgica (abscessos, tenossinovite) são, por definição, profundas e frequentemente associadas a bacteremia ou risco de disseminação. O tratamento tópico não atinge concentrações adequadas nos tecidos profundos e não trata infecções sistêmicas. A antibioticoterapia sistêmica é obrigatória nesses casos, além da drenagem cirúrgica.
Alternativa E — ❌ Incorreta
Corticosteroide sistêmico no lugar do antibiótico é um erro conceitual. Corticoide é anti-inflamatório e imunossupressor — não tem atividade antimicrobiana. Em uma infecção bacteriana ativa, o uso de corticoide sem antibiótico suprime a resposta imune e piora a infecção. Na hanseníase, corticoide é usado para tratar reações hansênicas (tipo 1 e 2), mas nunca como substituto do antibiótico em uma infecção bacteriana aguda. A conduta correta é antibiótico sistêmico, não corticoide.
Gabarito: letra C — coletar material para antibiograma e iniciar antibioticoterapia após a coleta; se houver demora, iniciar de amplo espectro.