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Questão de Medicina — Doenças Infecto-Parasitárias — Avança SP 2025

MedicinaDoenças Infecto-Parasitárias
Código
qg413907
Banca
Avança SP
Órgão
IAMSPE
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Residência Médica - Pré-Requisito - Cirurgia Geral - Mastologia
Em infecções da mão em pacientes com hanseníase, considere a antibioticoterapia e assinale a conduta inicial ideal quanto à coleta de material e início do antibiótico:
  1. AIniciar antibiótico empírico e dispensar coleta para cultura.
  2. BColetar material para antibiograma e aguardar o resultado sem cobertura.
  3. CColetar material para antibiograma e iniciar antibioticoterapia após a coleta; se houver demora, iniciar de amplo espectro.
  4. DPrescrever antibiótico tópico exclusivamente após drenagem.
  5. ERealizar corticosteroide sistêmico e postergar antibiótico.
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GabaritoC — Coletar material para antibiograma e iniciar antibioticoterapia após a coleta; se houver demora, iniciar de amplo espectro.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Infecções da mão em hanseníase: coleta de material e antibioticoterapia

Gabarito: letra C. Em infecções da mão, a conduta inicial ideal é coletar material para cultura e antibiograma e iniciar antibioticoterapia empírica de amplo espectro imediatamente após a coleta, sem aguardar o resultado — princípio geral do manejo de infecções graves, aplicável também ao contexto da hanseníase, em que a neuropatia periférica predispõe a feridas e infecções secundárias.

O princípio que rege essa conduta é o equilíbrio entre dois objetivos: identificar o agente etiológico para direcionar o tratamento e não deixar o paciente sem cobertura antimicrobiana enquanto o resultado da cultura não fica pronto. Em infecções de partes moles, especialmente na mão — região com anatomia compartimentalizada e risco de comprometimento funcional —, a demora no início do antibiótico pode permitir a progressão da infecção para abscessos, tenossinovites ou osteomielite. Por isso, a coleta do material deve ser feita antes do início do antibiótico, para não comprometer o isolamento do patógeno, mas o tratamento empírico de amplo espectro deve começar logo em seguida, cobrindo os agentes mais prováveis (estafilococos, estreptococos e anaeróbios, entre outros).

No paciente com hanseníase, essa lógica ganha contornos específicos. A hanseníase, causada pelo Mycobacterium leprae, cursa com comprometimento de nervos periféricos, levando à perda de sensibilidade protetora nas extremidades. Isso torna as mãos e os pés particularmente vulneráveis a traumas repetidos, úlceras e infecções secundárias por bactérias piogênicas — que não são o M. leprae, mas agentes comuns de infecção de feridas. A poliquimioterapia (PQT) específica para hanseníase (rifampicina, dapsona e clofazimina) trata a micobacteriose, mas não cobre as infecções bacterianas secundárias das feridas, que exigem antibióticos direcionados aos germes isolados ou aos mais prováveis, conforme o quadro clínico.

A conduta descrita na alternativa C espelha o manejo recomendado para infecções de partes moles em geral: coleta de material para cultura e antibiograma, seguida de início imediato de antibioticoterapia empírica de amplo espectro, com ajuste posterior conforme o resultado do antibiograma. Essa abordagem é defendida por diretrizes de cirurgia da mão e de infectologia, que enfatizam a importância de não atrasar o tratamento em infecções potencialmente graves, ao mesmo tempo em que se busca a identificação microbiológica para otimizar a terapia.

A pegadinha da questão está em opções que quebram esse equilíbrio: ou dispensam a coleta (A), ou postergam o antibiótico até o resultado da cultura (B), ou usam apenas terapia tópica (D), ou tratam com corticosteroide sem antibiótico (E). Nenhuma dessas condutas é adequada para uma infecção da mão, que pode evoluir rapidamente para complicações graves. O critério decisivo é: coletar SEMPRE que possível, iniciar antibiótico empírico IMEDIATAMENTE após a coleta, e ajustar conforme o antibiograma.

  1. 1Coletar material para cultura
  2. 2Iniciar antibiótico empírico
  3. 3Ajustar conforme antibiograma
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Alternativa A — ❌ Incorreta

Iniciar antibiótico empírico e dispensar a coleta para cultura é conduta inadequada. A coleta de material para cultura e antibiograma é fundamental para identificar o agente etiológico e direcionar o tratamento, especialmente em infecções que podem ser causadas por germes resistentes. Dispensar a coleta compromete a possibilidade de ajuste terapêutico e o manejo de falhas de tratamento. O correto é coletar o material antes de iniciar o antibiótico, para não comprometer o isolamento do patógeno.

Alternativa B — ❌ Incorreta

Coletar material para antibiograma e aguardar o resultado sem cobertura é conduta perigosa. Em infecções da mão, a demora no início do antibiótico pode permitir a progressão da infecção, com risco de abscesso, tenossinovite, osteomielite e sepse. O tratamento empírico de amplo espectro deve ser iniciado imediatamente após a coleta, sem aguardar o resultado da cultura. A alternativa C expressa exatamente esse equilíbrio: coletar e iniciar o antibiótico em seguida.

Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO

Esta é a conduta ideal: coletar material para antibiograma e iniciar antibioticoterapia após a coleta; se houver demora, iniciar de amplo espectro. A coleta antes do antibiótico preserva a possibilidade de isolamento do agente, e o início imediato do antibiótico empírico de amplo espectro garante cobertura enquanto o resultado não chega. Essa abordagem é o padrão para infecções de partes moles graves, incluindo as da mão, e se aplica ao paciente com hanseníase, que tem risco aumentado de infecções secundárias por neuropatia periférica.

Alternativa D — ❌ Incorreta

Prescrever antibiótico tópico exclusivamente após drenagem é insuficiente para infecções da mão. Infecções profundas ou com comprometimento sistêmico exigem antibioticoterapia sistêmica, não apenas tópica. A drenagem é parte do tratamento cirúrgico, mas não substitui o antibiótico sistêmico, que deve ser iniciado após a coleta de material para cultura. Antibiótico tópico isolado não atinge concentrações adequadas nos tecidos profundos e não trata infecções sistêmicas.

Alternativa E — ❌ Incorreta

Realizar corticosteroide sistêmico e postergar antibiótico é conduta inadequada. Corticosteroides podem ser usados no manejo de reações hansênicas, mas não têm papel no tratamento de infecção bacteriana aguda da mão. Postergar o antibiótico em uma infecção ativa permite a progressão da doença e aumenta o risco de complicações. O antibiótico deve ser iniciado imediatamente após a coleta, e o corticosteroide, se indicado, deve ser usado em conjunto, não em substituição.

Gabarito: letra C — coletar material para antibiograma e iniciar antibioticoterapia após a coleta; se houver demora, iniciar de amplo espectro.

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