Questão de Medicina — Cirurgia Geral — Avança SP 2025
Medicina›Cirurgia Geral
Código
qg413979
Banca
Avança SP
Órgão
IAMSPE
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Residência Médica - Pré-Requisito - Cirurgia Geral - Programa Avançado
A obtenção de um acesso venoso central pela técnica de Seldinger envolve uma sequência de passos precisos, desde a localização da veia até a passagem do cateter, exigindo preparação e antissepsia rigorosas. Sobre estas etapas, assinale a alternativa correta:
AA técnica de Seldinger preconiza a punção venosa com agulha, a introdução do dilatador tecidual e, somente então, a passagem do fioguia.
BA antissepsia cutânea para o acesso venoso central deve ser feita preferencialmente com soluções aquosas, pois a clorexidina alcoólica a 0,5% está associada a maiores taxas de infecção.
CA profilaxia antimicrobiana antes da colocação de um cateter venoso central percutâneo é uma prática padrão e obrigatória para reduzir infecções.
DApós a punção venosa com agulha e a introdução do fio-guia, realiza-se a retirada da agulha, podendo-se fazer uma pequena incisão para facilitar a passagem do dilatador tecidual sobre o fio-guia.
EO uso de ultrassom é indicado apenas para avaliar variações anatômicas antes do procedimento, não sendo útil para guiar a inserção da agulha dinamicamente.
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GabaritoD — Após a punção venosa com agulha e a introdução do fio-guia, realiza-se a retirada da agulha, podendo-se fazer uma pequena incisão para facilitar a passagem do dilatador tecidual sobre o fio-guia.
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Técnica de Seldinger para acesso venoso central
Gabarito: letra D. A técnica de Seldinger segue uma sequência precisa: punção venosa com agulha, passagem do fio-guia, retirada da agulha e, então, passagem do dilatador sobre o fio-guia — podendo ser feita uma pequena incisão para facilitar essa passagem. As demais alternativas distorcem etapas essenciais do procedimento, como a ordem dos passos, o tipo de antisséptico e o papel do ultrassom.
A técnica de Seldinger é o método padrão para inserção percutânea de cateteres venosos centrais (CVC), descrita por Sven Ivar Seldinger em 1953. Ela revolucionou a prática ao permitir a canulação de vasos com segurança, substituindo a dissecção venosa. O princípio fundamental é a utilização de um fio-guia como condutor: primeiro punciona-se o vaso com uma agulha, depois introduz-se o fio-guia através dela, retira-se a agulha e, por fim, avança-se o cateter (ou dilatador) sobre o fio. Essa sequência minimiza o trauma vascular e permite a troca de dispositivos sem nova punção.
A sequência correta dos passos é: (1) punção venosa com agulha; (2) confirmação do refluxo sanguíneo; (3) introdução do fio-guia pela agulha; (4) retirada da agulha, mantendo o fio-guia no lugar; (5) opcionalmente, pequena incisão na pele com bisturi para facilitar a passagem do dilatador; (6) passagem do dilatador sobre o fio-guia para dilatar o trajeto; (7) retirada do dilatador; (8) passagem do cateter sobre o fio-guia; (9) retirada do fio-guia e fixação do cateter. A alternativa D descreve exatamente os passos 4 e 5, sendo a correta.
A antissepsia cutânea para inserção de CVC é um ponto crítico na prevenção de infecções de corrente sanguínea. As diretrizes atuais recomendam preferencialmente soluções alcoólicas de clorexidina a 2%, que têm ação mais rápida e persistente que as soluções aquosas. A clorexidina alcoólica a 0,5% não está associada a maiores taxas de infecção — pelo contrário, é uma opção eficaz. Soluções aquosas, como PVP-I, são alternativas, mas não são preferenciais. A alternativa B inverte essa recomendação.
