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Questão de Medicina — Cirurgia Geral — Avança SP 2025

MedicinaCirurgia Geral
Código
qg413820
Banca
Avança SP
Órgão
IAMSPE
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Residência Médica - Pré-Requisito - Cirurgia Geral - Endoscopia
Pós-operatório imediato de neurólise periférica em hanseníase, com foco em controle inflamatório sistêmico, indique a conduta medicamentosa padrão na ausência de contraindicações:
  1. AAnti-inflamatório não esteroidal por 14 dias, sem desmame.
  2. BTalidomida em baixa dose contínua por 8 semanas.
  3. CPrednisona 1 mg/kg por 4 semanas, com redução semanal de 5 mg após esse período.
  4. DCorticoide em choque por 3 dias e suspensão imediata.
  5. EGabapentinoide diário por 6 semanas como monoterapia.
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GabaritoC — Prednisona 1 mg/kg por 4 semanas, com redução semanal de 5 mg após esse período.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Neurólise periférica na hanseníase: conduta medicamentosa padrão

Gabarito: letra C. No pós-operatório imediato de neurólise periférica em hanseníase, com foco no controle inflamatório sistêmico, a conduta padrão é a prednisona 1 mg/kg por 4 semanas, com redução semanal de 5 mg após esse período — esquema clássico de corticoterapia para reação hansênica tipo 1 (reação reversa), que é a base do tratamento da neurite hansênica. As demais alternativas ou usam a classe errada de medicamento (A, E), ou a droga errada (B), ou um esquema inadequado de corticoide (D).

A hanseníase é uma doença infecciosa crônica causada pelo Mycobacterium leprae, que tem tropismo por nervos periféricos e pele. As reações hansênicas são episódios inflamatórios agudos que podem ocorrer antes, durante ou após o tratamento poliquimioterápico (PQT), e são a principal causa de dano neural e incapacidade física. Existem dois tipos principais: a reação tipo 1 (ou reação reversa), que é uma reação de hipersensibilidade celular (tipo IV) mediada por linfócitos T, e a reação tipo 2 (ou eritema nodoso hansênico — ENH), que é uma reação de hipersensibilidade humoral (tipo III) com formação de imunocomplexos. A neurólise periférica é um procedimento cirúrgico indicado para descomprimir nervos acometidos, geralmente em casos de neurite com dor intensa ou déficit funcional progressivo, e o controle inflamatório sistêmico no pós-operatório é crucial para evitar a progressão do dano neural.

A base do tratamento da reação tipo 1, que é a que acomete os nervos periféricos, é a corticoterapia. O esquema clássico e mais utilizado é a prednisona na dose de 1 a 2 mg/kg/dia, com duração total de 20 a 24 semanas, iniciando com dose plena por cerca de 4 semanas e depois reduzindo gradualmente. A redução deve ser lenta e progressiva, tipicamente de 5 a 10 mg a cada 2 a 4 semanas, para evitar recaídas e efeitos rebote. A alternativa C espelha exatamente esse esquema: prednisona 1 mg/kg por 4 semanas, seguida de redução semanal de 5 mg. Essa é a conduta padrão na ausência de contraindicações, como diabetes descompensado, hipertensão grave, infecções ativas ou úlcera péptica.

A talidomida (alternativa B) é a droga de escolha para a reação tipo 2 (ENH), não para a reação tipo 1. Ela é um imunomodulador com potente ação anti-inflamatória, mas é teratogênica e, portanto, contraindicada em mulheres em idade fértil. Além disso, não é usada como monoterapia no pós-operatório de neurólise; quando há neurite associada ao ENH, o tratamento é feito com corticoides, como na reação tipo 1. A alternativa A (AINE por 14 dias) é inadequada porque os anti-inflamatórios não esteroidais não têm potência suficiente para controlar a reação hansênica, que é um processo imunológico intenso; eles podem ser usados como adjuvantes, mas nunca como monoterapia. A alternativa D (corticoide em choque por 3 dias e suspensão imediata) é perigosa e incorreta: a suspensão abrupta de corticoides após um período curto pode causar insuficiência adrenal aguda e não controla adequadamente a reação, que exige tratamento prolongado. A alternativa E (gabapentinoide diário por 6 semanas como monoterapia) é errada porque gabapentina e pregabalina são medicamentos para dor neuropática, não têm ação anti-inflamatória e não tratam a reação hansênica; podem ser usados como adjuvantes para dor, mas nunca como monoterapia.

