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Questão de Medicina — Cardiologia e Alterações Vasculares — Avança SP 2025

MedicinaCardiologia e Alterações Vasculares
Código
qg413847
Banca
Avança SP
Órgão
IAMSPE
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Residência Médica - Pré-Requisito - Cirurgia Geral - Endoscopia
A fisiopatologia da doença arterial coronária envolve um processo complexo de instabilização de placas ateroscleróticas. Durante a ruptura da placa, mecanismos compensatórios são ativados pelo sistema nervoso simpático resultando em alterações hemodinâmicas significativas. Analise os eventos fisiopatológicos subsequentes à ruptura da placa coronária e defina qual componente representa o fator determinante para oclusão ou suboclusão do lúmen arterial coronário:
  1. AAumento da contratilidade miocárdica mediado por hiperatividade adrenérgica, sem necessidade de envolvimento da cascata de coagulação.
  2. BAdesão de plaquetas e proteínas da coagulação levando a trombose sanguínea, potencializada por disfunção endotelial incapaz de sintetizar anticoagulantes, antiplaquetários e vasodilatadores.
  3. CEdema intersticial das células miocárdicas resultante da hiperpermeabilidade capilar induzida por citocinas inflamatórias isoladamente.
  4. DEspasmo vascular reflexo mediado exclusivamente pelo sistema parassimpático sem formação de agregados plaquetários.
  5. ERemobilização compensatória da placa aterosclerótica pela vasodilatação dependente de óxido nítrico, evitando obstrução luminal.
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GabaritoB — Adesão de plaquetas e proteínas da coagulação levando a trombose sanguínea, potencializada por disfunção endotelial incapaz de sintetizar anticoagulantes, antiplaquetários e vasodilatadores.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Fisiopatologia da doença arterial coronária: o papel da trombose na oclusão do lúmen

Gabarito: letra B. O fator determinante para a oclusão ou suboclusão do lúmen coronário após a ruptura da placa é a trombose sanguínea, formada pela adesão e agregação de plaquetas e pela ativação da cascata de coagulação, processo que é potencializado pela disfunção endotelial — que compromete a síntese de anticoagulantes, antiplaquetários e vasodilatadores. Essa é a descrição fiel da fisiopatologia da síndrome coronariana aguda, conforme a literatura médica de referência.

A doença arterial coronária (DAC) tem como principal etiologia a aterosclerose, e as síndromes coronarianas agudas (SCA) são desencadeadas pela instabilização da placa aterosclerótica. O processo começa com a ruptura ou erosão da placa, expondo o conteúdo trombogênico do cerne lipídico (colágeno e lipídios) ao sangue. Isso desencadeia duas vias simultâneas de resposta trombótica: (1) a adesão e ativação de plaquetas ao colágeno subendotelial, formando o trombo plaquetário; e (2) a ativação da cascata de coagulação pelo fator tecidual, com geração de trombina, que estabiliza o trombo. O resultado é a formação de um trombo intra-arterial que pode ocluir total ou parcialmente a artéria coronária, reduzindo abruptamente o fluxo sanguíneo e causando isquemia miocárdica.

O endotélio saudável exerce papel protetor fundamental: sintetiza substâncias anticoagulantes (como a prostaciclina e o óxido nítrico), antiplaquetárias e vasodilatadoras. Quando há disfunção endotelial — condição presente na aterosclerose — essa capacidade está comprometida, o que potencializa a formação do trombo e a vasoconstrição local. Assim, a trombose não é apenas um evento passivo: ela é o mecanismo central que determina a gravidade da obstrução luminal.

