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Questão de Medicina — Ginecologia e Obstetrícia — Avança SP 2025

MedicinaGinecologia e Obstetrícia
Código
qg413874
Banca
Avança SP
Órgão
IAMSPE
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Residência Médica - Pré-Requisito - Cirurgia Geral - Mastologia
Gestante de 30 anos, G2P1, com 26 semanas de gestação, comparece à consulta de pré-natal de rotina. Primeira gestação sem intercorrências, parto vaginal há 3 anos, recém-nascido com 4.200 g. Nega diabetes mellitus prévia. História familiar: mãe com diabetes tipo 2 diagnosticado aos 55 anos. IMC pré-gestacional: 31 kg/m² (obesidade grau I). Ganho ponderal atual: 8 kg. Nega sintomas de hiperglicemia. Glicemia de jejum no primeiro trimestre: 88 mg/dL (normal). Exame físico: PA: 120/75 mmHg, AU: 26 cm, BCF: 145 bpm. Foi solicitado teste oral de tolerância à glicose com 75g (TOTG75g) conforme protocolo de rastreamento. Paciente retorna com o resultado: TOTG-75g realizado com 26 semanas: Jejum: 88 mg/dL, 1 hora: 192 mg/dL, 2 horas: 163 mg/dL. Nega sintomas. Nega uso de corticoides ou outras medicações. Ultrassonografia obstétrica (26 semanas): feto único, biometria compatível com idade gestacional, percentil 60, líquido amniótico normal, placenta posterior grau 0. Considerando os resultados do TOTG-75g e as diretrizes atuais para diagnóstico e manejo do diabetes mellitus gestacional, qual a conduta mais adequada?
  1. ARepetir TOTG-75g em 2 semanas para confirmação diagnóstica, pois um único exame alterado não é suficiente para diagnóstico de diabetes gestacional, especialmente com glicemia de jejum normal.
  2. BSolicitar hemoglobina glicada (HbA1c) para confirmação diagnóstica e, se ≥ 6,5%, confirmar diabetes gestacional e iniciar insulinoterapia imediatamente.
  3. CConfirmar diagnóstico de diabetes mellitus gestacional, orientar dieta fracionada com restrição de carboidratos simples, iniciar automonitorização glicêmica com glicemia capilar 4-6 vezes ao dia, reavaliar em 1-2 semanas para decidir necessidade de insulina.
  4. DConfirmar diagnóstico de diabetes gestacional e iniciar insulinoterapia imediatamente (NPH + regular ou análogos), considerando que dois valores do TOTG estão alterados e há macrossomia fetal ao ultrassom.
  5. EOrientar apenas restrição calórica rigorosa (dieta de 1.200-1.500 kcal/dia) sem necessidade de automonitorização glicêmica, pois diabetes gestacional com glicemia de jejum normal é de baixo risco e controlável apenas com dieta.
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GabaritoC — Confirmar diagnóstico de diabetes mellitus gestacional, orientar dieta fracionada com restrição de carboidratos simples, iniciar automonitorização glicêmica com glicemia capilar 4-6 vezes ao dia, reavaliar em 1-2 semanas para decidir necessidade de insulina.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Diabetes mellitus gestacional: diagnóstico e conduta inicial

Gabarito: letra C. A paciente preenche critério diagnóstico de diabetes mellitus gestacional (DMG) pelo TOTG-75g — glicemia de 1h = 192 mg/dL (≥ 180 mg/dL) — e a conduta inicial adequada é confirmar o diagnóstico, orientar dieta e iniciar automonitorização glicêmica, reavaliando em 1-2 semanas para decidir sobre insulinoterapia. O diagnóstico de DMG é feito com um único valor alterado no TOTG-75g, conforme os critérios da IADPSG adotados no Brasil, e a insulinoterapia não é iniciada imediatamente no momento do diagnóstico, mas sim após tentativa de controle com dieta e exercício físico.

O diabetes mellitus gestacional (DMG) é definido como a intolerância à glicose de gravidade variável, diagnosticada pela primeira vez durante a gestação, podendo ou não persistir após o parto. É uma condição que reflete o estado de resistência insulínica fisiológico da gravidez, que, em mulheres com reserva pancreática insuficiente, leva à hiperglicemia. O rastreamento e o diagnóstico seguem critérios padronizados, e o teste oral de tolerância à glicose com 75 g (TOTG-75g) é o exame de escolha, realizado entre 24 e 28 semanas de gestação na maioria das gestantes.

Os critérios diagnósticos do DMG pelo TOTG-75g, baseados no estudo HAPO e recomendados pela IADPSG (International Association of Diabetes and Pregnancy Study Groups), são: glicemia de jejum ≥ 92 mg/dL, glicemia de 1 hora ≥ 180 mg/dL ou glicemia de 2 horas ≥ 153 mg/dL. Basta um único valor alterado para confirmar o diagnóstico. No caso apresentado, a glicemia de 1 hora foi de 192 mg/dL, valor que ultrapassa o limiar de 180 mg/dL, confirmando o DMG. A glicemia de jejum de 88 mg/dL e a de 2 horas de 163 mg/dL (que também é alterada, pois ≥ 153 mg/dL) reforçam o diagnóstico, mas não são necessárias para ele.

O manejo inicial do DMG consiste em três pilares: dieta, exercício físico e automonitorização glicêmica. A dieta deve ser fracionada, com restrição de carboidratos simples e distribuição adequada de macronutrientes. A automonitorização glicêmica (glicemia capilar) é fundamental para avaliar o controle glicêmico e deve ser realizada de 4 a 6 vezes ao dia (jejum e pós-prandial). As metas glicêmicas são: jejum ≤ 95 mg/dL, 1h pós-prandial ≤ 140 mg/dL e 2h pós-prandial ≤ 120 mg/dL. A insulinoterapia é indicada quando as metas não são atingidas com dieta e exercício, geralmente após 1-2 semanas de tentativa de controle não farmacológico. Não se inicia insulina imediatamente ao diagnóstico, a menos que haja descompensação glicêmica importante (glicemia de jejum muito elevada, por exemplo).

