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Questão de Medicina — Ginecologia e Obstetrícia — Avança SP 2025

MedicinaGinecologia e Obstetrícia
Código
qg413893
Banca
Avança SP
Órgão
IAMSPE
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Residência Médica - Pré-Requisito - Cirurgia Geral - Mastologia
Paciente de 62 anos, nuligestas, hipertensa e diabética tipo 2 em tratamento, IMC 36 kg/m², apresenta sangramento vaginal irregular há 4 meses. Nega terapia hormonal. Ultrassonografia transvaginal: endométrio espessado medindo 18 mm, heterogêneo, útero com 280 cm³. Biópsia de endométrio: adenocarcinoma endometrioide grau 2. Ressonância magnética de pelve: lesão restrita ao endométrio sem invasão miometrial visível, colo uterino livre, ovários sem alterações. CA-125: 28 U/mL. Tomografia de tórax e abdome sem evidências de doença metastática. Paciente é submetida a histerectomia total com salpingo-ooforectomia bilateral e linfadenectomia pélvica. Anatomopatológico da peça cirúrgica: adenocarcinoma endometrioide grau 2, invasão de 8 mm em miométrio com espessura total de 10 mm (80% de invasão), sem invasão linfovascular, sem comprometimento cervical. Foram ressecados 18 linfonodos pélvicos, todos negativos. Segundo os critérios de risco para metástases linfonodais e a classificação FIGO atual, qual o estadiamento e a conduta adjuvante mais adequada?
  1. AEstádio IB de risco intermediário-alto - Braquiterapia vaginal isolada (21 Gy em 3 frações).
  2. BEstádio IB de risco intermediário-alto - Radioterapia pélvica externa (45-50 Gy) sem braquiterapia devido à ausência de invasão linfovascular,
  3. CEstádio IB de alto risco - Radioterapia pélvica externa (45-50 Gy) + braquiterapia vaginal (boost de 10-15 Gy).
  4. DEstádio IB de risco intermediário - Observação clínica com seguimento trimestral, reservando radioterapia para recidivas.
  5. EEstádio IB de alto risco - Quimioterapia adjuvante com carboplatina e paclitaxel por 6 ciclos seguida de braquiterapia vaginal.
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GabaritoD — Estádio IB de risco intermediário - Observação clínica com seguimento trimestral, reservando radioterapia para recidivas.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Câncer de endométrio: estadiamento FIGO e terapia adjuvante

Gabarito: letra D. A paciente tem adenocarcinoma endometrioide grau 2 com invasão miometrial de 80% (8 mm de 10 mm), sem invasão linfovascular e sem comprometimento cervical, com linfonodos negativos — o que a classifica como estádio IB de risco intermediário pela FIGO. Para esse grupo, a conduta adjuvante mais adequada é a observação clínica com seguimento trimestral, reservando a radioterapia para recidivas, conforme as diretrizes atuais de ginecologia oncológica.

O câncer de endométrio é a neoplasia maligna mais comum do trato genital feminino, e sua apresentação clássica é o sangramento vaginal pós-menopausa — exatamente o quadro da paciente, que também apresenta fatores de risco importantes: obesidade (IMC 36 kg/m²), hipertensão e diabetes tipo 2. O diagnóstico foi feito por biópsia endometrial guiada por ultrassonografia, que mostrou endométrio espessado (18 mm), e o estadiamento é cirúrgico, baseado no anatomopatológico da peça operatória.

A classificação FIGO 2009 (atualizada em 2023) divide o estádio I em: IA (tumor limitado ao endométrio ou com invasão miometrial < 50%) e IB (invasão miometrial ≥ 50%). No caso, a invasão de 80% do miométrio coloca a paciente em IB. A partir daí, a decisão sobre terapia adjuvante depende da estratificação de risco, que considera: grau histológico, invasão linfovascular, idade e tipo histológico. Para tumores endometrioides grau 1-2, estádio IB, sem invasão linfovascular, o risco é considerado intermediário — e a literatura atual (incluindo os estudos PORTEC-1 e GOG-99) mostra que a radioterapia adjuvante reduz a recidiva local, mas não aumenta a sobrevida global, o que sustenta a conduta de observação com seguimento rigoroso.