A pegadinha central desta questão é a confusão entre reação tipo 1 e tipo 2. A banca oferece a talidomida (droga do ENH) como distrator, mas o contexto é de neurólise periférica, que está associada à reação tipo 1, cujo tratamento é com corticoide. Além disso, o esquema de corticoide precisa ser prolongado e com desmame gradual — a alternativa D tenta induzir o erro com um esquema curto e sem desmame. Guarde a fronteira: reação tipo 1 (neurite) → corticoide; reação tipo 2 (ENH) → talidomida (em mulheres em idade fértil, clofazimina ou pentoxifilina). É exatamente nessa distinção que as alternativas se dividem.

Reação hansênica
  • 1Tipo 1 (reação reversa)
    • Hipersensibilidade celular (tipo IV)
    • Acomete nervos periféricos (neurite)
    • Tratamento: corticoide (prednisona)
      • 1 mg/kg por 4 semanas
      • Redução semanal de 5 mg
  • 2Tipo 2 (ENH)
    • Hipersensibilidade humoral (tipo III)
    • Acomete pele e outros órgãos
    • Tratamento: talidomida
      • Teratogênica
      • Contraindicada em mulheres férteis
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Alternativa A — ❌ Incorreta

Anti-inflamatório não esteroidal (AINE) por 14 dias, sem desmame. Os AINEs são analgésicos e anti-inflamatórios de ação periférica, mas não têm potência para controlar a reação hansênica, que é um processo imunomediado intenso. Eles podem ser usados como adjuvantes para alívio sintomático, mas nunca como monoterapia no pós-operatório de neurólise. Além disso, o esquema de 14 dias sem desmame não é adequado para o controle inflamatório sistêmico, que exige corticoterapia prolongada.

Alternativa B — ❌ Incorreta

Talidomida em baixa dose contínua por 8 semanas. A talidomida é a droga de escolha para a reação tipo 2 (eritema nodoso hansênico), não para a reação tipo 1, que é a que acomete os nervos periféricos e motiva a neurólise. Além disso, a talidomida é teratogênica e contraindicada em mulheres em idade fértil. No contexto de neurólise periférica, o tratamento padrão é com corticoide, não com talidomida.

Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO

Prednisona 1 mg/kg por 4 semanas, com redução semanal de 5 mg após esse período. Este é o esquema clássico de corticoterapia para reação hansênica tipo 1, que é a base do tratamento da neurite. A prednisona é o corticoide mais utilizado, e o esquema de dose plena por 4 semanas seguida de desmame gradual (5 mg por semana) é o padrão para controlar a inflamação e prevenir recaídas. A duração total do tratamento costuma ser de 20 a 24 semanas, mas a alternativa descreve corretamente a fase inicial e o início do desmame.

Alternativa D — ❌ Incorreta

Corticoide em choque por 3 dias e suspensão imediata. A suspensão abrupta de corticoides após um período curto é perigosa e pode causar insuficiência adrenal aguda, além de não controlar adequadamente a reação hansênica, que exige tratamento prolongado com desmame gradual. O esquema correto é com dose plena por semanas e redução lenta e progressiva.

Alternativa E — ❌ Incorreta

Gabapentinoide diário por 6 semanas como monoterapia. Gabapentina e pregabalina são medicamentos para dor neuropática, não têm ação anti-inflamatória e não tratam a reação hansênica. Podem ser usados como adjuvantes para controle da dor, mas nunca como monoterapia no pós-operatório de neurólise, que exige corticoterapia para o controle inflamatório sistêmico.

NÃO CAIA NESSA!

A banca troca a droga da reação tipo 2 (talidomida) pela da reação tipo 1 (corticoide). Neurólise periférica = neurite = reação tipo 1 = corticoide. ENH = reação tipo 2 = talidomida. Guarde essa fronteira e você não cai nessa armadilha.

Gabarito: letra C

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