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Questão de Medicina — Ginecologia e Obstetrícia — Avança SP 2025

MedicinaGinecologia e Obstetrícia
Código
qg413877
Banca
Avança SP
Órgão
IAMSPE
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Residência Médica - Pré-Requisito - Cirurgia Geral - Mastologia
Paciente de 53 anos, menopausa há 2 anos, procura consultório com queixa de fogachos intensos (12- 15 episódios/dia), sudorese noturna, insônia, irritabilidade e dispareunia. Sintomas interferem significativamente em sua qualidade de vida e trabalho. Refere também secura vaginal importante. Nega sangramento vaginal. História ginecológica: G3P3, último parto aos 32 anos, não amamentou (opção pessoal). Histerectomia total aos 46 anos por miomatose uterina (benigna), ovários preservados. História familiar: mãe diagnosticada com câncer de mama aos 58 anos (RE positivo, tratada com cirurgia e hormonioterapia, atualmente com 78 anos, sem recidiva). Irmã saudável, 55 anos. Tia paterna com câncer de ovário aos 65 anos. História pessoal: hipertensão arterial controlada (losartana 50 mg/dia), sem diabetes. Nega tabagismo. IMC: 27 kg/m². Exame físico: PA: 128/82 mmHg. Exame ginecológico: atrofia vulvovaginal acentuada. Mamas sem nódulos ou alterações. Mamografia realizada há 6 meses: mamas heterogeneamente densas (ACR tipo C), sem nódulos ou microcalcificações, BI-RADS 1. Considerando os sintomas climatéricos intensos e a história familiar de câncer de mama, qual a melhor orientação sobre terapia hormonal?
  1. AContraindicar formalmente terapia hormonal sistêmica devido à história familiar de câncer de mama materno, orientando apenas tratamento não-hormonal (ISRSs, gabapentina) para os fogachos
  2. BPrescrever terapia hormonal sistêmica com estrogênio isolado (paciente histerectomizada), informando que história familiar de câncer de mama não é contraindicação absoluta, avaliar riscosbenefícios individualmente, e monitorar adequadamente.
  3. CPrescrever estrogênio transdérmico associado a progesterona micronizada oral, mesmo a paciente sendo histerectomizada, porque a combinação reduz risco de câncer de mama comparado a estrogênio isolado.
  4. DSolicitar teste genético para mutações BRCA antes de qualquer decisão sobre terapia hormonal, pois a história familiar (mãe com câncer de mama, tia com câncer de ovário) sugere síndrome hereditária.
  5. EPrescrever apenas estrogênio vaginal tópico para atrofia vulvovaginal, evitando qualquer terapia sistêmica, e orientar tratamento não hormonal para fogachos devido ao antecedente familiar.
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GabaritoB — Prescrever terapia hormonal sistêmica com estrogênio isolado (paciente histerectomizada), informando que história familiar de câncer de mama não é contraindicação absoluta, avaliar riscosbenefícios individualmente, e monitorar adequadamente.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Terapia hormonal da menopausa e risco de câncer de mama

Gabarito: letra B. A paciente, histerectomizada e com sintomas vasomotores intensos, é candidata à terapia hormonal sistêmica com estrogênio isolado, pois a história familiar de câncer de mama em parente de primeiro grau (mãe) não constitui contraindicação absoluta — a decisão deve ser individualizada, avaliando riscos e benefícios, com monitoramento adequado. A conduta correta se baseia nas diretrizes de sociedades de ginecologia e obstetrícia, que orientam que o risco atribuível à THM é pequeno e deve ser ponderado frente ao impacto dos sintomas na qualidade de vida.

A terapia hormonal da menopausa (THM) é o tratamento mais eficaz para os sintomas vasomotores moderados a graves, como fogachos e sudorese noturna, e também para a síndrome geniturinária da menopausa (atrofia vulvovaginal, dispareunia). A indicação clássica é para mulheres com sintomas que comprometem a qualidade de vida, preferencialmente iniciada antes dos 60 anos ou dentro de 10 anos da menopausa (janela de oportunidade). A decisão de prescrever ou não deve ser individualizada, considerando contraindicações absolutas (como câncer de mama atual ou prévio, doença coronariana, AVC, TEV ativa) e relativas, além do perfil de risco de cada paciente.

A história familiar de câncer de mama é um fator de risco, mas não contraindica a THM por si só. Estudos observacionais e ensaios clínicos mostram que o risco de câncer de mama associado à THM é pequeno e aumenta com a duração do uso, principalmente com a combinação estrogênio + progestágeno. Para mulheres histerectomizadas, o uso de estrogênio isolado é preferível, pois não há necessidade de proteção endometrial e o perfil de risco é mais favorável — o estudo WHI (Women's Health Initiative) demonstrou que o estrogênio isolado não aumentou o risco de câncer de mama em mulheres histerectomizadas, ao contrário da terapia combinada. A história familiar de câncer de mama em parente de primeiro grau aumenta o risco basal, mas não é contraindicação absoluta; a decisão deve ser compartilhada com a paciente, avaliando o risco individual e a intensidade dos sintomas.

