O acesso venoso periférico, embora rotineiro, está sujeito a complicações locais que podem ocorrer tanto durante a inserção quanto na sua utilização. O reconhecimento preciso desses eventos adversos é essencial para o manejo adequado do paciente:
AA flebite é definida como o derramamento de uma solução não vesicante do vaso para o tecido circunvizinho.
BA infiltração é uma complicação grave caracterizada pela presença de trombose associada à inflamação da veia.
CO extravasamento ocorre quando há o derramamento de uma solução não vesicante, causando apenas edema local.
DA flebite, uma complicação comum, manifesta-se por dor, hiperemia, calor local e, por vezes, a presença de um cordão fibroso palpável no trajeto da veia.
EDanos a nervos durante a punção são caracterizados por um hematoma local com interrupção do fluxo de infusão.
Revelar gabarito e comentário▾
GabaritoD — A flebite, uma complicação comum, manifesta-se por dor, hiperemia, calor local e, por vezes, a presença de um cordão fibroso palpável no trajeto da veia.
Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.
Complicações do acesso venoso periférico: flebite, infiltração e extravasamento
Gabarito: letra D. A flebite é a inflamação da parede da veia, manifestando-se por dor, hiperemia, calor local e, por vezes, cordão fibroso palpável no trajeto venoso — exatamente o que a alternativa D descreve. As demais alternativas trocam os conceitos de flebite, infiltração e extravasamento, que são complicações distintas do acesso venoso periférico.
A punção venosa periférica é um procedimento extremamente comum na prática clínica, mas não é isento de riscos. As complicações locais mais frequentes são a flebite, a infiltração e o extravasamento. Compreender a diferença entre elas é essencial para o reconhecimento precoce e o manejo adequado, evitando danos maiores ao paciente.
Flebite é a inflamação da camada íntima da veia, geralmente desencadeada por irritação química (medicamentos ou soluções hiperosmolares), mecânica (cateter que traumatiza a parede do vaso) ou infecciosa. Clinicamente, manifesta-se por dor ao longo do trajeto venoso, hiperemia (vermelhidão), calor local e, em casos mais avançados, um cordão fibroso palpável — que corresponde à veia endurecida e inflamada. É a complicação mais comum da terapia intravenosa periférica.
Infiltração é o derramamento de uma solução não vesicante (ou seja, que não causa dano tecidual significativo) para o tecido circunvizinho. Ocorre quando o cateter perfura a parede da veia ou quando a ponta do cateter sai do lúmen vascular. O líquido infiltrado é geralmente inócuo, causando apenas edema local, dor leve e desconforto. O tratamento é conservador: interromper a infusão, retirar o cateter e aplicar compressas.
Extravasamento, por sua vez, é o derramamento de uma solução vesicante — ou seja, que causa dano tecidual grave — para o tecido circunvizinho. Exemplos clássicos incluem quimioterápicos (como doxorrubicina e vincristina), soluções hipertônicas (como glicose a 50%) e drogas vasoativas (como noradrenalina). O extravasamento pode causar necrose tecidual, dor intensa, bolhas e ulceração, exigindo intervenção imediata, muitas vezes com antídotos específicos.
A confusão entre infiltração e extravasamento é uma das pegadinhas mais comuns em provas: a diferença crucial está na natureza da solução (vesicante ou não), não na gravidade do quadro. Enquanto a infiltração envolve soluções não vesicantes, o extravasamento envolve soluções vesicantes. Além disso, a tromboflebite é outra complicação, caracterizada por trombose associada à inflamação da veia, que pode ser superficial ou profunda.
Outra complicação possível é a lesão de nervos durante a punção, que ocorre quando a agulha atinge um nervo próximo à veia, causando dor aguda, parestesia (formigamento) ou dormência no território do nervo. Não se manifesta como hematoma local com interrupção do fluxo — essa descrição corresponde mais a uma punção arterial ou a um hematoma que comprime a veia.
Guarde a fronteira entre flebite, infiltração e extravasamento: é exatamente nela que as alternativas se dividem. A flebite é inflamação da veia; a infiltração é extravasamento de solução não vesicante; o extravasamento é extravasamento de solução vesicante.
Complicação
Definição
Causa/Solução envolvida
Manifestação clínica
Flebite
Inflamação da parede da veia
Irritação química, mecânica ou infecciosa
Dor, hiperemia, calor local e, por vezes, cordão fibroso palpável
Infiltração
Derramamento de solução não vesicante no tecido circunvizinho
Cateter perfura a veia ou sai do lúmen
Edema local, dor leve e desconforto
Extravasamento
Derramamento de solução vesicante no tecido circunvizinho
Dor aguda, parestesia ou dormência no território do nervo
Complicações do acesso venoso: Flebite (inflamação da parede da veia, dor, hiperemia, calor, cordão fibroso); Infiltração (solução não vesicante, edema local, dor leve); Extravasamento (solução vesicante, necrose tecidual, dor intensa); Tromboflebite (trombose + inflamação); Lesão de nervo (dor aguda, parestesia)
Alternativa A — ❌ Incorreta
A alternativa define flebite como "derramamento de uma solução não vesicante do vaso para o tecido circunvizinho". Isso é a definição de infiltração, não de flebite. A flebite é a inflamação da parede da veia, não o extravasamento de líquido. A banca trocou o conceito de flebite pelo de infiltração.
Alternativa B — ❌ Incorreta
A alternativa descreve a infiltração como "complicação grave caracterizada pela presença de trombose associada à inflamação da veia". Isso corresponde à tromboflebite, não à infiltração. A infiltração é o derramamento de solução não vesicante, sem trombose. A banca confundiu infiltração com tromboflebite.
Alternativa C — ❌ Incorreta
A alternativa afirma que o extravasamento ocorre com "derramamento de uma solução não vesicante, causando apenas edema local". Isso é a definição de infiltração, não de extravasamento. O extravasamento envolve solução vesicante, que causa dano tecidual grave, não apenas edema local. A banca inverteu os conceitos de infiltração e extravasamento.
Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A alternativa descreve corretamente a flebite: "complicação comum, manifesta-se por dor, hiperemia, calor local e, por vezes, a presença de um cordão fibroso palpável no trajeto da veia". Esses são os sinais clássicos da inflamação da veia. A flebite é, de fato, a complicação mais comum do acesso venoso periférico, e o cordão fibroso palpável é um sinal característico em casos mais avançados.
Alternativa E — ❌ Incorreta
A alternativa afirma que danos a nervos durante a punção são caracterizados por "hematoma local com interrupção do fluxo de infusão". Isso não corresponde à lesão nervosa. A lesão de nervo causa dor aguda, parestesia ou dormência no território do nervo, não hematoma. O hematoma com interrupção do fluxo sugere punção arterial ou hematoma que comprime a veia. A banca trocou o quadro clínico da lesão nervosa por outra complicação.
NÃO CAIA NESSA!
A banca adora inverter os conceitos de infiltração e extravasamento. A diferença crucial está na natureza da solução: não vesicante = infiltração; vesicante = extravasamento. Na hora da prova, leia com atenção se a solução é vesicante ou não — é isso que decide a classificação.
PEGA ESSA DICA!
Para memorizar, associe: Flebite = inflamação da veia (dor, calor, rubor, cordão); Infiltração = solução não vesicante (só edema); Extravasamento = solução vesicante (necrose). Se a alternativa falar em "solução não vesicante", é infiltração; se falar em "solução vesicante", é extravasamento.