Questão de Medicina — Cirurgia Geral — Avança SP 2025
Medicina›Cirurgia Geral
Código
qg413981
Banca
Avança SP
Órgão
IAMSPE
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Residência Médica - Pré-Requisito - Cirurgia Geral - Programa Avançado
Durante a realização de uma drenagem torácica no quinto espaço intercostal, a equipe cirúrgica deve ter conhecimento preciso da anatomia local para evitar lesões iatrogênicas. Considerando a técnica de dissecção e a relação com estruturas vasculonervosas, identifique o passo técnico descrito corretamente:
AA incisão transversa de 2 cm a 3 cm deve ser seguida pela dissecção romba das partes moles junto à borda inferior do arco costal.
BA perfuração da pleura parietal deve ser realizada com a ponta do bisturi para garantir uma abertura precisa e evitar lesões pulmonares.
CO dreno, em casos de pneumotórax, deve ser direcionado inferiormente e anteriormente à parede interna da caixa torácica.
DO local de eleição para a incisão é o quinto espaço intercostal, na linha axilar posterior, para melhor drenagem de hemotórax.
EA dissecção romba das partes moles deve ser feita junto à borda superior do arco costal para evitar o feixe vasculonervoso
Revelar gabarito e comentário▾
GabaritoE — A dissecção romba das partes moles deve ser feita junto à borda superior do arco costal para evitar o feixe vasculonervoso
Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.
Drenagem torácica: anatomia e técnica cirúrgica
Gabarito: letra E. A dissecção romba das partes moles na drenagem torácica deve ser realizada junto à borda superior do arco costal, pois o feixe vasculonervoso intercostal (artéria, veia e nervo) corre no sulco costal, junto à borda inferior de cada costela — é exatamente essa relação anatômica que a alternativa correta descreve. As demais alternativas erram ao inverter a borda de segurança, indicar o bisturi para perfurar a pleura, direcionar o dreno de forma inadequada ou apontar o local de eleição incorreto.
A drenagem torácica é um procedimento cirúrgico de urgência e emergência, indicado para pneumotórax, hemotórax, derrame pleural e empiema. O objetivo é evacuar ar ou líquido do espaço pleural, restaurando a pressão negativa e permitindo a reexpansão pulmonar. A técnica exige conhecimento preciso da anatomia da parede torácica, especialmente do trajeto do feixe vasculonervoso intercostal, que é o principal risco de lesão iatrogênica durante o procedimento.
O feixe vasculonervoso intercostal é composto pela artéria intercostal, veia intercostal e nervo intercostal, e percorre o sulco costal, localizado na borda inferior de cada costela. Por isso, qualquer instrumento introduzido no espaço intercostal deve passar acima da borda superior da costela inferior — ou seja, longe do feixe. Essa é a regra de ouro da punção torácica, válida tanto para a drenagem quanto para a toracocentese e a anestesia local. A anestesia, por exemplo, deve ser infiltrada "logo acima da borda superior da costela", como descrito na técnica padrão.
O ponto de eleição para a drenagem torácica é o chamado "triângulo de segurança", delimitado pela linha axilar média, pela linha intermamilar e pela borda lateral do músculo peitoral maior. Nessa região, a punção é realizada no quinto espaço intercostal, na linha axilar média ou entre a linha axilar anterior e a linha axilar média. Esse local é seguro porque evita a transfixação dos músculos peitoral e dorsal, e permite drenagem eficaz tanto de ar quanto de líquido.
A direção do dreno varia conforme a indicação: no pneumotórax, o dreno deve ser direcionado anteriormente e superiormente (ápice), pois o ar tende a se acumular na região mais alta da cavidade pleural; no hemotórax, o dreno deve ser direcionado posteriormente e inferiormente (base), pois o sangue tende a se acumular na região mais baixa. Essa distinção é fundamental e frequentemente cobrada em provas.
A técnica de dissecção envolve: incisão na pele com bisturi, dissecção romba das partes moles com uma pinça (Kelly ou Rochester) até atingir a pleura, perfuração da pleura parietal com a ponta da pinça (nunca com bisturi, para evitar lesão pulmonar), introdução do dreno com auxílio de um dedo ou pinça, e fixação do dreno com fio de sutura. A dissecção romba é preferida porque afasta as estruturas sem cortá-las, reduzindo o risco de lesão vascular e nervosa.
A pegadinha central desta questão é a inversão da borda costal de segurança: a banca troca a borda superior pela borda inferior, que é exatamente onde passa o feixe vasculonervoso. O candidato que não domina a anatomia do sulco costal tende a marcar a alternativa que menciona a borda inferior, por associá-la erroneamente à "proteção" da costela. Na verdade, é o oposto: a borda inferior é a zona de perigo, e a borda superior é a zona de segurança.