É importante distinguir os conceitos que aparecem nas alternativas: a hiperatividade adrenérgica (aumento da contratilidade, frequência cardíaca e pressão arterial) é uma resposta compensatória do sistema nervoso simpático à instabilidade hemodinâmica, mas não é o fator que oclui o vaso. O espasmo coronário pode contribuir para a redução do fluxo, mas, na ruptura de placa, o componente trombótico é o determinante principal. A vasodilatação dependente de óxido nítrico é um mecanismo protetor que, na disfunção endotelial, está prejudicado — não é um mecanismo que evita a obstrução. E o edema intersticial por citocinas inflamatórias é uma consequência da isquemia, não a causa da oclusão.

A pegadinha desta questão está em confundir os mecanismos compensatórios (simpático, inflamatório) com o evento causal da oclusão. A banca explora exatamente essa confusão: o candidato pode lembrar da ativação simpática e da resposta inflamatória, mas o que decide a oclusão é a trombose. Guarde a sequência: ruptura da placa → exposição de colágeno e fator tecidual → ativação plaquetária e cascata de coagulação → trombo → oclusão/suboclusão → isquemia. É nessa cadeia que as alternativas se dividem.

  1. 1Ruptura da placa
  2. 2Exposição de colágeno e fator tecidual
  3. 3Ativação plaquetária e cascata de coagulação
  4. 4Formação do trombo
  5. 5Oclusão/suboclusão do lúmen
  6. 6Isquemia miocárdica
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Alternativa A — ❌ Incorreta

Afirma que o aumento da contratilidade miocárdica por hiperatividade adrenérgica é o fator determinante, "sem necessidade de envolvimento da cascata de coagulação". Isso está errado por dois motivos: (1) a hiperatividade simpática é uma resposta compensatória, não a causa da oclusão; (2) a cascata de coagulação é essencial — a ativação do fator tecidual e a geração de trombina são fundamentais para a formação do trombo que oclui o vaso. A alternativa ignora o papel central da trombose.

Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO

Descreve com precisão o mecanismo: "adesão de plaquetas e proteínas da coagulação levando a trombose sanguínea, potencializada por disfunção endotelial incapaz de sintetizar anticoagulantes, antiplaquetários e vasodilatadores". Isso corresponde exatamente à fisiopatologia: a ruptura da placa expõe elementos trombogênicos, ativando plaquetas e a cascata de coagulação; a disfunção endotelial remove a proteção natural do vaso, favorecendo a oclusão. É o único componente que explica diretamente a obstrução luminal.

Alternativa C — ❌ Incorreta

Atribui a oclusão ao "edema intersticial das células miocárdicas resultante da hiperpermeabilidade capilar induzida por citocinas inflamatórias isoladamente". O edema intersticial é uma consequência da isquemia e da lesão celular, não a causa da oclusão do lúmen coronário. Além disso, as citocinas inflamatórias participam da instabilização da placa (afinamento da capa fibrosa), mas não são o mecanismo direto de oclusão. A alternativa confunde causa e efeito.

Alternativa D — ❌ Incorreta

Afirma que o espasmo vascular reflexo é mediado "exclusivamente pelo sistema parassimpático sem formação de agregados plaquetários". Há dois erros: (1) o espasmo coronário é mediado principalmente pelo sistema simpático (vasoconstrição), não pelo parassimpático; (2) na ruptura de placa, há sempre formação de agregados plaquetários — o espasmo pode coexistir, mas não é exclusivo nem substitui a trombose. A alternativa nega o componente trombótico, que é essencial.

Alternativa E — ❌ Incorreta

Sugere que a "remobilização compensatória da placa aterosclerótica pela vasodilatação dependente de óxido nítrico" evita a obstrução luminal. Isso é o oposto do que ocorre: na disfunção endotelial, a vasodilatação dependente de óxido nítrico está prejudicada, e a placa rompida não é "remobilizada" — ela expõe material trombogênico que leva à trombose. A vasodilatação seria um mecanismo protetor, mas não é suficiente para evitar a obstrução quando há ruptura de placa.

Gabarito: letra B — a trombose sanguínea, potencializada pela disfunção endotelial, é o fator determinante para a oclusão ou suboclusão do lúmen coronário.

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