Questão de Medicina — Cirurgia Geral — Avança SP 2025
Medicina›Cirurgia Geral
Código
qg413985
Banca
Avança SP
Órgão
IAMSPE
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Residência Médica - Pré-Requisito - Cirurgia Geral - Programa Avançado
Em um procedimento cirúrgico ambulatorial, o rigor no controle da temperatura e do ambiente acústico da sala é fundamental, não apenas para a equipe, mas também para o bem-estar e a cooperação do paciente, especialmente enquanto consciente:
AConversas colaterais e ruídos metálicos devem ser atenuados apenas após a indução anestésica, pois o paciente sedado não assimila estímulos externos.
BA temperatura da sala deve ser mantida preferencialmente acima de 25 °C para garantir o conforto térmico do paciente e evitar hipotermia.
CRangidos de metais, comuns na lida com instrumentais, devem ser atenuados enquanto o paciente estiver consciente; porque podem ser interpretados como evento nocivo prestes a acontecer.
DO silêncio absoluto não é necessário, desde que a temperatura da sala seja mantida rigorosamente entre 24 °C e 26 °C.
EA cooperação e a confiança do paciente não são influenciadas pelos cuidados com o ambiente acústico da sala cirúrgica.
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GabaritoC — Rangidos de metais, comuns na lida com instrumentais, devem ser atenuados enquanto o paciente estiver consciente; porque podem ser interpretados como evento nocivo prestes a acontecer.
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Ambiente acústico e térmico na sala cirúrgica ambulatorial
Gabarito: letra C. O controle do ambiente acústico é essencial enquanto o paciente está consciente, pois sons como rangidos de metais podem ser interpretados como um evento nocivo iminente, gerando ansiedade e prejudicando a cooperação. As demais alternativas ou invertem a lógica (como a A, que posterga a atenuação para após a indução) ou trazem valores e afirmações sem fundamento técnico (como a B e a D).
O cuidado com o ambiente cirúrgico vai muito além da técnica asséptica: envolve a percepção do paciente, que, mesmo sob sedação leve ou anestesia local, permanece consciente e sensível a estímulos externos. O ruído, especialmente o de alta frequência e caráter súbito — como o rangido de metais —, pode ser associado pelo cérebro a uma ameaça, ativando respostas de estresse que elevam a ansiedade, a frequência cardíaca e a pressão arterial. Essa reação não é apenas desconforto: ela compromete a cooperação do paciente, dificulta o procedimento e pode até aumentar a necessidade de sedativos.
A temperatura da sala também é um fator crítico. A faixa ideal para procedimentos cirúrgicos costuma ser entre 20 °C e 24 °C, pois temperaturas mais altas favorecem a proliferação bacteriana e o desconforto térmico da equipe, que trabalha com paramentos estéreis. O paciente, por sua vez, deve ser protegido da hipotermia com medidas ativas — cobertores aquecidos, fluidos aquecidos e controle da temperatura ambiente —, mas isso não significa elevar a sala acima de 25 °C, como propõe a alternativa B. O equilíbrio entre o conforto do paciente e a segurança do campo operatório é o que orienta a prática.
A alternativa C captura com precisão o fenômeno psicológico envolvido: o paciente consciente, em um ambiente desconhecido e potencialmente ameaçador, tende a interpretar sons metálicos como sinais de que algo está prestes a dar errado. Essa interpretação é uma resposta adaptativa do sistema nervoso, que prioriza a detecção de perigo. Por isso, a equipe deve minimizar conversas colaterais, ruídos de instrumentais e qualquer som que possa ser mal interpretado, mantendo um ambiente calmo e previsível.
A pegadinha central desta questão está na inversão temporal proposta pela alternativa A: a banca tenta fazer o candidato acreditar que o paciente sedado não percebe estímulos externos. Na prática, a sedação consciente (usada em muitos procedimentos ambulatoriais) mantém o paciente desperto e responsivo, e mesmo em planos mais profundos, a audição é um dos últimos sentidos a ser suprimido. Portanto, o controle acústico deve ser mantido durante todo o procedimento, não apenas antes da indução.
Guarde o critério decisivo: o ambiente acústico e térmico deve ser controlado enquanto o paciente estiver consciente, e os sons metálicos devem ser evitados porque podem ser interpretados como ameaça. É exatamente essa relação entre estímulo sonoro e percepção de perigo que separa a alternativa correta das demais.
Ambiente cirúrgico ambulatorial
1Controle acústico
Enquanto paciente consciente
Sons metálicos → percepção de ameaça
Conversas colaterais e ruídos
2Controle térmico
Faixa ideal: 20 °C a 24 °C
Acima de 25 °C (risco de infecção)
Prevenção de hipotermia
Cobertores aquecidos
Fluidos aquecidos
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Alternativa A — ❌ Incorreta
Afirma que conversas colaterais e ruídos metálicos devem ser atenuados apenas após a indução anestésica, pois o paciente sedado não assimila estímulos externos. Há dois erros: primeiro, a atenuação deve ocorrer antes e durante a indução, pois o paciente ainda está consciente; segundo, mesmo sob sedação, o paciente pode perceber estímulos auditivos, especialmente em sedação consciente ou leve. A premissa de que o sedado "não assimila estímulos" é falsa e contraria a prática anestésica.
Alternativa B — ❌ Incorreta
Propõe temperatura da sala acima de 25 °C para conforto térmico e prevenção de hipotermia. A faixa recomendada para salas cirúrgicas é geralmente entre 20 °C e 24 °C. Temperaturas acima de 25 °C aumentam o risco de infecção do sítio cirúrgico (por favorecer a sudorese e a contaminação) e causam desconforto à equipe. A prevenção da hipotermia do paciente é feita com aquecimento ativo (cobertores, fluidos aquecidos), não com elevação excessiva da temperatura ambiente.
Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO
Afirma que rangidos de metais devem ser atenuados enquanto o paciente estiver consciente, porque podem ser interpretados como evento nocivo prestes a acontecer. Essa é a conduta correta: o paciente consciente, em ambiente cirúrgico, é hipervigilante e tende a associar sons metálicos súbitos a perigo. A atenuação desses ruídos reduz a ansiedade, melhora a cooperação e contribui para a segurança do procedimento.
Alternativa D — ❌ Incorreta
Afirma que o silêncio absoluto não é necessário, desde que a temperatura seja mantida entre 24 °C e 26 °C. O erro está em condicionar o controle acústico à temperatura: são fatores independentes. Mesmo com temperatura adequada, ruídos excessivos ou súbitos podem gerar estresse no paciente consciente. Além disso, a faixa de 24 °C a 26 °C está no limite superior do recomendado, e o silêncio relativo (não absoluto) é sempre desejável durante procedimentos com paciente consciente.
Alternativa E — ❌ Incorreta
Afirma que a cooperação e a confiança do paciente não são influenciadas pelos cuidados com o ambiente acústico. É exatamente o oposto: o ambiente acústico é um dos principais fatores que influenciam a percepção de segurança do paciente. Ruídos estranhos, conversas paralelas e sons metálicos geram ansiedade e desconfiança, comprometendo a cooperação. Um ambiente calmo e controlado transmite profissionalismo e segurança.