A distinção crucial que a questão explora é entre o diagnóstico e o tratamento. O diagnóstico é feito com um único valor alterado no TOTG-75g, e o tratamento inicial é sempre não farmacológico (dieta + exercício + monitorização). A insulina é reservada para os casos em que o controle glicêmico não é alcançado com essas medidas. A alternativa que sugere repetir o exame para confirmar o diagnóstico está incorreta, pois o critério de um único valor alterado já é suficiente. A alternativa que sugere iniciar insulina imediatamente está incorreta, pois a conduta inicial é sempre dietoterápica. A alternativa que sugere usar HbA1c para diagnóstico está incorreta, pois a HbA1c não é o exame de escolha para diagnóstico de DMG (tem baixa sensibilidade). A alternativa que sugere apenas restrição calórica rigorosa sem monitorização está incorreta, pois a monitorização glicêmica é parte essencial do manejo.

A pegadinha da banca está em duas frentes: (1) achar que é necessário repetir o TOTG para confirmar o diagnóstico, quando na verdade um único valor alterado já o confirma; e (2) achar que a insulinoterapia deve ser iniciada imediatamente, quando na verdade a conduta inicial é sempre dieta e monitorização, com reavaliação em 1-2 semanas. A presença de obesidade (IMC 31 kg/m²) e o ganho ponderal de 8 kg são fatores de risco, mas não alteram a conduta inicial. A ultrassonografia com percentil 60 e líquido amniótico normal não indica macrossomia fetal, o que também afasta a necessidade de insulina imediata.

Guarde a sequência: diagnóstico (1 valor alterado) → conduta inicial (dieta + exercício + monitorização) → reavaliação em 1-2 semanas → se metas não atingidas, iniciar insulina. É exatamente nessa sequência que as alternativas se dividem.

  1. 1TOTG-75g: 1 valor alterado = diagnóstico
  2. 2Dieta + exercício + monitorização
  3. 3Reavaliação em 1-2 semanas
  4. 4Metas não atingidas → insulina
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Alternativa A — ❌ Incorreta

Afirma que é necessário repetir o TOTG-75g para confirmar o diagnóstico, pois um único exame alterado não seria suficiente. Isso contraria os critérios da IADPSG, adotados no Brasil, que estabelecem que um único valor alterado no TOTG-75g (jejum ≥ 92, 1h ≥ 180 ou 2h ≥ 153 mg/dL) já é suficiente para o diagnóstico de DMG. A glicemia de jejum normal não exclui o diagnóstico, pois o DMG pode se manifestar apenas com alteração pós-prandial. Repetir o exame seria um atraso no início do tratamento, o que pode trazer riscos para a mãe e o feto.

Alternativa B — ❌ Incorreta

Sugere solicitar hemoglobina glicada (HbA1c) para confirmação diagnóstica e, se ≥ 6,5%, confirmar DMG e iniciar insulinoterapia imediatamente. A HbA1c não é o exame de escolha para o diagnóstico de DMG, pois tem baixa sensibilidade nesse contexto (para HbA1c de 5,7%, a sensibilidade é de apenas 24,7%). O diagnóstico de DMG é feito pelo TOTG-75g. Além disso, mesmo que o diagnóstico fosse confirmado, a insulinoterapia não é iniciada imediatamente; a conduta inicial é sempre dieta e monitorização, com reavaliação posterior.

Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO

Confirma o diagnóstico de DMG (glicemia de 1h = 192 mg/dL ≥ 180 mg/dL), orienta dieta fracionada com restrição de carboidratos simples, inicia automonitorização glicêmica com glicemia capilar 4-6 vezes ao dia e reavalia em 1-2 semanas para decidir necessidade de insulina. Essa é exatamente a conduta inicial recomendada pelas diretrizes: dieta + exercício + monitorização glicêmica, com reavaliação em 1-2 semanas para avaliar se as metas glicêmicas foram atingidas. Se as metas não forem atingidas, a insulinoterapia é então indicada.

Alternativa D — ❌ Incorreta

Confirma o diagnóstico de DMG, mas inicia insulinoterapia imediatamente, justificando que dois valores do TOTG estão alterados e há macrossomia fetal ao ultrassom. Dois erros: (1) a insulinoterapia não é iniciada imediatamente ao diagnóstico; a conduta inicial é sempre não farmacológica (dieta + exercício + monitorização), com reavaliação em 1-2 semanas; (2) a ultrassonografia mostra percentil 60, líquido amniótico normal e placenta grau 0, sem evidência de macrossomia fetal (que seria percentil > 90). Portanto, não há indicação de insulina imediata.

Alternativa E — ❌ Incorreta

Orienta apenas restrição calórica rigorosa (dieta de 1.200-1.500 kcal/dia) sem necessidade de automonitorização glicêmica, justificando que DMG com glicemia de jejum normal é de baixo risco. Dois erros: (1) a automonitorização glicêmica é parte essencial do manejo do DMG, independentemente do valor da glicemia de jejum, pois permite avaliar o controle glicêmico e orientar a necessidade de insulina; (2) a restrição calórica rigorosa (1.200-1.500 kcal/dia) não é recomendada na gestação, pois pode levar a déficits nutricionais e cetose. A dieta deve ser fracionada e balanceada, sem restrição calórica severa.

Gabarito: letra C

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