Pular para o conteúdo principal

Questão de Medicina — Endocrinologia — Avança SP 2025

MedicinaEndocrinologia
Código
qg413895
Banca
Avança SP
Órgão
IAMSPE
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Residência Médica - Pré-Requisito - Cirurgia Geral - Mastologia
Paciente de 28 anos, IMC 34 kg/m², comparece ao ambulatório com queixa de irregularidade menstrual desde a menarca (ciclos de 45-90 dias), hirsutismo moderado (escore de Ferriman-Gallwey: 14) e infertilidade primária há 2 anos. Nega galactorreia. Exame físico: acantose nigricans em região cervical e axilas, razão cintura/quadril: 0,89. Exames laboratoriais: testosterona total: 82 ng/dL (VR: 15-70), SDHEA: 180 mcg/dL (VR: 35-430), 17-OH-progesterona: 1,2 ng/mL, TSH: 2,4 mUI/L, prolactina: 18 ng/mL. ultrassonografia transvaginal: ovários com volume aumentado (direito: 14 cm³, esquerdo: 12 cm³) e > 12 folículos antrais de 2-9 mm em cada ovário, distribuídos perifericamente. Glicemia de jejum: 104 mg/dL, insulina de jejum: 28 mcUI/mL (VR: 2-25), HOMA-IR: 7,2. Além das orientações de mudança de estilo de vida, qual a melhor abordagem terapêutica inicial para esta paciente?
  1. AMetformina 2.000 mg/dia isoladamente, com reavaliação dos ciclos menstruais em 6 meses e introdução de anticoncepcional oral apenas se não houver regularização.
  2. BMetformina 2.000 mg/dia + anticoncepcional oral combinado (etinilestradiol 30 mcg + drospirenona 3 mg).
  3. CAnticoncepcional oral combinado (etinilestradiol 35 mcg + acetato de ciproterona 2 mg) isoladamente, reservando metformina para pacientes com diabetes estabelecido.
  4. DCitrato de clomifeno 50 mg do 5º ao 9º dia do ciclo associado a metformina 1.500 mg/dia para indução de ovulação imediata.
  5. EEspironolactona 100 mg/dia + metformina 2.000 mg/dia, sem anticoncepcional, priorizando o tratamento do hiperandrogenismo e resistência insulínica.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoB — Metformina 2.000 mg/dia + anticoncepcional oral combinado (etinilestradiol 30 mcg + drospirenona 3 mg).

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Síndrome dos Ovários Policísticos (SOP): abordagem terapêutica inicial

Gabarito: letra B. Para a paciente com SOP, irregularidade menstrual, hirsutismo moderado e resistência insulínica (HOMA-IR 7,2), que não deseja gestar no momento, a melhor abordagem inicial é a associação de metformina 2.000 mg/dia + anticoncepcional oral combinado (etinilestradiol 30 mcg + drospirenona 3 mg). O anticoncepcional hormonal combinado (AHC) é a primeira linha para regularizar os ciclos e tratar o hiperandrogenismo clínico, enquanto a metformina atua como sensibilizador de insulina, melhorando o perfil metabólico e a ciclicidade menstrual — conduta alinhada às diretrizes de consenso sobre SOP.

A síndrome dos ovários policísticos é um distúrbio endócrino-metabólico complexo, caracterizado por hiperandrogenismo, anovulação crônica e ovários policísticos à ultrassonografia. No caso apresentado, o diagnóstico é sustentado pela irregularidade menstrual desde a menarca, hirsutismo (escore de Ferriman-Gallwey 14), acantose nigricans, ovários com volume aumentado e >12 folículos antrais, além de hiperandrogenemia laboratorial (testosterona total 82 ng/dL) e resistência insulínica (HOMA-IR 7,2). A exclusão de outras causas de hiperandrogenismo é feita pelos exames normais: SDHEA (180 mcg/dL), 17-OH-progesterona (1,2 ng/mL), TSH e prolactina.

O tratamento da SOP deve ser individualizado conforme os objetivos da paciente: regularização menstrual, melhora do hirsutismo, tratamento da infertilidade ou manejo metabólico. Para mulheres que não desejam gestar, os anticoncepcionais hormonais combinados (AHC) são a primeira linha de tratamento para irregularidade menstrual e hirsutismo, pois suprimem a secreção de androgênios ovarianos, aumentam a SHBG e reduzem os androgênios livres. A metformina, por sua vez, é recomendada como agente sensibilizador de insulina, especialmente em pacientes com alterações metabólicas, como resistência insulínica, obesidade e síndrome metabólica. A associação de ambos é particularmente benéfica quando há hiperandrogenismo clínico significativo e comorbidades metabólicas, como no caso.

A escolha da alternativa B reflete a necessidade de tratar simultaneamente os dois eixos da doença: o hiperandrogenismo clínico (com o AHC) e a resistência insulínica (com a metformina). A drospirenona, progestagênio com atividade antiandrogênica, é uma boa opção para o hirsutismo. A metformina, além de melhorar a sensibilidade à insulina, pode restaurar a ciclicidade menstrual e reduzir a secreção de androgênios ovarianos. A associação é segura e eficaz, desde que respeitados os critérios de elegibilidade para o uso de AHC, considerando o perfil metabólico da paciente.

