Gestante de 29 anos, G2P1, com 39 semanas e 3 dias de gestação pela DUM (confirmada por ultrassonografia do primeiro trimestre), procura o pronto-socorro obstétrico às 6 horas da manhã referindo perda súbita de líquido claro pela vagina há aproximadamente 8 horas (às 22 h da noite anterior), que ocorreu enquanto dormia. Relata que acordou com a cama molhada e o líquido continuou saindo em pequena quantidade ao longo da noite. Nega sangramento vaginal. Refere movimentação fetal preservada. Nega contrações uterinas regulares, apenas "endurecimento" abdominal esporádico e indolor. Pré-natal completo sem intercorrências, 9 consultas realizadas, todos os exames normais, sorologias negativas, grupo sanguíneo B positivo. Cultura para Streptococcus agalactiae (GBS) realizada com 36 semanas: positiva. Gestação anterior há 4 anos: parto vaginal a termo, RN 3.400g, sem complicações. Nega alergias medicamentosas. Ao exame físico: paciente em bom estado geral, afebril. PA: 118/74 mmHg, FC: 78 bpm, Tax: 36,7 °C. AU: 36 cm, feto único em situação longitudinal, apresentação cefálica, dorso à direita. BCF: 138 bpm. Útero normotônico, sem contrações palpáveis no momento do exame.Exame especular: Perda de líquido claro pelo orifício cervical externo, que se acentua com manobra de Valsalva. pH vaginal (teste com papel de nitrazina): positivo (azul - pH alcalino > 6,0). Teste de cristalização (esfregaço de fundo de saco vaginal em lâmina): positivo (padrão em "samambaia" ou "folha de samambaia"). Colo fechado ao exame visual, sem sangramento.Toque vaginal: Colo posterior, 1 cm de dilatação, 30% de apagamento, consistência firme, apresentação cefálica móvel, plano -3 de De Lee. Confirma saída de líquido durante o exame.Cardiotocografia: BCF basal 135-140 bpm, variabilidade moderada, 3 acelerações em 20 minutos, sem desacelerações. Sem contrações uterinas.Ultrassonografia obstétrica: Feto único, apresentação cefálica, biometria compatível com 39 semanas, peso estimado 3.200g (percentil 50), índice de líquido amniótico: 4,8 cm (oligoidrâmnio moderado - normal: 8-24 cm), placenta grau II posterior, sem alterações.Considerando o diagnóstico de rotura prematura de membranas a termo e as recomendações atuais, qual a conduta mais adequada?
AConduta expectante ambulatorial, orientar repouso domiciliar, retornar se febre, sangramento ou contrações regulares, aguardar início espontâneo do trabalho de parto por até 7 dias, já que a maioria entra em trabalho de parto espontaneamente.
BInternação hospitalar, antibioticoprofilaxia com ampicilina 2g EV 6/6h, tocólise com nifedipina para evitar trabalho de parto e reduzir risco de infecção ascendente, aguardar 48 horas para reavaliação.
CIndução imediata do trabalho de parto com ocitocina endovenosa, antibioticoprofilaxia intraparto para Streptococcus agalactiae (penicilina cristalina ou ampicilina EV), monitorização contínua, considerando que a rotura de membranas ocorreu há 8 horas e o risco de infecção aumenta com o tempo.
DCesariana eletiva imediata, considerando que a rotura de membranas há 8 horas com colo desfavorável (Bishop baixo) contraindica indução do trabalho de parto pelo alto risco de corioamnionite e falha de indução.
EIndução do trabalho de parto apenas se a paciente desenvolver febre (≥ 38°C) ou leucocitose (> 15.000/mm³), caso contrário manter conduta expectante com monitorização ambulatorial diária por até 96 horas.
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GabaritoC — Indução imediata do trabalho de parto com ocitocina endovenosa, antibioticoprofilaxia intraparto para Streptococcus agalactiae (penicilina cristalina ou ampicilina EV), monitorização contínua, considerando que a rotura de membranas ocorreu há 8 horas e o risco de infecção aumenta com o tempo.
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Rotura Prematura de Membranas a Termo: Conduta
Gabarito: letra C. Na rotura prematura de membranas (RPM) a termo, a conduta recomendada é a indução do trabalho de parto, pois o risco de corioamnionite e de infecção neonatal aumenta com o tempo de latência. A antibioticoprofilaxia intraparto para Streptococcus agalactiae (GBS) é obrigatória, e a monitorização contínua é parte do manejo. A alternativa C contempla todos esses elementos.
