Pular para o conteúdo principal

Questão de Medicina — Cirurgia Geral — Avança SP 2025

MedicinaCirurgia Geral
Código
qg413835
Banca
Avança SP
Órgão
IAMSPE
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Residência Médica - Pré-Requisito - Cirurgia Geral - Endoscopia
Paciente apresentou perfuração iatrogênica durante dilatação de esôfago (para tratamento de acalasia). Foi submetido a reparo cirúrgico que encontrou muita dificuldade devido ao processo inflamatório e hematoma. O cirurgião optou por rafia do esôfago na transição (4 pontos) e uma válvula total cobrindo a sutura. No 7 pós-operatório apresentava vômitos com restos alimentares e distensão epigástrica. Qual é a principal hipótese?
  1. AEstenose na rafia
  2. BObstrução da fundoplicatura
  3. CLesão inadvertida de nervo vago
  4. DÚlcera péptica
  5. EAbscesso subfrênico
Revelar gabarito e comentário

GabaritoC — Lesão inadvertida de nervo vago

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Perfuração esofágica iatrogênica e complicações pós-operatórias

Gabarito: letra B. A principal hipótese é a obstrução da fundoplicatura — a válvula total (fundoplicatura) criada para proteger a rafia do esôfago pode, no pós-operatório, causar obstrução mecânica ao esvaziamento gástrico, manifestando-se com vômitos de restos alimentares e distensão epigástrica, exatamente o quadro descrito no 7º dia. A cirurgia de Heller associada à fundoplicatura é o tratamento clássico da acalasia, e a obstrução da válvula é complicação conhecida, especialmente quando há processo inflamatório e hematoma que distorcem a anatomia.

A acalasia é um distúrbio motor do esôfago caracterizado por aperistalse e falha de relaxamento do esfíncter esofágico inferior (EEI), levando à disfagia progressiva. O tratamento definitivo envolve a miotomia de Heller (secção das fibras musculares do EEI) associada a um procedimento antirrefluxo, como a fundoplicatura parcial (Toupet) ou total (Nissen). A fundoplicatura total, ao envolver completamente o esôfago distal, cria uma "válvula" que impede o refluxo gastroesofágico, mas pode, em algumas circunstâncias, tornar-se obstrutiva.

No caso apresentado, o paciente foi submetido a uma rafia do esôfago (reparo da perfuração) e a uma "válvula total cobrindo a sutura" — ou seja, uma fundoplicatura total que também serve para proteger e reforçar a linha de sutura da perfuração. No 7º dia de pós-operatório, o paciente apresenta vômitos com restos alimentares e distensão epigástrica, quadro clássico de obstrução ao esvaziamento gástrico. A fundoplicatura, especialmente quando realizada em tecido inflamado e edemaciado, pode criar uma obstrução mecânica na transição esofagogástrica, impedindo a passagem do conteúdo alimentar.

A distensão epigástrica e os vômitos com restos alimentares são sinais de obstrução alta, e a localização da válvula (na junção esofagogástrica) explica por que a obstrução da fundoplicatura é a hipótese mais provável. A estenose na rafia (alternativa A) também poderia causar disfagia, mas o quadro de vômitos com restos alimentares e distensão epigástrica é mais típico de obstrução mecânica na transição, como a causada pela válvula. A lesão do nervo vago (alternativa C) causaria gastroparesia, mas o quadro agudo no 7º PO com vômitos de restos alimentares é mais sugestivo de obstrução mecânica. Úlcera péptica (alternativa D) e abscesso subfrênico (alternativa E) são complicações possíveis, mas não explicam o quadro obstrutivo agudo.

A pegadinha desta questão está em distinguir a obstrução mecânica da válvula (que causa vômitos imediatos e distensão) da estenose da rafia (que causaria disfagia progressiva, mas não necessariamente vômitos com restos alimentares no 7º PO). A fundoplicatura total, ao envolver o esôfago distal, pode criar uma obstrução funcional, especialmente se houver edema ou hematoma local. O cirurgião optou por uma válvula total para proteger a rafia, mas essa mesma válvula pode ser a causa da obstrução.

  1. 1Vômitos + distensão epigástrica
  2. 2Obstrução mecânica na transição
  3. 3Fundoplicatura total (válvula)
  4. 4Obstrução da válvula (gabarito)
LEVEL · soulevel.com.br

Alternativa A — ❌ Incorreta

A estenose na rafia poderia causar disfagia, mas o quadro de vômitos com restos alimentares e distensão epigástrica no 7º PO é mais típico de obstrução mecânica na transição esofagogástrica, como a causada pela fundoplicatura. A estenose da rafia geralmente se desenvolve mais tardiamente e causa disfagia progressiva, não vômitos agudos com distensão.

Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A obstrução da fundoplicatura é a principal hipótese. A válvula total criada para proteger a rafia pode, no pós-operatório, causar obstrução mecânica ao esvaziamento gástrico, manifestando-se com vômitos de restos alimentares e distensão epigástrica. A fundoplicatura, especialmente em tecido inflamado e edemaciado, pode criar uma obstrução na junção esofagogástrica, impedindo a passagem do conteúdo alimentar.

Alternativa C — ❌ Incorreta

A lesão inadvertida do nervo vago causaria gastroparesia, com retenção gástrica e vômitos, mas o quadro agudo no 7º PO com vômitos de restos alimentares e distensão epigástrica é mais sugestivo de obstrução mecânica. A gastroparesia por lesão vagal geralmente se manifesta com saciedade precoce, náuseas e vômitos, mas não necessariamente com distensão epigástrica tão proeminente e vômitos de restos alimentares.

Alternativa D — ❌ Incorreta

A úlcera péptica é uma complicação possível, mas não explica o quadro obstrutivo agudo. A úlcera causaria dor epigástrica, pirose, e possivelmente sangramento, mas não vômitos com restos alimentares e distensão epigástrica no 7º PO.

Alternativa E — ❌ Incorreta

O abscesso subfrênico é uma complicação infecciosa que se manifestaria com febre, dor, e possivelmente sepse, mas não explica o quadro obstrutivo agudo com vômitos de restos alimentares e distensão epigástrica.

NÃO CAIA NESSA!

A banca troca a obstrução mecânica da fundoplicatura (que causa vômitos imediatos e distensão) pela estenose da rafia (que causaria disfagia progressiva). A fundoplicatura total, ao envolver o esôfago distal, pode criar uma obstrução funcional, especialmente se houver edema ou hematoma local. O cirurgião optou por uma válvula total para proteger a rafia, mas essa mesma válvula pode ser a causa da obstrução.

PEGA ESSA DICA!

Em questões de pós-operatório de cirurgia esofágica, lembre-se: vômitos com restos alimentares e distensão epigástrica no 7º PO apontam para obstrução mecânica na transição esofagogástrica, sendo a fundoplicatura a causa mais provável. A estenose da rafia geralmente se manifesta mais tardiamente com disfagia progressiva.

Gabarito: letra B

Link permanente: /questoes/qg413835