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Questão de Medicina — Cirurgia Geral — Avança SP 2025

MedicinaCirurgia Geral
Código
qg413914
Banca
Avança SP
Órgão
IAMSPE
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Residência Médica - Pré-Requisito - Cirurgia Geral - Mastologia
Paciente de 52 anos, feminino, com pancreatite aguda não complicada BISAP 0. Fez ultrassom que mostrou colelitíase, colédoco de 5 mm sem cálculo. Bilirrubina de 3,8 às custas de direta, com gamaGT e fosfatase alcalina com elevação de 1x o valor normal. Assinale a alternativa correta quanto ao risco de colelitíase e conduta segundo Guide da Associação Americana de Gastroenterologia (AAG), 2022.
  1. ARisco baixo, só “colangio” intraoperatória.
  2. BRisco intermediário, “colangio” intraoperatório ou colangioressonância.
  3. CRisco intermediário, “colangio” intraoperatória, colangioressonância ou colangiopancreatografia endoscópica retrógrada (CPRE).
  4. DRisco alto, colangiopancreatografia endoscópica retrógrada (CPRE).
  5. ERisco baixo, colangiopancreatografia endoscópica retrógrada (CPRE).
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GabaritoC — Risco intermediário, “colangio” intraoperatória, colangioressonância ou colangiopancreatografia endoscópica retrógrada (CPRE).

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Coledocolitíase na pancreatite aguda biliar: estratificação de risco e conduta

Gabarito: letra C. A paciente apresenta risco intermediário de coledocolitíase, pois tem elevação de bilirrubina (3,8, às custas de direta) e de enzimas canaliculares (gamaGT e fosfatase alcalina) — dois critérios que, segundo o guideline da AGA de 2022, classificam o risco como intermediário. Para risco intermediário, as opções são: colangioressonância (CPRM), ultrassonografia endoscópica (USE) ou colangiografia intraoperatória (CIO) — e a CPRE fica reservada para os casos de alto risco ou quando há confirmação de coledocolitíase.

A coledocolitíase é a presença de cálculos no ducto colédoco, frequentemente originados da vesícula biliar (até 15% dos pacientes com colelitíase desenvolvem coledocolitíase). Na pancreatite aguda biliar, a avaliação da árvore biliar é essencial, pois a migração de cálculos pode causar obstrução e complicações como colangite. O guideline da AGA (American Gastroenterological Association) de 2022 estratifica o risco de coledocolitíase em três categorias — baixo, intermediário e alto — com base em critérios clínicos, laboratoriais e de imagem. Essa estratificação define a conduta diagnóstica e terapêutica, evitando procedimentos desnecessários e invasivos.

Os critérios utilizados para a estratificação incluem: idade, bilirrubina total, enzimas hepáticas (FA, gamaGT, TGO/TGP), dilatação do colédoco à ultrassonografia e presença de cálculo no colédoco à imagem. No caso apresentado, a paciente tem bilirrubina de 3,8 (elevada, às custas de direta) e elevação de gamaGT e FA em 1x o valor normal. O colédoco mede 5 mm (sem dilatação, pois o limite superior da normalidade é geralmente 6 mm) e não há cálculo visível. Esses achados se encaixam no risco intermediário, pois há alteração de exames laboratoriais, mas sem critérios de alto risco (como bilirrubina > 4, colédoco > 6 mm com cálculo, ou colangite).

A conduta para risco intermediário, segundo a AGA 2022, é realizar uma avaliação adicional com colangioressonância (CPRM) ou ultrassonografia endoscópica (USE) para confirmar ou excluir a presença de cálculo no colédoco. A colangiografia intraoperatória (CIO) também é uma opção, especialmente se a colecistectomia for realizada. A CPRE é reservada para os casos de alto risco ou quando há confirmação de coledocolitíase, pois é um procedimento invasivo com riscos de complicações, como pancreatite pós-CPRE.

A distinção entre os riscos é crucial: no risco baixo, a probabilidade de coledocolitíase é < 10% e a conduta é realizar colecistectomia sem avaliação adicional da via biliar. No risco intermediário, a probabilidade é de 10-50% e a conduta é investigar com CPRM ou USE. No risco alto, a probabilidade é > 50% e a conduta é realizar CPRE terapêutica, geralmente antes ou durante a colecistectomia. A banca explora exatamente essa fronteira: a paciente tem critérios que a colocam em risco intermediário, e não em risco baixo ou alto.

A pegadinha desta questão é que muitos candidatos podem classificar o risco como baixo por não haver dilatação do colédoco ou cálculo visível à US, ignorando a elevação da bilirrubina e das enzimas canaliculares. Outros podem classificar como alto risco pela bilirrubina elevada, mas o valor de 3,8 não atinge o critério de alto risco (geralmente > 4 mg/dL). A banca também pode confundir a conduta: no risco intermediário, a CPRE não é a primeira opção, mas sim a CPRM ou USE.

Alternativa A — ❌ Incorreta

Afirma que o risco é baixo e que a conduta é apenas colangiografia intraoperatória. O risco não é baixo, pois há elevação de bilirrubina e enzimas canaliculares, o que o classifica como intermediário. A colangiografia intraoperatória é uma opção para risco intermediário, mas não é a única conduta, e a alternativa erra ao classificar o risco como baixo.

Alternativa B — ❌ Incorreta

Afirma que o risco é intermediário e que a conduta é colangiografia intraoperatória ou colangioressonância. O risco está correto, mas a conduta está incompleta, pois também inclui a ultrassonografia endoscópica (USE) como opção. A alternativa B omite a USE, que é uma das opções válidas para risco intermediário.

Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO

Afirma que o risco é intermediário e que a conduta inclui colangiografia intraoperatória, colangioressonância ou CPRE. O risco intermediário está correto, e as opções de conduta estão completas, incluindo a CPRE como uma possibilidade (embora não seja a primeira escolha, ela pode ser considerada em alguns contextos, como quando há alta suspeita ou confirmação de coledocolitíase). Esta alternativa reflete corretamente o guideline da AGA 2022.

Alternativa D — ❌ Incorreta

Afirma que o risco é alto e que a conduta é CPRE. O risco não é alto, pois a bilirrubina de 3,8 não atinge o critério de alto risco (geralmente > 4 mg/dL) e não há dilatação do colédoco ou cálculo visível. A CPRE é reservada para alto risco, mas não se aplica a este caso.

Alternativa E — ❌ Incorreta

Afirma que o risco é baixo e que a conduta é CPRE. O risco não é baixo, e a CPRE não é indicada para risco baixo, pois é um procedimento invasivo com riscos. A conduta para risco baixo seria colecistectomia sem avaliação adicional da via biliar.

Gabarito: letra C — risco intermediário, com opções de colangiografia intraoperatória, colangioressonância ou CPRE.

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