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Questão de Medicina — Nefrologia — Avança SP 2025

MedicinaNefrologia
Código
qg413866
Banca
Avança SP
Órgão
IAMSPE
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Residência Médica - Pré-Requisito - Cirurgia Geral - Endoscopia
Paciente de 62 anos, portadora de insuficiência renal crônica em hemodiálise, chega ao prontosocorro trazida pelo SAMU após ser encontrada confusa em sua residência. Familiares referem que a paciente faltou às últimas duas sessões de diálise. Ao exame físico apresenta-se sonolenta, bradicárdica, com frequência cardíaca de 45 bpm. O eletrocardiograma revela ondas T apiculadas e simétricas, discreto alargamento do complexo QRS e ausência de ondas P identificáveis. Determine a alteração eletrolítica mais provável.
  1. AHipocalemia grave.
  2. BHipercalcemia.
  3. CHipocalcemia.
  4. DHipercalemia grave.
  5. EHipomagnesemia.
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GabaritoD — Hipercalemia grave.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Hipercalemia na doença renal crônica: eletrocardiograma e manejo

Gabarito: letra D (Hipercalemia grave). A paciente em hemodiálise que faltou às sessões apresenta o clássico quadro eletrocardiográfico de hipercalemia grave: ondas T apiculadas e simétricas, alargamento do QRS e ausência de ondas P. A doença renal crônica reduz a excreção renal de potássio, e a omissão da diálise agrava o acúmulo, levando a níveis potencialmente fatais. O diagnóstico é essencialmente clínico-eletrocardiográfico, e o tratamento imediato com gluconato de cálcio, insulina com glicose e diálise de urgência é mandatório.

A hipercalemia é definida como potássio sérico acima de 5,5 mEq/L. Sua gravidade é estratificada tanto pelo valor do potássio quanto pela presença de alterações eletrocardiográficas ou sintomas. Na hipercalemia grave, o potássio costuma estar ≥ 6,5 mEq/L, ou ≥ 5,5 mEq/L com alterações no ECG ou sintomas como fraqueza, paralisia flácida, palpitações ou parestesias. O potássio é um íon predominantemente intracelular, e a diferença de concentração entre os meios intra e extracelular é mantida pela bomba Na/K/ATPase, sendo essencial para o potencial de repouso celular e a geração do potencial de ação. Alterações na concentração sérica de potássio, portanto, afetam diretamente a excitabilidade neuromuscular e cardíaca.

Na doença renal crônica, a excreção renal de potássio está comprometida, e a diálise é o principal mecanismo de remoção. Quando o paciente falta às sessões, o potássio se acumula progressivamente. O ECG é um exame de extrema importância na avaliação da hipercalemia, pois as alterações eletrocardiográficas aparecem de forma sequencial e correlacionam-se com a gravidade. As ondas T apiculadas e simétricas são o achado mais precoce, seguidas pelo alargamento do QRS, prolongamento do intervalo PR e, finalmente, pela ausência de ondas P, que indica disfunção atrial grave. Em casos extremos, o QRS pode se fundir com a onda T, formando a clássica "onda sinusal" ou padrão de "sine wave", que precede a parada cardíaca.

A bradicardia observada na paciente (FC 45 bpm) é outra manifestação da hipercalemia grave, que deprime a condução cardíaca. A confusão mental e a sonolência também são sintomas neurológicos que podem ocorrer em distúrbios eletrolíticos graves. O quadro é uma emergência médica: o tratamento envolve estabilização da membrana celular com cálcio intravenoso, redução do potássio sérico com insulina e glicose, beta-agonistas, diuréticos de alça (se houver função renal residual) e, fundamentalmente, hemodiálise de urgência para remoção definitiva do potássio.

A pegadinha desta questão está em distinguir a hipercalemia da hipocalemia. Enquanto a hipercalemia causa ondas T apiculadas e simétricas, alargamento do QRS e ausência de ondas P, a hipocalemia causa ondas T achatadas, ondas U proeminentes e depressão do segmento ST. O contexto de doença renal crônica em hemodiálise com omissão de sessões aponta fortemente para hipercalemia, e não para hipocalemia. As demais alternativas (hipercalcemia, hipocalcemia e hipomagnesemia) não produzem esse padrão eletrocardiográfico característico. Guarde a sequência de alterações do ECG na hipercalemia: T apiculada → QRS alargado → P ausente → onda sinusal. É exatamente essa progressão que a questão explora.

