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Questão de Medicina — Cirurgia Geral — Avança SP 2025

MedicinaCirurgia Geral
Código
qg413883
Banca
Avança SP
Órgão
IAMSPE
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Residência Médica - Pré-Requisito - Cirurgia Geral - Mastologia
Paciente de 45 anos, sem comorbidades, procura atendimento referindo descarga papilar sanguinolenta unilateral em mama direita há 3 meses, espontânea, por orifício único. Nega nódulo palpável, dor ou alterações cutâneas. História familiar negativa para câncer de mama. Ao exame físico: expressão de secreção sanguinolenta em papila direita, oriunda de ducto único às 2 horas, sem massa palpável. Mama esquerda sem alterações. Mamografia bilateral: mamas heterogeneamente densas (ACR tipo C), sem nódulos ou microcalcificações suspeitas, BIRADS 2. Ultrassonografia mamária: mama direita com área hipoecoica intraductal de 8 mm em região retroareolar, sem fluxo ao Doppler, distante 12 mm da papila. Mama esquerda sem alterações. Realizada biópsia percutânea (core biopsy) guiada por ultrassom da lesão intraductal. Resultado anatomopatológico: papiloma intraductal com áreas de hiperplasia ductal atípica focal. Considerando o resultado da biópsia percutânea e o risco de subestimação diagnóstica (upgrade), qual a conduta mais adequada?
  1. AAcompanhamento clínico e ultrassonográfico semestral por 2 anos, seguido de anual, uma vez que papiloma com atipia focal tem baixo risco de malignidade quando a core biopsy é representativa.
  2. BRessecção cirúrgica da lesão (ductectomia) com exame anatomopatológico intraoperatório (congelação), prosseguindo para setorectomia ampla se carcinoma confirmado.
  3. CExérese cirúrgica completa da lesão intraductal setor pela ponte da gatilho ou setor agulhado da lesão residual, com exame anatomopatológico definitivo em parafina e posterior conduta conforme resultado.
  4. DRessonância magnética de mamas para melhor caracterização da lesão e investigação de multifocalidade, seguida de decisão terapêutica conforme achados.
  5. ERepetir core biopsy com maior número de fragmentos (pelo menos 12) e realizar imuno-histoquímica para p63 e citoqueratinas de alto peso molecular antes de definir conduta cirúrgica.
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GabaritoC — Exérese cirúrgica completa da lesão intraductal setor pela ponte da gatilho ou setor agulhado da lesão residual, com exame anatomopatológico definitivo em parafina e posterior conduta conforme resultado.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Papiloma intraductal com atipia: conduta cirúrgica e risco de subestimação

Gabarito: letra C. Diante de papiloma intraductal com áreas de hiperplasia ductal atípica (HDA) em core biopsy, a conduta é a exérese cirúrgica completa da lesão com estudo anatomopatológico definitivo em parafina, pois há risco real de subestimação diagnóstica (upgrade para carcinoma) — a biópsia percutânea pode não representar toda a lesão. A alternativa C é a que melhor traduz essa conduta, sendo as demais inadequadas por subestimar o risco (A), propor técnica inadequada (B), adiar a decisão com exames que não mudam a conduta (D) ou repetir biópsia sem necessidade (E).

O papiloma intraductal é um tumor benigno dos ductos lactíferos, mais comum em mulheres entre 30 e 50 anos, que se manifesta tipicamente com descarga papilar sanguinolenta ou serosa, espontânea e por orifício único. O nódulo frequentemente não é palpável, pois mede menos de 1 cm. O diagnóstico é feito por imagem (mamografia, ultrassonografia) e confirmado por biópsia percutânea. O grande desafio clínico é que, mesmo quando a biópsia mostra apenas papiloma, pode haver carcinoma papilífero associado em áreas não amostradas — daí o conceito de upgrade (subestimação diagnóstica). Quando a biópsia revela papiloma com atipia (como a hiperplasia ductal atípica), o risco de malignidade subjacente aumenta significativamente, tornando a exérese cirúrgica mandatória.

A conduta cirúrgica consiste na excisão completa da lesão, seja ela palpável (excisão do nódulo) ou não palpável (excisão do ducto comprometido, por incisão periareolar — ductectomia). O material deve ser enviado para exame anatomopatológico definitivo em parafina, e não para congelação, pois o exame microscópico intraoperatório pode não ser conclusivo para diferenciar papiloma de carcinoma papilífero. A importância da investigação cirúrgica é justamente excluir o carcinoma papilífero, que se manifesta de forma idêntica. Após o resultado em parafina, a conduta é definida: se benigno, apenas seguimento; se carcinoma, complementação cirúrgica (setorectomia ampla) e estadiamento.