A paciente em questão tem 53 anos, menopausa há 2 anos (dentro da janela de oportunidade), sintomas vasomotores intensos (12-15 episódios/dia) que interferem na qualidade de vida, e atrofia vulvovaginal acentuada. É histerectomizada, portanto pode usar estrogênio isolado. A história familiar de câncer de mama (mãe aos 58 anos, RE positivo, sem recidiva) e de ovário (tia paterna aos 65 anos) merece atenção, mas não contraindica a THM. A paciente não tem contraindicações absolutas (nega TEV, doença coronariana, AVC, câncer de mama atual). A conduta correta é prescrever estrogênio isolado, informar sobre os riscos e benefícios, e monitorar adequadamente, incluindo mamografia anual e exame clínico das mamas.

A alternativa B é a correta porque reflete a prática baseada em evidências: história familiar de câncer de mama não é contraindicação absoluta para THM, especialmente com estrogênio isolado em paciente histerectomizada. A decisão deve ser individualizada, e o monitoramento adequado é essencial. As demais alternativas apresentam erros conceituais ou condutas inadequadas, como veremos a seguir.

Critério

Alternativa A

Alternativa B (Gabarito)

Alternativa C

Alternativa D

Alternativa E

Conduta principal

Contraindicar THM sistêmica formalmente

Prescrever estrogênio isolado (histerectomizada)

Estrogênio transdérmico + progesterona oral

Teste genético BRCA antes de decidir

Apenas estrogênio vaginal tópico

História familiar de CA de mama

Tratada como contraindicação absoluta

Não é contraindicação absoluta; decisão individualizada

Não mencionada como fator limitante

Considerada indicativa de síndrome hereditária

Usada para evitar THM sistêmica

Uso de progestágeno

Não se aplica (contraindicou THM)

Não indicado (sem útero)

Indicado, apesar de histerectomizada

Não se aplica (adiou decisão)

Não se aplica (só tópico)

Abordagem dos sintomas vasomotores

Tratamento não hormonal (ISRS, gabapentina)

THM sistêmica (estrogênio isolado)

THM combinada

Adiada até resultado genético

Tratamento não hormonal

Tratamento da atrofia vulvovaginal

Não especificado

Melhorado pela THM sistêmica

Melhorado pela THM sistêmica

Não especificado

Estrogênio vaginal tópico

Correção conceitual

❌ História familiar não contraindica THM

✅ Baseada em evidências (WHI)

❌ Combinação aumenta risco de CA de mama

❌ Critérios BRCA não preenchidos; excessivo

❌ Não trata sintomas vasomotores

Alternativa A — ❌ Incorreta

Contraindicar formalmente a THM apenas pela história familiar de câncer de mama é conduta inadequada. A história familiar é um fator de risco, mas não contraindicação absoluta. A paciente tem sintomas intensos que comprometem a qualidade de vida, e a THM é o tratamento mais eficaz. A contraindicação formal seria indicada em casos de câncer de mama atual ou prévio, não em história familiar isolada. A alternativa ignora a necessidade de individualização e o perfil de risco-benefício favorável com estrogênio isolado.

Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A conduta correta é prescrever estrogênio isolado, pois a paciente é histerectomizada (não necessita de progestágeno para proteção endometrial). A história familiar de câncer de mama não é contraindicação absoluta; a decisão deve ser individualizada, avaliando riscos e benefícios, e a paciente deve ser monitorada adequadamente (mamografia anual, exame clínico das mamas). Esta alternativa reflete as diretrizes atuais de THM.

Alternativa C — ❌ Incorreta

Prescrever estrogênio transdérmico associado a progesterona micronizada oral em paciente histerectomizada é desnecessário, pois não há útero para proteger. Além disso, a afirmação de que a combinação reduz risco de câncer de mama comparado a estrogênio isolado é incorreta — na verdade, a terapia combinada (estrogênio + progestágeno) está associada a maior risco de câncer de mama do que o estrogênio isolado, conforme estudos como o WHI. A conduta correta seria estrogênio isolado.

Alternativa D — ❌ Incorreta

Solicitar teste genético para BRCA antes de qualquer decisão sobre THM não é necessário neste caso. A história familiar (mãe com câncer de mama aos 58 anos, tia paterna com câncer de ovário aos 65 anos) não preenche critérios claros para síndrome hereditária (como múltiplos casos em parentes de primeiro grau, câncer de mama bilateral, idade precoce, etc.). Além disso, mesmo em portadoras de mutação BRCA, a THM não é absolutamente contraindicada, e a decisão deve ser individualizada. A conduta de solicitar teste genético antes de qualquer decisão é excessiva e não baseada em evidências para este caso.

Alternativa E — ❌ Incorreta

Prescrever apenas estrogênio vaginal tópico para atrofia vulvovaginal e evitar terapia sistêmica é conduta incompleta. A paciente tem sintomas vasomotores intensos (fogachos, sudorese noturna, insônia) que comprometem a qualidade de vida, e a THM sistêmica é o tratamento mais eficaz. O estrogênio vaginal tópico trata apenas a atrofia vulvovaginal, não os sintomas vasomotores. A história familiar de câncer de mama não contraindica a THM sistêmica, e a paciente é candidata a estrogênio isolado.

Gabarito: letra B

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