Pós-operatório imediato de neurólise periférica em hanseníase, com foco em controle inflamatório sistêmico, indique a conduta medicamentosa padrão na ausência de contraindicações:
AAnti-inflamatório não esteroidal por 14 dias, sem desmame.
BTalidomida em baixa dose contínua por 8 semanas.
CPrednisona 1 mg/kg por 4 semanas, com redução semanal de 5 mg após esse período.
DCorticoide em choque por 3 dias e suspensão imediata.
EGabapentinoide diário por 6 semanas como monoterapia.
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GabaritoC — Prednisona 1 mg/kg por 4 semanas, com redução semanal de 5 mg após esse período.
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Neurólise periférica na hanseníase: conduta medicamentosa padrão
Gabarito: letra C. No pós-operatório imediato de neurólise periférica em hanseníase, com foco no controle inflamatório sistêmico, a conduta padrão é a prednisona 1 mg/kg por 4 semanas, com redução semanal de 5 mg após esse período. Essa é a abordagem clássica para o tratamento da reação hansênica tipo 1 (reação reversa), que acomete os nervos periféricos e é a principal indicação de neurólise. O corticoide é a base do tratamento, e o desmame gradual é essencial para evitar recaídas e supressão adrenal.
A hanseníase é uma doença infecciosa crônica causada pelo Mycobacterium leprae, que tem tropismo por nervos periféricos e pele. As reações hansênicas são episódios inflamatórios agudos que podem ocorrer antes, durante ou após o tratamento poliquimioterápico (PQT). A reação tipo 1, também chamada de reação reversa, é uma reação de hipersensibilidade celular (tipo IV) que causa inflamação nos nervos, levando a dor, edema e perda de função. Quando há comprometimento neural significativo, a neurólise cirúrgica pode ser necessária para liberar o nervo comprimido. No pós-operatório, o controle da inflamação sistêmica é crucial para evitar danos neurais adicionais e garantir o sucesso do procedimento.
O tratamento da reação tipo 1 é feito com corticosteroides, sendo a prednisona a droga de escolha. A dose inicial é de 1 mg/kg/dia, mantida por cerca de 4 semanas, seguida de redução gradual (desmame) para evitar efeito rebote e insuficiência adrenal. O esquema de redução pode variar, mas a alternativa C descreve um padrão aceito: redução semanal de 5 mg após o período inicial. Essa abordagem visa controlar a inflamação de forma sustentada, permitindo a recuperação neural e prevenindo novas crises.
A talidomida, por sua vez, é a droga de escolha para a reação tipo 2 (eritema nodoso hansênico), que é uma reação de hipersensibilidade humoral (tipo III). Embora a talidomida seja eficaz no controle do ENH, ela não é indicada para a reação tipo 1, que é o contexto da neurólise periférica. Além disso, a talidomida é teratogênica e exige cuidados especiais em mulheres em idade fértil. O uso de anti-inflamatórios não esteroidais (AINEs) pode ser adjuvante, mas não é a base do tratamento, pois não controla a inflamação imunomediada de forma tão eficaz quanto os corticosteroides. O corticoide em choque (pulsoterapia) é reservado para casos graves, mas não é a conduta padrão, e a suspensão imediata é contraindicada. Os gabapentinoides são utilizados para dor neuropática, mas não tratam a inflamação sistêmica.
A pegadinha desta questão está em associar a talidomida (droga da reação tipo 2) ao contexto da neurólise (que é uma complicação da reação tipo 1). O candidato que confunde os tipos de reação hansênica tende a marcar a alternativa B. É fundamental distinguir: reação tipo 1 (reação reversa) → corticoide; reação tipo 2 (ENH) → talidomida. Essa distinção é o critério decisivo para resolver a questão.
1Prednisona 1 mg/kg/dia
2Manter por 4 semanas
3Redução semanal de 5 mg
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Alternativa A — ❌ Incorreta
O uso de anti-inflamatório não esteroidal (AINE) por 14 dias, sem desmame, não é a conduta padrão para controle inflamatório sistêmico na reação hansênica tipo 1. Os AINEs têm ação analgésica e anti-inflamatória leve, mas não são capazes de controlar a inflamação imunomediada que caracteriza a reação reversa. O tratamento de escolha é o corticoide, que atua de forma mais potente e específica. Além disso, a ausência de desmame não é um problema para AINEs, mas a duração de 14 dias é insuficiente para o controle adequado da reação.
Alternativa B — ❌ Incorreta
A talidomida em baixa dose contínua por 8 semanas é o tratamento de escolha para a reação hansênica tipo 2 (eritema nodoso hansênico), não para a reação tipo 1, que é a causa da neurólise periférica. A reação tipo 1 é mediada por células T (hipersensibilidade tipo IV) e responde bem aos corticosteroides. A talidomida é um imunomodulador com ação principalmente na resposta humoral (tipo III), sendo ineficaz na reação reversa. Além disso, a talidomida é teratogênica e seu uso requer cuidados especiais, especialmente em mulheres em idade fértil.
Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A prednisona 1 mg/kg por 4 semanas, com redução semanal de 5 mg após esse período, é a conduta padrão para o tratamento da reação hansênica tipo 1, que é a indicação de neurólise periférica. O corticoide controla a inflamação sistêmica e evita danos neurais adicionais. O desmame gradual é essencial para prevenir recaídas e supressão adrenal. Esse esquema é amplamente recomendado pelas diretrizes do Ministério da Saúde e da Organização Mundial da Saúde (OMS) para o manejo da reação reversa.
Alternativa D — ❌ Incorreta
O corticoide em choque (pulsoterapia) por 3 dias e suspensão imediata não é a conduta padrão. A pulsoterapia é reservada para casos graves e refratários, como neurite aguda severa ou reação intensa, e mesmo assim requer desmame após o pulso. A suspensão imediata de corticoide após um período curto pode levar a efeito rebote, recaída da reação e insuficiência adrenal aguda. O tratamento da reação tipo 1 exige um curso prolongado com redução gradual da dose.
Alternativa E — ❌ Incorreta
O gabapentinoide diário por 6 semanas como monoterapia não é a conduta padrão. Os gabapentinoides (gabapentina, pregabalina) são utilizados para o tratamento de dor neuropática, que pode estar presente na hanseníase, mas não têm ação anti-inflamatória sistêmica. Eles não controlam a reação hansênica tipo 1, que é a causa da neurólise. O tratamento da reação exige corticoide, e os gabapentinoides podem ser usados como adjuvantes para o controle da dor, mas nunca como monoterapia.