1Sequência de alterações
Ondas T apiculadas e simétricas
Alargamento do QRS
Ausência de ondas P
Onda sinusal (sine wave)
2Contexto típico
Doença renal crônica
Omissão de diálise
3Tratamento de urgência
Gluconato de cálcio
Insulina + glicose
Hemodiálise
ECG na hipercalemia
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ECG na hipercalemia: Sequência de alterações (Ondas T apiculadas e simétricas, Alargamento do QRS, Ausência de ondas P, Onda sinusal (sine wave)); Contexto típico (Doença renal crônica, Omissão de diálise); Tratamento de urgência (Gluconato de cálcio, Insulina + glicose, Hemodiálise)

Alternativa A — ❌ Incorreta

A hipocalemia grave causa ondas T achatadas, ondas U proeminentes, depressão do segmento ST e pode levar a arritmias, mas não produz ondas T apiculadas e simétricas nem ausência de ondas P. Além disso, o contexto de doença renal crônica em hemodiálise com omissão de sessões favorece o acúmulo de potássio, não a sua depleção. A hipocalemia seria mais esperada em pacientes com uso de diuréticos, diarreia ou vômitos.

Alternativa B — ❌ Incorreta

A hipercalcemia pode causar encurtamento do intervalo QT e, em casos graves, bradicardia, mas não é a causa típica de ondas T apiculadas, alargamento do QRS e ausência de ondas P. A hipercalcemia está mais associada a hiperparatireoidismo, neoplasias ou intoxicação por vitamina D, não ao quadro de omissão de diálise. O ECG da hipercalcemia é inespecífico e não apresenta o padrão descrito.

Alternativa C — ❌ Incorreta

A hipocalcemia prolonga o intervalo QT e pode causar espasmos musculares, mas não gera ondas T apiculadas nem alargamento do QRS com ausência de ondas P. A hipocalcemia na doença renal crônica pode ocorrer, mas o quadro eletrocardiográfico descrito é típico de hipercalemia, não de hipocalcemia. Além disso, a omissão de diálise tende a piorar a hipercalemia, não a hipocalcemia.

Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A hipercalemia grave é a alteração eletrolítica mais provável. A paciente tem doença renal crônica em hemodiálise e faltou às últimas duas sessões, o que impede a remoção adequada de potássio. O ECG mostra ondas T apiculadas e simétricas, alargamento do QRS e ausência de ondas P, que são os achados clássicos e sequenciais da hipercalemia grave. A bradicardia e a confusão mental reforçam o diagnóstico. O tratamento imediato é essencial para evitar arritmias fatais.

Alternativa E — ❌ Incorreta

A hipomagnesemia pode causar arritmias, incluindo torsades de pointes, e está associada a hipocalemia refratária, mas não produz o padrão eletrocardiográfico de ondas T apiculadas, alargamento do QRS e ausência de ondas P. A hipomagnesemia é mais comum em desnutrição, alcoolismo ou uso de diuréticos, não no contexto de omissão de diálise. O ECG descrito é patognomônico de hipercalemia.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a confusão entre hipercalemia e hipocalemia. O candidato que memoriza que "hipocalemia causa arritmias" pode marcar a letra A, mas o ECG é o diferencial: T apiculada e simétrica, QRS alargado e P ausente são exclusivos da hipercalemia. Na hipocalemia, o que se vê é T achatada, onda U e depressão de ST. Decore a sequência do ECG na hipercalemia e você nunca mais errará essa questão.

PEGA ESSA DICA!

Para questões de distúrbio eletrolítico com ECG, monte uma tabela mental: hipercalemia → T apiculada, QRS largo, P ausente; hipocalemia → T achatada, onda U, ST deprimido; hipercalcemia → QT curto; hipocalcemia → QT longo. Essa tabela resolve a maioria das questões de prova.

Gabarito: letra D

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