A rotura prematura de membranas é definida como a rotura das membranas corioamnióticas antes do início do trabalho de parto. Quando ocorre a termo (≥ 37 semanas), a conduta obstétrica atual é a indução do parto, pois os benefícios de evitar a infecção ascendente superam os riscos da indução. O tempo de latência (intervalo entre a rotura e o parto) é o principal fator de risco para corioamnionite e sepse neonatal. Estudos demonstram que a indução imediata reduz a taxa de corioamnionite e de infecção neonatal quando comparada à conduta expectante, sem aumentar a taxa de cesarianas.
A profilaxia intraparto para GBS é indicada em todas as gestantes com cultura positiva, independentemente do tempo de rotura. O esquema preferencial é penicilina cristalina 5 milhões UI EV, seguida de 2,5 milhões UI a cada 4 horas, ou ampicilina 2g EV, seguida de 1g a cada 4 horas até o parto. A monitorização contínua da cardiotocografia é recomendada durante a indução para avaliar o bem-estar fetal e detectar sinais de sofrimento fetal ou de atividade uterina anormal.
A alternativa C é a única que integra corretamente os três pilares do manejo da RPM a termo: indução imediata, profilaxia para GBS e monitorização. As demais alternativas apresentam erros conceituais ou condutas inadequadas, como veremos a seguir.
NÃO CAIA NESSA!
A banca explora a confusão entre RPM a termo e RPM pré-termo. Na RPM pré-termo (antes de 37 semanas), a conduta expectante pode ser considerada, mas a termo, a indução é a regra. Além disso, a alternativa B sugere tocólise, que é contraindicada na RPM, pois as contrações são desejáveis para o parto.
1Indução imediata do parto
2Profilaxia intraparto para GBS
3Monitorização contínua
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Alternativa A — ❌ Incorreta
A conduta expectante ambulatorial por até 7 dias é inadequada na RPM a termo. O risco de infecção ascendente (corioamnionite) e de sepse neonatal aumenta progressivamente com o tempo de latência. A conduta expectante só é considerada na RPM pré-termo, e mesmo assim com internação hospitalar e vigilância ativa. A alternativa erra ao propor aguardar o trabalho de parto espontâneo por até 7 dias, o que expõe a mãe e o feto a risco desnecessário.
Alternativa B — ❌ Incorreta
A alternativa B comete dois erros graves: propõe tocólise com nifedipina e antibioticoprofilaxia com ampicilina 2g EV a cada 6 horas. A tocólise é contraindicada na RPM, pois as contrações uterinas são o mecanismo fisiológico para o parto, e a inibição do trabalho de parto aumenta o tempo de latência e o risco de infecção. Além disso, a dose de ampicilina para profilaxia de GBS é de 2g EV, seguida de 1g a cada 4 horas, e não 2g a cada 6 horas. A conduta correta é a indução, não a tocólise.
Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A alternativa C está correta ao indicar a indução imediata do trabalho de parto com ocitocina, antibioticoprofilaxia intraparto para GBS (penicilina cristalina ou ampicilina EV) e monitorização contínua. A indução é a conduta recomendada na RPM a termo, pois reduz o risco de corioamnionite e de infecção neonatal. A profilaxia intraparto é obrigatória devido à cultura positiva para GBS, e a monitorização contínua é essencial para avaliar o bem-estar fetal durante a indução.
Alternativa D — ❌ Incorreta
A alternativa D propõe cesariana eletiva imediata, o que é inadequado. O colo desfavorável (Bishop baixo) não contraindica a indução do trabalho de parto na RPM a termo. A indução com ocitocina é segura e eficaz, mesmo com colo desfavorável, e a cesariana deve ser reservada para indicações fetais ou maternas específicas, não como rotina na RPM. A alternativa erra ao considerar o colo desfavorável como contraindicação à indução.
Alternativa E — ❌ Incorreta
A alternativa E propõe conduta expectante com monitorização ambulatorial diária por até 96 horas, com indução apenas se houver febre ou leucocitose. Essa conduta é inadequada na RPM a termo, pois aguardar o aparecimento de sinais de infecção aumenta o risco de corioamnionite e de sepse neonatal. A indução imediata é a conduta recomendada, independentemente da presença de sinais de infecção.