Guarde a relação anatômica decisiva: feixe vasculonervoso na borda inferior → dissecção na borda superior. É esse critério que separa a alternativa correta das demais.
Estrutura anatômica
Localização
Zona de segurança
Feixe vasculonervoso intercostal (VAN)
Sulco costal, borda inferior da costela
Zona de perigo — evitar
Dissecção romba das partes moles
Borda superior do arco costal
Zona de segurança — local correto
Drenagem torácica
1Anatomia do espaço intercostal
Feixe vasculonervoso (VAN)
Borda inferior da costela (perigo)
Zona de segurança
Borda superior da costela
2Técnica
Incisão na pele (bisturi)
Dissecção romba (pinça)
Perfuração da pleura (pinça, nunca bisturi)
Direção do dreno
Pneumotórax: superior e anterior
Hemotórax: inferior e posterior
3Local de eleição
Triângulo de segurança
5º espaço intercostal, linha axilar média
LEVEL · soulevel.com.br
Alternativa A — ❌ Incorreta
A alternativa afirma que a dissecção romba deve ser feita junto à borda inferior do arco costal. Isso está errado: a borda inferior é exatamente onde passa o feixe vasculonervoso intercostal (artéria, veia e nervo), no sulco costal. Dissecar nessa região expõe o paciente ao risco de lesão vascular com sangramento importante e lesão nervosa com dor neuropática. O correto é dissecar junto à borda superior da costela, como descrito na técnica padrão de drenagem torácica.
Alternativa B — ❌ Incorreta
A alternativa afirma que a perfuração da pleura parietal deve ser feita com a ponta do bisturi. Isso é um erro grave: o bisturi é usado apenas para a incisão da pele e, eventualmente, da musculatura superficial. A pleura parietal deve ser perfurada com a ponta de uma pinça (Kelly ou Rochester), de forma controlada e romba, para evitar lesão do pulmão subjacente. O uso do bisturi para perfurar a pleura aumenta o risco de pneumotórax iatrogênico por lesão pulmonar direta.
Alternativa C — ❌ Incorreta
A alternativa afirma que, em casos de pneumotórax, o dreno deve ser direcionado inferiormente e anteriormente. Isso está invertido: no pneumotórax, o ar se acumula na região mais alta da cavidade pleural (ápice), portanto o dreno deve ser direcionado superiormente e anteriormente. A direção inferior e anterior é indicada para drenagem de líquidos (hemotórax, derrame pleural), que se acumulam na base. A confusão entre a direção do dreno para ar e para líquido é uma pegadinha clássica.
Alternativa D — ❌ Incorreta
A alternativa afirma que o local de eleição para a incisão é o quinto espaço intercostal na linha axilar posterior. Isso está errado: o local de eleição é o quinto espaço intercostal na linha axilar média (ou entre a linha axilar anterior e a linha axilar média), dentro do chamado "triângulo de segurança". A linha axilar posterior não faz parte do triângulo de segurança e está mais distante da região de maior acúmulo de ar ou líquido, além de aumentar o risco de lesão de estruturas musculares e vasculares.
Alternativa E — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A alternativa afirma que a dissecção romba das partes moles deve ser feita junto à borda superior do arco costal para evitar o feixe vasculonervoso. Isso está correto: o feixe vasculonervoso intercostal (artéria, veia e nervo) percorre o sulco costal, localizado na borda inferior de cada costela. Portanto, a dissecção deve ser realizada na borda superior, que é a zona segura, livre de estruturas vasculonervosas. Essa é a regra fundamental da drenagem torácica e da toracocentese, e a alternativa a descreve com precisão.
NÃO CAIA NESSA!
A banca inverte a borda costal de segurança: a alternativa A menciona a borda inferior, que é exatamente onde passa o feixe vasculonervoso. O candidato que não domina a anatomia do sulco costal tende a marcar a alternativa A, por associar a borda inferior à "proteção" da costela. Na verdade, é o oposto: a borda inferior é a zona de perigo, e a borda superior é a zona de segurança. Com treino, você enxerga essa inversão de longe 💪.
PEGA ESSA DICA!
Para fixar a anatomia, lembre-se do mnemônico "VAN" (Veia, Artéria, Nervo) — o feixe vasculonervoso intercostal corre na borda inferior da costela, no sulco costal. Sempre que a questão falar em punção ou dissecção no espaço intercostal, pergunte-se: "estou acima da borda superior da costela?" Se sim, estou seguro; se não, estou na zona de risco. Essa é a pergunta que resolve a maioria das questões sobre drenagem torácica.
Gabarito: letra E — a dissecção romba deve ser feita junto à borda superior do arco costal para evitar o feixe vasculonervoso.