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Questão de Medicina — Mastologia — Avança SP 2025

MedicinaMastologia
Código
qg413884
Banca
Avança SP
Órgão
IAMSPE
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Residência Médica - Pré-Requisito - Cirurgia Geral - Mastologia
Paciente de 52 anos, pós-menopausa, submetida a mamografia de rastreamento que evidenciou microcalcificações agrupadas em mama esquerda com 4,5 cm de extensão, BI-RADS 4C. Realizada biópsia percutânea guiada por estereotaxia, com retirada de 12 fragmentos. Resultado anatomopatológico: carcinoma ductal in situ (CDIS) grau nuclear alto, comedocarcinoma. Ausência de componente invasor. Imuno-histoquímica: RE positivo 90%, RP positivo 70%, HER2 negativo, Ki-67 35%. Ressonância magnética de mamas: área de realce não-massa segmentar de 4,0 cm em QSL de mama esquerda, sem outras lesões. Mama contralateral sem alterações. Paciente ansiosa, questiona sobre risco de recidiva e necessidade de retirada total da mama. Considerando o diagnóstico, extensão da lesão e fatores prognósticos, qual a melhor conduta terapêutica?
  1. AQuadrantectomia com margem de segurança de 2 mm, pesquisa de linfonodo sentinela (devido ao alto grau e tamanho da lesão), seguida de radioterapia adjuvante em toda mama e tamoxifeno por 5 anos.
  2. BSetorectomia ampla com margem de segurança de 1 cm, sem abordagem axilar, seguida de radioterapia em toda mama (50 Gy) com boost no leito tumoral (10-16 Gy) e hormonioterapia adjuvante.
  3. CMastectomia simples sem abordagem axilar, com possibilidade de reconstrução imediata, seguida de hormonioterapia adjuvante, sem necessidade de radioterapia.
  4. DMastectomia simples com pesquisa de linfonodo sentinela (pelo alto grau e extensa área de CDIS), com reconstrução imediata e hormonioterapia adjuvante.
  5. ECirurgia conservadora com margens livres de 5 mm, sem radioterapia adjuvante considerando que se trata de doença in situ de baixo risco, seguida apenas de hormonioterapia por 5 anos.
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GabaritoA — Quadrantectomia com margem de segurança de 2 mm, pesquisa de linfonodo sentinela (devido ao alto grau e tamanho da lesão), seguida de radioterapia adjuvante em toda mama e tamoxifeno por 5 anos.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Carcinoma ductal in situ (CDIS): conduta terapêutica

Gabarito: letra A. A melhor conduta é a cirurgia conservadora (quadrantectomia) com margens livres de pelo menos 2 mm, pesquisa de linfonodo sentinela (indicada pelo alto grau nuclear e extensão da lesão), radioterapia adjuvante em toda a mama e hormonioterapia com tamoxifeno por 5 anos (CDIS RE positivo em paciente pós-menopausa). A alternativa B erra ao propor margem de 1 cm e omitir a pesquisa de linfonodo sentinela; a C e a D indicam mastectomia sem necessidade; e a E omite a radioterapia, essencial no CDIS de alto grau.

O carcinoma ductal in situ (CDIS) é uma neoplasia maligna confinada aos ductos mamários, sem invasão da membrana basal — ou seja, sem capacidade de metastatizar. É o estágio mais inicial do câncer de mama (Tis, estágio 0) e, por definição, não há componente invasor. O tratamento padrão do CDIS é a excisão cirúrgica completa com margens negativas, seguida de radioterapia adjuvante em toda a mama. A mastectomia é reservada para casos de doença extensa ou multifocal, em que a cirurgia conservadora não consegue obter margens livres com resultado estético aceitável.

A margem cirúrgica adequada no CDIS é de pelo menos 2 mm — margens menores que isso estão associadas a maior risco de recorrência local. A radioterapia adjuvante após cirurgia conservadora reduz a recorrência local em cerca de 50%, e é indicada para praticamente todos os casos de CDIS tratados conservadoramente, exceto em situações muito selecionadas de baixo risco (CDIS de baixo grau, pequeno, com margens amplas). No caso apresentado, o CDIS é de alto grau nuclear, com comedonecrose e extensão de 4,5 cm — fatores de risco para recorrência —, o que torna a radioterapia obrigatória.