A principal pegadinha desta questão é a tentação de tratar apenas um dos componentes da SOP. A alternativa A, por exemplo, propõe metformina isolada, o que não trata adequadamente o hirsutismo moderado. A alternativa C, com AHC isolado, ignora a resistência insulínica significativa. A alternativa D, com clomifeno, é voltada para indução de ovulação em mulheres que desejam gestar, o que não é o caso (a paciente não expressa desejo imediato de engravidar, e a abordagem inicial não é indução de ovulação). A alternativa E, com espironolactona, é uma opção para hirsutismo, mas não deve ser usada sem contracepção adequada devido ao risco de feminilização fetal, e não trata a irregularidade menstrual de forma tão eficaz quanto o AHC.

Guarde a distinção entre os objetivos terapêuticos: para regularizar ciclos e tratar hirsutismo em quem não deseja gestar, o AHC é a base; a metformina é adjuvante quando há resistência insulínica ou falha do AHC isolado. Para quem deseja gestar, a indução de ovulação com clomifeno ou letrozol é a abordagem. É exatamente essa fronteira que separa as alternativas.

SOP: abordagem inicial
  • 1Não deseja gestar
    • AHC (1ª linha)
      • regulariza ciclos
      • trata hirsutismo
    • Metformina (adjuvante)
      • resistência insulínica
      • falha do AHC isolado
  • 2Deseja gestar
    • Indução de ovulação
      • Clomifeno
      • Letrozol
  • 3Antiandrogênico (espironolactona)
    • Sem contracepção adequada
      • risco de feminilização fetal
LEVEL · soulevel.com.br

Alternativa A — ❌ Incorreta

A metformina isolada não é a primeira linha para o tratamento do hirsutismo moderado e da irregularidade menstrual na SOP. Embora a metformina possa melhorar a ciclicidade menstrual e a sensibilidade à insulina, o AHC é superior para o controle do hiperandrogenismo clínico. A conduta de aguardar 6 meses para introduzir o AHC apenas se não houver regularização não é a melhor abordagem inicial, pois a paciente apresenta hirsutismo moderado que merece tratamento imediato.

Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A associação de metformina 2.000 mg/dia com AHC (etinilestradiol 30 mcg + drospirenona 3 mg) aborda simultaneamente a resistência insulínica e o hiperandrogenismo clínico. O AHC é a primeira linha para regularizar os ciclos e tratar o hirsutismo, enquanto a metformina melhora o perfil metabólico e pode potencializar a regularização menstrual. A drospirenona, com atividade antiandrogênica, é uma escolha adequada para o hirsutismo.

Alternativa C — ❌ Incorreta

O AHC isolado (etinilestradiol 35 mcg + acetato de ciproterona) trata o hiperandrogenismo e a irregularidade menstrual, mas ignora a resistência insulínica significativa da paciente (HOMA-IR 7,2). A metformina não deve ser reservada apenas para diabetes estabelecido; é recomendada como sensibilizador de insulina em pacientes com SOP e alterações metabólicas, mesmo sem diabetes. A associação é mais benéfica que o AHC isolado neste contexto.

Alternativa D — ❌ Incorreta

O citrato de clomifeno é utilizado para indução de ovulação em mulheres com SOP que desejam gestar. A paciente não expressa desejo imediato de engravidar (infertilidade primária há 2 anos, mas a abordagem inicial não é indução de ovulação). Além disso, a associação com metformina 1.500 mg/dia não é a dose padrão para o tratamento da resistência insulínica na SOP (geralmente 2.000 mg/dia). A conduta correta para quem não deseja gestar é o AHC, não o clomifeno.

Alternativa E — ❌ Incorreta

A espironolactona é um antiandrogênico útil para o hirsutismo, mas não deve ser usada sem contracepção adequada devido ao risco de feminilização fetal em caso de gestação. Além disso, a espironolactona não trata a irregularidade menstrual de forma tão eficaz quanto o AHC, que também oferece proteção endometrial. A associação com metformina é benéfica, mas a falta de um método contraceptivo eficaz torna esta opção inadequada como abordagem inicial.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a confusão entre os objetivos terapêuticos da SOP. O candidato pode ser tentado a escolher a alternativa D (clomifeno) por associar infertilidade a indução de ovulação, mas a paciente não deseja gestar no momento — o foco é regularizar ciclos e tratar hirsutismo. Outra armadilha é a alternativa E, que parece tratar o hiperandrogenismo, mas esquece a necessidade de contracepção com antiandrogênios. Lembre-se: AHC é a base para quem não quer engravidar; metformina é adjuvante metabólico; clomifeno é para quem quer engravidar.

PEGA ESSA DICA!

Para questões de SOP, identifique primeiro o objetivo da paciente: deseja gestar ou não? Se não deseja, o AHC é a primeira linha para ciclos e hirsutismo; a metformina entra se houver resistência insulínica ou falha do AHC. Se deseja gestar, a indução de ovulação (clomifeno ou letrozol) é a abordagem. Essa distinção resolve a maioria das questões.

Gabarito: letra B

Link permanente: /questoes/qg413895