Na prática, o que diferencia o risco intermediário do intermediário-alto e do alto é a combinação de fatores: idade ≥ 60 anos, invasão linfovascular, grau 3 e profundidade de invasão. A paciente tem 62 anos (fator de risco), mas grau 2 e ausência de invasão linfovascular — o que a mantém no grupo de risco intermediário, não no intermediário-alto. A braquiterapia vaginal isolada é opção para risco intermediário-alto (como no PORTEC-2), e a radioterapia pélvica externa com ou sem quimioterapia é reservada para alto risco. A quimioterapia adjuvante, por sua vez, é indicada principalmente para estádios avançados ou histologias de alto risco (como seroso e células claras).

A pegadinha central desta questão está em não confundir a profundidade de invasão (que define o estádio IB) com o grupo de risco (que define a conduta adjuvante). A invasão de 80% é o que determina o estádio IB, mas o risco intermediário é definido pela combinação de grau 2, ausência de invasão linfovascular e linfonodos negativos. Guarde essa fronteira: é exatamente nela que as alternativas se dividem.

Alternativa A — ❌ Incorreta

Classifica a paciente como risco intermediário-alto e indica braquiterapia vaginal isolada. O erro está na classificação de risco: para ser intermediário-alto, seria necessário um dos seguintes fatores: idade ≥ 70 anos, grau 3, ou invasão linfovascular. A paciente tem 62 anos, grau 2 e sem invasão linfovascular — portanto, risco intermediário, não intermediário-alto. A braquiterapia vaginal isolada é indicada para risco intermediário-alto (conforme PORTEC-2), não para risco intermediário.

Alternativa B — ❌ Incorreta

Também classifica como risco intermediário-alto e indica radioterapia pélvica externa (45-50 Gy) sem braquiterapia. Além do erro na classificação de risco, a justificativa apresentada é equivocada: a ausência de invasão linfovascular é um fator que reduz o risco, não que contraindica a braquiterapia. A radioterapia pélvica externa é reservada para risco intermediário-alto ou alto, não para risco intermediário.

Alternativa C — ❌ Incorreta

Classifica como alto risco e indica radioterapia pélvica externa + braquiterapia vaginal. O erro está na classificação: alto risco seria indicado para tumores com invasão linfovascular, grau 3, ou histologias não endometrioides (seroso, células claras). A paciente tem adenocarcinoma endometrioide grau 2, sem invasão linfovascular — portanto, não é alto risco. A combinação de radioterapia externa + braquiterapia é reservada para casos de maior risco, não para este.

Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO

Classifica corretamente como estádio IB de risco intermediário e indica observação clínica com seguimento trimestral, reservando radioterapia para recidivas. Esta é a conduta alinhada às diretrizes atuais: para risco intermediário (endometrioide grau 1-2, IB, sem invasão linfovascular), a radioterapia adjuvante não demonstra benefício em sobrevida global, apenas reduz recidiva local — portanto, a observação com seguimento rigoroso é a conduta mais adequada, evitando morbidade desnecessária do tratamento.

Alternativa E — ❌ Incorreta

Classifica como alto risco e indica quimioterapia adjuvante com carboplatina e paclitaxel por 6 ciclos seguida de braquiterapia vaginal. O erro está na classificação de risco e na indicação de quimioterapia: esta é reservada para estádios avançados (III-IV) ou histologias de alto risco, não para estádio IB de risco intermediário. A quimioterapia adjuvante em estádio inicial de risco intermediário não é indicada, pois não há evidência de benefício em sobrevida.

Gabarito: letra D — estádio IB de risco intermediário, com observação clínica e seguimento trimestral, reservando radioterapia para recidivas.

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