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Questão de Medicina — Ginecologia e Obstetrícia — Avança SP 2025

MedicinaGinecologia e Obstetrícia
Código
qg413872
Banca
Avança SP
Órgão
IAMSPE
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Residência Médica - Pré-Requisito - Cirurgia Geral - Mastologia
Gestante de 32 anos, G1P0, com 31 semanas e 4 dias de gestação, é encaminhada do pré-natal de alto risco para avaliação em centro terciário devido à suspeita de restrição de crescimento intrauterino (CIUR). Relata pré-natal iniciado no primeiro trimestre, ultrassonografia inicial com idade gestacional confirmada. Nega comorbidades maternas. Não fuma, não usa drogas. História familiar: mãe hipertensa. Às 28 semanas, ultrassom morfológico evidenciou peso fetal estimado no percentil 8 (440 g abaixo do esperado) com relação céfalo-abdominal aumentada. Novo ultrassom com 30 semanas confirmou peso no percentil 5 com estagnação do crescimento. Paciente assintomática, nega sangramento, perda de líquido, contrações ou redução de movimentos fetais. Ao exame físico: PA: 125/78 mmHg, FC: 76 bpm, IMC: 21 kg/m². Altura uterina: 26 cm (abaixo do percentil 10 para idade gestacional). BCF: 148 bpm. Movimentação fetal presente. Exames laboratoriais maternos: hemograma, função renal, função hepática, proteinúria 24 h: todos normais. Sorologias (TORCHS): IgG positivo para toxoplasmose e rubéola, IgM negativo. CMV e sífilis: negativos. Ultrassonografia obstétrica (31 semanas e 4 dias):•Biometria fetal: DBP: 74 mm (percentil 20), CC: 274 mm (percentil 15), CA: 228 mm (percentil 3), CF: 53 mm (percentil 8)•Peso fetal estimado: 1.280 g (percentil 3 - abaixo de 2 desvios-padrão)•Relação CC/CA: 1,20 (aumentada - normal < 1,0 após 32 semanas)•Índice de líquido amniótico: 6,2 cm (reduzido - normal 8-24 cm)•Placenta: grau II, localização fúndica•Anatomia fetal: sem malformações detectadas•Dopplervelocimetria:oSístole: Pico de velocidade normal (fluxo anterógrado)oDiástole: AUSENTE - o fluxo retorna completamente à linha de base (diástole zero)oÍndice de Pulsatilidade (IP): 2,8 (muito elevado - normal < 1,2 no 3º trimestre)oÍndice de Resistência (IR): 1,0 (muito elevado - normal < 0,6-0,7)oRelação S/D: Infinita (diástole = 0)•Outros Dopplers realizados:oArtéria cerebral média: IP 1,2 (normal: 1,4-1,8) - vasodilatação cerebral (centralização)oRelação cerebroplacentária: 0,43 (< 1,0 - anormal, confirma centralização fetal)oDucto venoso: onda "a" positiva (normal)•Cardiotocografia: BCF basal 145 bpm, variabilidade moderada, 2 acelerações em 20 minutos, sem desacelerações (reativa).Considerando o quadro de CIUR grave com os achados dopplervelocimétricos apresentados, qual a conduta mais adequada?
  1. AManter vigilância fetal rigorosa com Doppler de artéria umbilical 2x/semana, cardiotocografia diária, aguardar reversão espontânea do fluxo diastólico ou até 34 semanas para interrupção da gestação.
  2. BInterromper imediatamente a gestação por cesariana, pois diástole zero em artéria umbilical indica insuficiência placentária terminal com alto risco iminente de óbito fetal.
  3. CAdministrar corticoterapia para maturação pulmonar fetal (betametasona 12 mg IM, 2 doses com 24h de intervalo), manter internação com monitorização intensiva (Doppler de ducto venoso diário, cardiotocografia 2x/dia, perfil biofísico fetal), interromper gestação se: diástole reversa em artéria umbilical, alteração do ducto venoso (onda "a" ausente/reversa) ou cardiotocografia não reativa.
  4. DIndicar transfusão intrauterina de concentrado de hemácias para corrigir anemia fetal secundária à insuficiência placentária, seguida de tratamento expectante até 37 semanas.
  5. ERealizar amniocentese para investigação de cariótipo fetal e infecções congênitas (PCR para CMV e toxoplasmose), pois CIUR grave precoce sugere etiologia cromossômica ou infecciosa que contraindicaria prolongamento da gestação.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoC — Administrar corticoterapia para maturação pulmonar fetal (betametasona 12 mg IM, 2 doses com 24h de intervalo), manter internação com monitorização intensiva (Doppler de ducto venoso diário, cardiotocografia 2x/dia, perfil biofísico fetal), interromper gestação se: diástole reversa em artéria umbilical, alteração do ducto venoso (onda "a" ausente/reversa) ou cardiotocografia não reativa.

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