A pesquisa de linfonodo sentinela (LNS) no CDIS é controversa, mas é indicada em situações de maior risco de invasão oculta, como: lesões extensas (≥ 2,5-3 cm), alto grau nuclear, presença de comedonecrose, massa palpável ou lesão detectada clinicamente. No caso, a lesão tem 4,5 cm, é de alto grau com comedonecrose — justificando a pesquisa de LNS. A hormonioterapia adjuvante (tamoxifeno ou inibidor de aromatase) é indicada para CDIS RE positivo, pois reduz a recorrência local e o risco de câncer contralateral.

A alternativa A é a única que contempla todos os elementos: cirurgia conservadora com margem de 2 mm, pesquisa de LNS (justificada pelo alto grau e tamanho), radioterapia adjuvante e tamoxifeno por 5 anos. As demais alternativas erram em pelo menos um ponto essencial.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a confusão entre CDIS e carcinoma invasivo. No CDIS, a pesquisa de linfonodo sentinela NÃO é rotina — mas é indicada em casos de alto risco (lesão extensa, alto grau, comedonecrose), exatamente como no caso. O candidato que sabe que "CDIS não metastatiza" pode achar que LNS nunca é indicada, errando a questão. A alternativa B omite a LNS justamente por essa confusão.

CDIS (Tis, estágio 0)
  • 1Tratamento padrão
    • Cirurgia conservadora
      • Margem ≥ 2 mm
    • Radioterapia adjuvante
    • Hormonioterapia (RE+)
  • 2Pesquisa de linfonodo sentinela
    • Não é rotina
    • Indicada em alto risco
      • Lesão extensa (≥ 2,5-3 cm)
      • Alto grau nuclear
      • Comedonecrose
  • 3Mastectomia
    • Reservada a casos extensos/multifocais
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Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A alternativa A está correta porque contempla todos os pilares do tratamento do CDIS de alto risco: cirurgia conservadora (quadrantectomia) com margem de segurança de 2 mm (margem mínima aceitável no CDIS), pesquisa de linfonodo sentinela (indicada pelo alto grau nuclear e extensão da lesão — fatores de risco para invasão oculta), radioterapia adjuvante em toda a mama (reduz recorrência local) e tamoxifeno por 5 anos (hormonioterapia para CDIS RE positivo, reduz recorrência e câncer contralateral).

Alternativa B — ❌ Incorreta

A alternativa B erra ao propor margem de segurança de 1 cm — margem excessiva e não baseada em evidência para CDIS, onde o padrão é 2 mm. Além disso, omite a pesquisa de linfonodo sentinela, que é indicada neste caso pelo alto grau nuclear e extensão da lesão (4,5 cm). A radioterapia com boost e a hormonioterapia estão corretas, mas a falha na margem e na abordagem axilar torna a conduta inadequada.

Alternativa C — ❌ Incorreta

A alternativa C erra ao indicar mastectomia simples. A cirurgia conservadora é o tratamento de escolha para CDIS, com mesma sobrevida que a mastectomia. A mastectomia é reservada para casos de doença extensa ou multifocal que impeça margens livres com cirurgia conservadora. No caso, a lesão de 4,5 cm pode ser tratada conservadoramente. Além disso, a alternativa omite a radioterapia, que seria necessária se a cirurgia conservadora fosse feita — mas como propõe mastectomia, a RT não é indicada. O erro principal é a mastectomia desnecessária.

Alternativa D — ❌ Incorreta

A alternativa D também erra ao indicar mastectomia simples. Apesar de incluir a pesquisa de linfonodo sentinela (correta pelos fatores de risco) e a hormonioterapia (correta), a mastectomia é um overtreatment para CDIS, que tem a mesma sobrevida com cirurgia conservadora + radioterapia. A mastectomia só se justifica se a cirurgia conservadora não for viável (doença extensa demais, multifocalidade extensa, ou impossibilidade de RT). No caso, a lesão de 4,5 cm é passível de ressecção conservadora.

Alternativa E — ❌ Incorreta

A alternativa E erra ao omitir a radioterapia adjuvante. O CDIS de alto grau nuclear, com comedonecrose e 4,5 cm de extensão, NÃO é considerado de baixo risco — pelo contrário, tem alto risco de recorrência local. A radioterapia é obrigatória nesse cenário. A alternativa também propõe margens de 5 mm, que são adequadas, mas a ausência de RT é um erro grave. A hormonioterapia isolada não é suficiente para controlar a doença local.

Gabarito: letra A

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