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Questão de Medicina — Cirurgia Geral — Avança SP 2025

MedicinaCirurgia Geral
Código
qg413953
Banca
Avança SP
Órgão
IAMSPE
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Residência Médica - Pré-Requisito - Cirurgia Geral - Programa Avançado
Durante uma toracotomia posterolateral, o cirurgião realiza a abertura dos espaços intercostais. Para evitar lesão às estruturas neurovasculares (veias, artérias e nervos intercostais), qual é o local específico de passagem dos instrumentos ou cateteres cirúrgicos?
  1. ANa parte superior do espaço intercostal, próximo à margem superior da costela superior.
  2. BAo longo do sulco costal que corre pela margem média da costela.
  3. CPerpendicular ao trajeto das estruturas costais, atravessando diretamente o músculo intercostal.
  4. DAnterior ao pericárdio, evitando os segmentos intercostais posteriores.
  5. ENa parte inferior do espaço intercostal, próximo à borda superior da costela inferior.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoE — Na parte inferior do espaço intercostal, próximo à borda superior da costela inferior.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Anatomia cirúrgica do espaço intercostal: o sulco costal

Gabarito: letra E. O feixe neurovascular intercostal (veia, artéria e nervo) corre protegido no sulco costal, localizado na margem inferior da costela superior — portanto, o acesso seguro ao espaço intercostal se dá na parte superior do espaço, junto à borda superior da costela inferior, exatamente o que a alternativa E descreve. Essa é uma regra clássica de anatomia cirúrgica: o cirurgião deve passar o instrumento longe do sulco costal, que fica na costela de cima, e próximo da costela de baixo.

O espaço intercostal é o intervalo entre duas costelas adjacentes, preenchido pelos músculos intercostais (externo, interno e íntimo) e percorrido pelo feixe neurovascular. A disposição desse feixe segue uma ordem constante, de cima para baixo: veia, artéria e nervo (o mnemônico "VAN"). O ponto crítico é que esse feixe não corre no meio do espaço, mas sim alojado no sulco costal — um canal na face interna da margem inferior de cada costela. Essa proteção óssea é uma adaptação anatômica: o sulco resguarda os vasos e o nervo durante os movimentos respiratórios e contrações musculares.

A consequência prática para a cirurgia é direta: qualquer instrumento, agulha, dreno ou cateter introduzido no espaço intercostal deve passar pela porção superior do espaço, rente à borda superior da costela inferior, pois ali não há estruturas nobres. Se o cirurgião passar o instrumento rente à costela superior, ele atinge exatamente o sulco costal e lesa o feixe neurovascular — causando sangramento (veia e artéria) e dor/hipoestesia no dermátomo correspondente (nervo). Essa é a razão pela qual, na toracocentese e na drenagem torácica, o ponto de punção é sempre descrito como "na borda superior da costela inferior".

A confusão clássica que a banca explora é inverter a referência: o aluno memoriza que "o feixe está na costela superior" e conclui, erroneamente, que deve passar o instrumento perto da costela superior — quando o correto é exatamente o oposto. O feixe está na costela superior, por isso o instrumento deve passar longe dela, na costela inferior. Guarde a lógica: o instrumento vai onde o feixe NÃO está.

Na prática, imagine uma toracotomia posterolateral para acesso ao pulmão: o cirurgião identifica o espaço intercostal, afasta os músculos e introduz o afastador de Finochietto ou o dreno. Se ele posicionar o instrumento rente à margem inferior da costela superior, o afastador comprime o feixe neurovascular contra o osso, podendo lesá-lo. Por isso, a manobra correta é sempre "subir" o instrumento para a borda superior da costela inferior, onde o espaço é "seguro". Essa regra vale para qualquer procedimento que atravesse a parede torácica: toracocentese, drenagem pleural, biópsia pleural e a própria toracotomia.

A pegadinha desta questão está na inversão da referência anatômica: a alternativa A descreve exatamente o local do feixe neurovascular (margem inferior da costela superior), que é o local proibido para a passagem de instrumentos. A banca troca o local do feixe pelo local seguro de passagem. O critério decisivo para separar as alternativas é: o instrumento passa na parte superior do espaço intercostal (borda superior da costela inferior), e o feixe neurovascular fica na parte inferior do espaço (sulco costal da costela superior).

Espaço intercostal
  • 1Feixe neurovascular (VAN)
    • Veia
    • Artéria
    • Nervo
    • Local
      • sulco costal da margem inferior da costela superior
  • 2Zona segura para instrumentos
    • Parte superior do espaço
    • Borda superior da costela inferior
  • 3Risco de lesão
    • Sangramento (veia/artéria)
    • Dor/hipoestesia (nervo)
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Alternativa A — ❌ Incorreta

Descreve exatamente o local do feixe neurovascular: a margem inferior da costela superior é onde corre o sulco costal com veia, artéria e nervo. Passar o instrumento ali é a pior escolha possível — é o local de maior risco de lesão. A banca inverteu a referência: quem memoriza que "o feixe está na costela superior" pode marcar esta alternativa, mas o correto é passar longe do feixe.

Alternativa B — ❌ Incorreta

O sulco costal corre na margem inferior da costela, não na "margem média". Além disso, o sulco é exatamente onde está o feixe neurovascular — ou seja, é o local de maior risco, não o local seguro. A alternativa mistura a localização anatômica do sulco (que existe, mas na margem inferior) com a ideia de que seria um local de passagem seguro, o que é falso.

Alternativa C — ❌ Incorreta

Atravessar perpendicularmente o músculo intercostal, no meio do espaço, não é a técnica segura. O feixe neurovascular corre no sulco costal, mas a passagem "no meio" do espaço intercostal ainda pode lesar ramos musculares e, dependendo da altura, o próprio feixe. A regra cirúrgica é precisa: passar rente à borda superior da costela inferior, não "perpendicular ao trajeto" de forma genérica. A alternativa não reflete a técnica anatômica correta.

Alternativa D — ❌ Incorreta

A referência ao pericárdio e aos "segmentos intercostais posteriores" é um distrator anatômico sem relação com a questão. O pericárdio é uma estrutura mediastinal, e a preocupação com o feixe neurovascular intercostal é na parede torácica, não na região anterior ao pericárdio. A alternativa foge completamente do ponto anatômico cobrado.

Alternativa E — ✅ Correta ⟵ GABARITO

Esta é a regra cirúrgica clássica: o instrumento deve passar na parte superior do espaço intercostal, próximo à borda superior da costela inferior. Como o feixe neurovascular (veia, artéria e nervo) está alojado no sulco costal da margem inferior da costela superior, a porção superior do espaço — junto à costela inferior — é a zona segura, livre de estruturas nobres. É exatamente o que a alternativa descreve.

NÃO CAIA NESSA!

A banca inverte a referência anatômica. O feixe neurovascular está na margem inferior da costela superior (sulco costal), e o instrumento deve passar na borda superior da costela inferior. O candidato que memoriza apenas "o feixe está na costela superior" pode marcar a alternativa A, que descreve o local do feixe — mas o correto é passar longe dele. A lógica é: o instrumento vai onde o feixe não está.

PEGA ESSA DICA!

Para fixar, lembre do mnemônico "VAN" (Veia, Artéria, Nervo) correndo no sulco costal da costela superior. Na prova, a pergunta é sempre: "onde passar o instrumento?" → na costela de baixo. E "onde está o feixe?" → na costela de cima. Se a alternativa falar em "margem inferior da costela superior", é o local do feixe (perigoso); se falar em "borda superior da costela inferior", é o local seguro.

Gabarito: letra E

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