A pegadinha central desta questão é a troca entre congelação e parafina. O candidato pode ser tentado a escolher a alternativa B, que propõe congelação intraoperatória, mas a literatura é clara: a biópsia de congelação não deve ser usada nesse contexto, pois o exame microscópico sem técnica em parafina pode não ser conclusivo. Outra armadilha é a alternativa A, que sugere acompanhamento clínico para papiloma com atipia — isso seria aceitável apenas para papiloma sem atipia e com biópsia representativa, mas a presença de HDA eleva o risco e contraindica a conduta expectante. A alternativa E, de repetir a biópsia com mais fragmentos, também não resolve: mesmo com amostragem ampliada, o risco de subestimação persiste, e a conduta cirúrgica já está indicada pela atipia.

Guarde o critério decisivo: papiloma com atipia em core biopsy = exérese cirúrgica com estudo em parafina. É exatamente nessa fronteira que as alternativas se dividem — as que propõem observação, congelação ou exames adicionais antes da cirurgia estão todas incorretas.

Papiloma intraductal
  • 1Sem atipia
    • Biópsia representativa
      • Pode discutir observação
    • Biópsia não representativa
      • Exérese cirúrgica
  • 2Com atipia (HDA)
    • Exérese cirúrgica obrigatória
      • Estudo definitivo em parafina
      • Não usar congelação
      • Não repetir core biopsy
      • Não adiar com RM
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Alternativa A — ❌ Incorreta

Afirma que papiloma com atipia focal tem baixo risco de malignidade quando a core biopsy é representativa, propondo acompanhamento. Erro: a presença de hiperplasia ductal atípica (HDA) é justamente o fator que aumenta o risco de carcinoma associado, independentemente da representatividade da biópsia. A conduta expectante só seria cogitada para papiloma sem atipia e com biópsia considerada representativa — e mesmo assim com discussão caso a caso. A atipia é indicação formal de exérese cirúrgica.

Alternativa B — ❌ Incorreta

Propõe ductectomia com exame anatomopatológico intraoperatório (congelação), prosseguindo para setorectomia ampla se carcinoma confirmado. Erro: a biópsia de congelação não deve ser usada nesse contexto, pois o exame microscópico sem técnica em parafina pode não ser conclusivo para diferenciar papiloma de carcinoma papilífero. A conduta correta é exérese com estudo definitivo em parafina e, só então, decisão sobre complementação cirúrgica. A alternativa antecipa uma decisão (setorectomia) que depende do resultado anatomopatológico definitivo.

Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO

Determina a exérese cirúrgica completa da lesão intraductal com exame anatomopatológico definitivo em parafina e posterior conduta conforme o resultado. É exatamente o que a literatura preconiza: excisão do ducto comprometido (ductectomia) por incisão periareolar, com estudo histológico definitivo, para excluir carcinoma papilífero. A menção à "ponte da gatilho" ou "setor agulhado" refere-se à técnica de localização da lesão não palpável (fio-guia ou agulha), garantindo a ressecção completa. A conduta posterior (seguimento ou complementação) depende do resultado em parafina.

Alternativa D — ❌ Incorreta

Sugere ressonância magnética de mamas para melhor caracterização e investigação de multifocalidade antes da decisão terapêutica. Erro: a RM não altera a conduta neste cenário. Já existe lesão identificada com histologia de papiloma com atipia — a indicação de exérese cirúrgica é independente de exames adicionais de imagem. A RM poderia ser útil em outros contextos (ex.: avaliação de extensão em carcinoma já diagnosticado, rastreamento de alto risco), mas não para decidir se o papiloma com atipia deve ser ressecado — isso já está definido.

Alternativa E — ❌ Incorreta

Propõe repetir a core biopsy com maior número de fragmentos e realizar imuno-histoquímica (p63, citoqueratinas de alto peso molecular) antes de definir conduta cirúrgica. Erro: repetir a biópsia não elimina o risco de subestimação — a lesão pode ter áreas de carcinoma não amostradas mesmo com mais fragmentos. A imuno-histoquímica (p63, CK5/6) é útil para diferenciar papiloma de carcinoma papilífero na peça cirúrgica, mas não substitui a exérese. A presença de atipia já é indicação formal de cirurgia; adiar com nova biópsia é conduta inadequada e potencialmente perigosa.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a confusão entre congelação e parafina (alternativa B) e entre papiloma com e sem atipia (alternativa A). No papiloma intraductal, a congelação é contraindicada por não ser conclusiva — o estudo definitivo em parafina é obrigatório. E a atipia (HDA) é o divisor de águas: sem atipia, pode-se discutir observação; com atipia, a exérese é mandatória. Fique atento a essas duas trocas — elas são as mais cobradas nesse tema.

PEGA ESSA DICA!

Para questões de papiloma intraductal, monte mentalmente o fluxo: descarga papilar sanguinolenta unilateral → US mostra lesão intraductal → core biopsy → papiloma com atipia = cirurgia com parafina; papiloma sem atipia = discutir observação ou cirurgia. E lembre: congelação nunca nesse contexto. Esse raciocínio resolve a maioria das questões de mastologia sobre o tema.

Gabarito: letra C

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