Sífilis na gestação: tratamento com penicilina benzatina
Gabarito: letra B. Gestante com sífilis latente recente (VDRL 1:64, teste treponêmico positivo, sem lesões) deve receber Benzilpenicilina benzatina 2,4 milhões UI, intramuscular, dose única, com repetição após 1 semana e após 2 semanas, totalizando 7,2 milhões UI — esquema de três doses semanais preconizado pelo Ministério da Saúde para sífilis recente na gestação. A penicilina é o único fármaco com eficácia comprovada na prevenção da sífilis congênita, e a dose única (alternativa D) é insuficiente nesse contexto.
A sífilis é uma infecção sexualmente transmissível causada pelo Treponema pallidum, cujo diagnóstico na gestação se baseia em testes não treponêmicos (VDRL/RPR) e treponêmicos (FTA-Abs, ELISA, teste rápido). Quando ambos são reagentes, o diagnóstico é confirmado e o tratamento deve ser imediato, independentemente da presença de lesões. A paciente do caso tem VDRL 1:64 — título alto, indicativo de sífilis ativa recente — e nega tratamento prévio, o que configura sífilis latente recente (menos de 1 ano de evolução).
A penicilina benzatina é o fármaco de escolha absoluto na gestação, pois é o único que atravessa a placenta em concentrações adequadas e previne a sífilis congênita. O esquema varia conforme o estágio da doença: para sífilis recente (primária, secundária ou latente recente), são três doses semanais de 2,4 milhões UI; para sífilis tardia (latente tardia ou terciária), são três doses semanais, mas com intervalo de 1 semana entre a primeira e a segunda e de 3 semanas entre a segunda e a terceira. A dose única (alternativa D) é o esquema para sífilis recente em não gestantes, mas na gestação o Ministério da Saúde preconiza o esquema completo de três doses para garantir a cura e evitar a transmissão vertical.
A alternativa B descreve exatamente o esquema de três doses semanais de 2,4 milhões UI, totalizando 7,2 milhões UI, que é o tratamento correto para sífilis recente na gestação. As demais alternativas apresentam esquemas inadequados: doxiciclina é alternativa para não gestantes alérgicas à penicilina; ceftriaxona não é primeira linha; dose única é insuficiente; e penicilina potássica intravenosa é reservada para neurossífilis ou sífilis congênita.
A pegadinha central desta questão é a distinção entre o esquema de dose única (para não gestantes com sífilis recente) e o esquema de três doses (para gestantes). O candidato que memoriza o tratamento da sífilis no adulto sem considerar a particularidade da gestação tende a marcar a alternativa D, que é o tratamento para o homem ou mulher não grávida, mas não para a gestante. Além disso, a alternativa B menciona "repetição após 1 semana e após 2 semanas", o que pode confundir com o esquema de sífilis tardia, mas o intervalo de 1 semana entre as doses é o correto para sífilis recente na gestação.
Alternativa A — ❌ Incorreta
A doxiciclina 100 mg VO de 12/12h por 15 dias é alternativa para tratamento de sífilis em não gestantes alérgicas à penicilina. Na gestação, a doxiciclina é contraindicada por ser teratogênica (classe D), podendo causar alterações ósseas e dentárias no feto. Além disso, não há evidência de eficácia na prevenção da sífilis congênita. O erro aqui é duplo: o fármaco e a indicação.
Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A Benzilpenicilina benzatina 2,4 milhões UI IM em três doses semanais (total 7,2 milhões UI) é o esquema preconizado pelo Ministério da Saúde para sífilis recente na gestação. A paciente tem sífilis latente recente (VDRL 1:64, sem lesões, sem tratamento prévio), e o esquema de três doses é necessário para garantir a cura e prevenir a transmissão vertical. A repetição após 1 semana e após 2 semanas corresponde ao intervalo semanal entre as doses.
Alternativa C — ❌ Incorreta
A ceftriaxona 2 g IV 1x/dia por 10-14 dias é uma alternativa para tratamento de sífilis em casos de alergia à penicilina, mas não é primeira linha e não é o tratamento preconizado para gestantes. Além disso, a via intravenosa e a dose diária por 10-14 dias não correspondem ao esquema padrão para sífilis recente. A penicilina benzatina IM é o fármaco de escolha, e a ceftriaxona só seria considerada em situações especiais, com dessensibilização à penicilina sendo a conduta preferencial em gestantes alérgicas.
Alternativa D — ❌ Incorreta
A dose única de 2,4 milhões UI de benzilpenicilina benzatina é o esquema para sífilis recente em não gestantes. Na gestação, o esquema de dose única é insuficiente para prevenir a sífilis congênita, sendo necessário o esquema de três doses semanais. Esta é a pegadinha clássica: o candidato que conhece o tratamento do adulto não gestante marca esta alternativa, mas a gestante exige o esquema completo.
Alternativa E — ❌ Incorreta
A benzilpenicilina potássica 18-24 milhões UI/dia IV em doses de 3-4 milhões UI a cada 4 horas por 14 dias é o esquema para neurossífilis ou sífilis congênita. A paciente tem sífilis latente recente, sem acometimento neurológico, e o tratamento deve ser feito com penicilina benzatina IM, não com penicilina potássica IV. O esquema intravenoso é reservado para formas mais graves, que não é o caso.
Gabarito: letra B