Em paciente politraumatizado com trauma abdominal contuso, hipotenso após reposição inicial e ultrassom FAST à beira-leito positivo para líquido livre, a conduta imediata que melhor preserva a sobrevida deve ser indicada com prioridade sobre exames de imagem avançados. Assinale a alternativa correta:
AObservação em sala de emergência com reavaliação seriada.
BLavado peritoneal diagnóstico para confirmar hemoperitônio.
CLaparotomia de urgência sem aguardar tomografia.
DTomografia computadorizada de abdome com contraste.
ERepetição do FAST em 30 minutos.
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GabaritoC — Laparotomia de urgência sem aguardar tomografia.
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Trauma abdominal contuso: conduta no paciente instável
Gabarito: letra C. Em paciente politraumatizado com trauma abdominal contuso, hipotenso após reposição inicial e FAST positivo para líquido livre, a conduta imediata que melhor preserva a sobrevida é a laparotomia de urgência sem aguardar tomografia. A instabilidade hemodinâmica contraindica a realização de exames de imagem avançados, pois o atraso na cirurgia aumenta a mortalidade por hemorragia não controlada — princípio central do ATLS (Advanced Trauma Life Support).
O trauma abdominal contuso é uma das principais causas de morte evitável no paciente politraumatizado, e a chave para o manejo está na estabilidade hemodinâmica. O FAST (Focused Assessment with Sonography for Trauma) é um exame à beira-leito, rápido e não invasivo, que detecta líquido livre na cavidade abdominal — em contexto de trauma, isso significa hemoperitônio até que se prove o contrário. Quando o paciente está hipotenso (instável) e o FAST é positivo, o diagnóstico de sangramento intra-abdominal é praticamente confirmado, e a conduta é cirúrgica imediata.
A lógica é simples: o paciente instável não pode ser transportado para a tomografia — o exame demandaria tempo precioso e o deslocamento poderia agravar a hipotensão. A prioridade é o controle do sangramento, que só é alcançado com a laparotomia. A tomografia computadorizada é o padrão-ouro para avaliar lesões de vísceras abdominais em pacientes estáveis, permitindo inclusive o tratamento não operatório de lesões de órgãos parenquimatosos (baço, fígado, rim). Mas, no paciente instável, a TC é contraindicada — o tempo gasto com o exame pode custar a vida do paciente.
O lavado peritoneal diagnóstico (LPD) foi historicamente utilizado para detectar hemoperitônio, mas foi substituído pelo FAST na prática moderna, por ser menos invasivo e mais rápido. Repetir o FAST em 30 minutos ou observar o paciente em sala de emergência são condutas que atrasam a intervenção definitiva em um paciente que já tem indicação cirúrgica clara. A reavaliação seriada é reservada para pacientes estáveis ou com FAST negativo e dúvida diagnóstica.
A pegadinha desta questão está em confundir o fluxo de decisão: a tendência atual de tratamento não operatório no trauma contuso (possibilitada pela TC) vale para pacientes hemodinamicamente estáveis. No paciente instável com FAST positivo, essa tendência não se aplica — a cirurgia é mandatória. Guarde a fronteira: instável + FAST positivo = laparotomia imediata; estável + FAST positivo = TC para avaliar lesão e decidir conduta.
1Paciente instável (hipotenso)
2FAST positivo (líquido livre)
3Laparotomia imediata
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Alternativa A — ❌ Incorreta
A observação em sala de emergência com reavaliação seriada é conduta para pacientes estáveis ou com FAST negativo e dúvida diagnóstica. No paciente hipotenso com FAST positivo, a observação atrasa o controle do sangramento e aumenta a mortalidade. A instabilidade hemodinâmica já define a necessidade de intervenção cirúrgica imediata.
Alternativa B — ❌ Incorreta
O lavado peritoneal diagnóstico (LPD) foi o método clássico para detectar hemoperitônio, mas foi substituído pelo FAST na prática atual, por ser menos invasivo, mais rápido e não exigir incisão. Além disso, realizar o LPD em um paciente instável com FAST já positivo é redundante e atrasa a laparotomia — o diagnóstico já está feito.
Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A laparotomia de urgência sem aguardar tomografia é a conduta correta. O paciente apresenta hipotensão após reposição inicial (instabilidade hemodinâmica) e FAST positivo (hemoperitônio). Esses dois critérios juntos indicam sangramento intra-abdominal ativo, e o controle cirúrgico imediato é a única medida que preserva a sobrevida. Aguardar exames de imagem avançados nesse cenário é contraindicado.
Alternativa D — ❌ Incorreta
A tomografia computadorizada de abdome com contraste é o exame padrão-ouro para avaliar lesões traumáticas de vísceras abdominais, mas é contraindicada em pacientes instáveis. O transporte para a sala de tomografia e o tempo do exame atrasam o controle do sangramento, agravando o choque hemorrágico. A TC é reservada para pacientes hemodinamicamente estáveis.
Alternativa E — ❌ Incorreta
Repetir o FAST em 30 minutos é uma conduta que não agrega informação relevante neste cenário. O FAST já foi positivo e o paciente está hipotenso — a repetição apenas atrasaria a laparotomia. O FAST repetido pode ser útil em pacientes estáveis com FAST inicial negativo e alta suspeita de lesão, mas não se aplica ao paciente instável com exame já positivo.
NÃO CAIA NESSA!
A banca explora a confusão entre o manejo do paciente estável e o do instável. No estável, a TC permite o tratamento não operatório e a observação seriada é válida. No instável com FAST positivo, a cirurgia é imediata — qualquer exame adicional ou conduta expectante é erro grave. Memorize o fluxo: instável + FAST positivo = laparotomia; estável + FAST positivo = TC.
Gabarito: letra C — laparotomia de urgência sem aguardar tomografia.