A obtenção de um acesso venoso central pela técnica de Seldinger envolve uma sequência de passos precisos, desde a localização da veia até a passagem do cateter, exigindo preparação e antissepsia rigorosas. Sobre estas etapas, assinale a alternativa correta:
AA técnica de Seldinger preconiza a punção venosa com agulha, a introdução do dilatador tecidual e, somente então, a passagem do fio-guia.
BA antissepsia cutânea para o acesso venoso central deve ser feita preferencialmente com soluções aquosas, pois a clorexidina alcoólica a 0,5% está associada a maiores taxas de infecção.
CA profilaxia antimicrobiana antes da colocação de um cateter venoso central percutâneo é uma prática padrão e obrigatória para reduzir infecções.
DApós a punção venosa com agulha e a introdução do fio-guia, realiza-se a retirada da agulha, podendo-se fazer uma pequena incisão para facilitar a passagem do dilatador tecidual sobre o fio-guia.
EO uso de ultrassom é indicado apenas para avaliar variações anatômicas antes do procedimento, não sendo útil para guiar a inserção da agulha dinamicamente.
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GabaritoD — Após a punção venosa com agulha e a introdução do fio-guia, realiza-se a retirada da agulha, podendo-se fazer uma pequena incisão para facilitar a passagem do dilatador tecidual sobre o fio-guia.
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Técnica de Seldinger para acesso venoso central
Gabarito: letra D. A técnica de Seldinger segue uma sequência precisa: punção venosa com agulha, passagem do fio-guia, retirada da agulha (mantendo o fio-guia no lugar), e só então a passagem do dilatador tecidual sobre o fio-guia — podendo ser feita uma pequena incisão na pele para facilitar essa passagem. A alternativa D descreve exatamente essa sequência, sendo a única correta.
A técnica de Seldinger, descrita por Sven Ivar Seldinger em 1953, revolucionou o acesso vascular ao permitir a canulação segura de vasos profundos. O princípio fundamental é a utilização de um fio-guia como condutor: primeiro punciona-se o vaso com uma agulha, depois introduz-se o fio-guia através da agulha, retira-se a agulha e, por fim, avança-se o dilatador e o cateter sobre o fio-guia. Essa sequência minimiza o trauma tecidual e reduz o risco de lesão vascular, pois o dilatador e o cateter seguem o trajeto já estabelecido pelo fio.
A ordem correta dos passos é crucial. Após a punção venosa com a agulha e a confirmação do refluxo sanguíneo, o fio-guia é introduzido através da agulha. Em seguida, a agulha é retirada, tomando-se o cuidado de nunca soltar o fio-guia. Nesse momento, pode ser necessária uma pequena incisão na pele com bisturi para facilitar a passagem do dilatador, que é então avançado sobre o fio-guia para dilatar o trajeto até o vaso. Depois de retirar o dilatador, o cateter é finalmente introduzido sobre o fio-guia, que é então removido.
A alternativa D captura precisamente essa etapa intermediária: após a punção e a introdução do fio-guia, retira-se a agulha e, se necessário, faz-se uma pequena incisão para facilitar a passagem do dilatador sobre o fio-guia. As demais alternativas contêm erros conceituais importantes, como inverter a ordem dos passos, indicar antissépticos inadequados, afirmar a obrigatoriedade de profilaxia antibiótica ou subestimar o papel do ultrassom.
A banca explora aqui a confusão entre a ordem correta dos passos da técnica de Seldinger e a troca de conceitos sobre antissepsia, profilaxia e uso de ultrassom. O candidato que domina a sequência exata do procedimento e as recomendações atuais de prevenção de infecção identifica facilmente a alternativa correta.
1Punção venosa com agulha
2Introdução do fio-guia
3Retirada da agulha
4Incisão (se necessário)
5Dilatador sobre o fio-guia
6Cateter sobre o fio-guia
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Alternativa A — ❌ Incorreta
Afirma que a técnica de Seldinger preconiza a introdução do dilatador tecidual antes da passagem do fio-guia. Isso inverte a ordem correta: o fio-guia é introduzido primeiro, através da agulha, e somente depois a agulha é retirada e o dilatador é passado sobre o fio-guia. A sequência correta é: punção → fio-guia → retirada da agulha → (possível incisão) → dilatador → cateter.
Alternativa B — ❌ Incorreta
Afirma que a antissepsia deve ser feita preferencialmente com soluções aquosas, pois a clorexidina alcoólica a 0,5% estaria associada a maiores taxas de infecção. Isso é o oposto do que recomenda a literatura: a clorexidina alcoólica (geralmente a 2%) é o antisséptico de escolha para a prevenção de infecção de corrente sanguínea associada a cateter, por ter ação mais rápida e persistente que as soluções aquosas. A clorexidina alcoólica a 0,5% não é a concentração padrão e não está associada a maiores taxas de infecção.
Alternativa C — ❌ Incorreta
Afirma que a profilaxia antimicrobiana antes da colocação de um cateter venoso central percutâneo é prática padrão e obrigatória. Isso não é verdade: a profilaxia antibiótica rotineira não é recomendada para a inserção de cateteres venosos centrais percutâneos. As medidas de prevenção de infecção baseiam-se em pacotes de cuidados (bundles), que incluem higiene das mãos, precauções máximas de barreira, antissepsia com clorexidina alcoólica, escolha adequada do sítio de inserção e reavaliação diária da necessidade do cateter — não no uso de antibióticos profiláticos.
Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO
Descreve corretamente a sequência da técnica de Seldinger: após a punção venosa com agulha e a introdução do fio-guia, realiza-se a retirada da agulha, podendo-se fazer uma pequena incisão para facilitar a passagem do dilatador tecidual sobre o fio-guia. Essa é exatamente a etapa intermediária do procedimento, conforme descrito na literatura e nos manuais de acesso vascular.
Alternativa E — ❌ Incorreta
Afirma que o ultrassom é indicado apenas para avaliar variações anatômicas antes do procedimento, não sendo útil para guiar a inserção da agulha dinamicamente. Isso é falso: o ultrassom é recomendado como guia dinâmico durante a punção venosa central, permitindo a visualização em tempo real da agulha, do fio-guia e do vaso, o que aumenta a taxa de sucesso e reduz complicações. A punção guiada por ultrassom é considerada prática padrão e ideal para a inserção de cateteres venosos centrais.