A profilaxia antimicrobiana antes da inserção de CVC não é prática padrão nem obrigatória. As medidas de prevenção de infecção baseiam-se em "pacotes" (bundles) que incluem higiene das mãos, precauções máximas de barreira, antissepsia com clorexidina alcoólica, escolha adequada do sítio de inserção e reavaliação diária da necessidade do cateter. O uso rotineiro de antibióticos profiláticos não é recomendado e pode selecionar microrganismos resistentes. A alternativa C está incorreta.
O ultrassom é uma ferramenta essencial na inserção de CVC, não apenas para avaliar variações anatômicas, mas principalmente para guiar dinamicamente a punção. A visualização em tempo real da agulha e do vaso reduz complicações mecânicas (punção arterial, pneumotórax) e aumenta a taxa de sucesso na primeira tentativa. A alternativa E subestima o papel do ultrassom, afirmando que ele não é útil para guiar a inserção dinamicamente — o que contraria a prática recomendada.
A pegadinha central desta questão é a ordem dos passos da técnica de Seldinger. A alternativa A inverte a sequência ao colocar o dilatador antes do fio-guia, o que é tecnicamente impossível — o dilatador só pode ser passado sobre o fio-guia, que já deve estar no vaso. A alternativa B troca a recomendação de antissepsia, e a alternativa C atribui à profilaxia antibiótica um papel que ela não tem. A alternativa E desvaloriza o ultrassom, que é hoje padrão de cuidado.
NÃO CAIA NESSA!
A banca explora a inversão da sequência da técnica de Seldinger. Na alternativa A, o dilatador aparece antes do fio-guia — o que é impossível, pois o dilatador só avança sobre o fio-guia já posicionado. Guarde a ordem: agulha → fio-guia → retirada da agulha → (incisão) → dilatador → cateter. Essa sequência é a espinha dorsal da técnica e o erro mais comum em provas.
1Punção venosa com agulha
2Introdução do fio-guia
3Retirada da agulha
4Incisão (opcional)
5Dilatador sobre o fio-guia
6Cateter sobre o fio-guia
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Alternativa A — ❌ Incorreta
A ordem está invertida. A técnica de Seldinger preconiza: punção com agulha, introdução do fio-guia pela agulha, retirada da agulha e só então a passagem do dilatador sobre o fio-guia. O dilatador nunca é introduzido antes do fio-guia, pois ele serve para dilatar o trajeto por onde o cateter passará, e isso só é possível com o fio-guia já no vaso.
Alternativa B — ❌ Incorreta
A recomendação é inversa. A antissepsia preferencial para inserção de CVC é com clorexidina alcoólica (a 2% ou, em algumas formulações, a 0,5%), que tem ação superior às soluções aquosas. A clorexidina alcoólica não está associada a maiores taxas de infecção — pelo contrário, é a escolha padrão. Soluções aquosas, como PVP-I, são alternativas, mas não preferenciais.
Alternativa C — ❌ Incorreta
A profilaxia antimicrobiana antes da inserção de CVC não é prática padrão nem obrigatória. As diretrizes recomendam medidas não farmacológicas (higiene das mãos, barreira máxima, antissepsia com clorexidina, escolha do sítio, reavaliação diária) como principais estratégias de prevenção. O uso rotineiro de antibióticos não é indicado e pode favorecer resistência bacteriana.
Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO
Descreve corretamente os passos da técnica de Seldinger: após a punção venosa com agulha e a introdução do fio-guia, retira-se a agulha e pode-se fazer uma pequena incisão na pele para facilitar a passagem do dilatador sobre o fio-guia. Essa incisão reduz a resistência da pele e evita que o dilatador dobre ou cause trauma desnecessário.
Alternativa E — ❌ Incorreta
O ultrassom é útil não apenas para avaliar variações anatômicas, mas principalmente para guiar dinamicamente a inserção da agulha. A punção guiada por ultrassom em tempo real é recomendada como prática padrão, pois reduz complicações mecânicas e aumenta a taxa de sucesso. A alternativa subestima o papel do ultrassom, que é essencial na técnica moderna.