Questão de Medicina — Cirurgia Geral — Avança SP 2025
Medicina›Cirurgia Geral
Código
qg413986
Banca
Avança SP
Órgão
IAMSPE
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Residência Médica - Pré-Requisito - Cirurgia Geral - Programa Avançado
Pós-operatório imediato de neurólise periférica em hanseníase, com foco em controle inflamatório sistêmico, indique a conduta medicamentosa padrão na ausência de contraindicações:
AAnti-inflamatório não esteroidal por 14 dias, sem desmame.
BTalidomida em baixa dose contínua por 8 semanas.
CPrednisona 1 mg/kg por 4 semanas, com redução semanal de 5 mg após esse período.
DCorticoide em choque por 3 dias e suspensão imediata.
EGabapentinoide diário por 6 semanas como monoterapia.
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GabaritoC — Prednisona 1 mg/kg por 4 semanas, com redução semanal de 5 mg após esse período.
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Neurólise periférica na hanseníase: controle da reação hansênica tipo 1
Gabarito: letra C. No pós-operatório imediato de neurólise periférica em hanseníase, com foco no controle inflamatório sistêmico, a conduta padrão é a prednisona 1 mg/kg/dia por 4 semanas, seguida de redução gradual (desmame) de 5 mg por semana — esquema clássico para reação hansênica tipo 1 (reação reversa), que cursa com neurite e exige corticoterapia prolongada e em doses imunossupressoras. As demais alternativas erram ao propor esquemas inadequados: AINE sem desmame (não controla a neurite), talidomida (indicada para reação tipo 2/ENH), corticoide em pulso com suspensão abrupta (risco de rebote e insuficiência adrenal) e gabapentinoide isolado (apenas sintomático, sem ação anti-inflamatória).
A hanseníase é uma doença infecciosa crônica causada pelo Mycobacterium leprae, que acomete principalmente pele e nervos periféricos. As reações hansênicas são episódios inflamatórios agudos que podem ocorrer antes, durante ou após o tratamento poliquimioterápico, e são a principal causa de dano neural e incapacidade física. Existem dois tipos principais: a reação tipo 1 (reação reversa), mediada por hipersensibilidade celular (Th1), que se manifesta com piora das lesões de pele e, crucialmente, neurite (inflamação dos nervos periféricos); e a reação tipo 2 (eritema nodoso hansênico — ENH), mediada por imunocomplexos (Th2), caracterizada por nódulos dolorosos, febre e comprometimento sistêmico.
A neurólise periférica é um procedimento cirúrgico indicado para descomprimir um nervo periférico acometido por neurite hansênica, geralmente quando há dor intensa, déficit funcional progressivo ou abscesso neural. No pós-operatório, o controle da inflamação sistêmica é essencial para evitar a progressão do dano neural e a recorrência da neurite. O tratamento farmacológico de escolha para a reação tipo 1, incluindo a neurite, é a corticoterapia sistêmica, sendo a prednisona o corticoide mais utilizado. O esquema clássico é: 1 mg/kg/dia (dose máxima usual de 60 mg/dia) por 4 semanas, seguido de redução gradual (desmame) de 5 mg a cada semana até a suspensão completa. Esse esquema visa controlar a inflamação de forma eficaz e, ao mesmo tempo, evitar os efeitos adversos da suspensão abrupta, como o fenômeno de rebote e a insuficiência adrenal secundária.
A escolha do corticoide se justifica pela sua potente ação anti-inflamatória e imunossupressora, capaz de reduzir o edema neural, a dor e o dano axonal. O desmame gradual é fundamental porque a supressão do eixo hipotálamo-hipófise-adrenal ocorre com o uso prolongado de corticosteroides, e a retirada brusca pode precipitar uma crise adrenal. Além disso, a duração total do tratamento costuma ser de 4 a 6 meses, dependendo da resposta clínica, e o acompanhamento deve ser feito com avaliação periódica da função neural (sensibilidade, força muscular e palpação dos troncos nervosos).
A pegadinha desta questão está em associar a talidomida (alternativa B) ao contexto de neurólise. A talidomida é o fármaco de primeira linha para a reação tipo 2 (ENH), mas não é indicada para a reação tipo 1, que é o cenário típico de neurite e, portanto, o que motiva a neurólise. A banca explora exatamente essa confusão entre os dois tipos de reação hansênica. Outra armadilha é a alternativa D (corticoide em choque com suspensão imediata), que contraria o princípio do desmame gradual, essencial na corticoterapia prolongada. A alternativa A (AINE por 14 dias) é insuficiente para controlar a neurite, que exige anti-inflamatório esteroidal. A alternativa E (gabapentinoide isolado) trata apenas a dor neuropática, sem ação sobre o processo inflamatório subjacente.
NÃO CAIA NESSA!
A banca troca os esquemas terapêuticos das duas reações hansênicas. A talidomida é o tratamento de escolha para a reação tipo 2 (ENH), mas a questão descreve neurólise periférica, que é consequência da neurite — típica da reação tipo 1 (reação reversa). Nesta, o tratamento é com corticosteroide (prednisona) em dose imunossupressora e com desmame gradual. O candidato que confunde os tipos de reação cai na alternativa B. Fique atento: neurite = reação tipo 1 = corticoide; ENH = reação tipo 2 = talidomida.
1Prednisona 1 mg/kg/dia
2Manter por 4 semanas
3Reduzir 5 mg/semana
4Suspensão gradual
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Alternativa A — ❌ Incorreta
O AINE (anti-inflamatório não esteroidal) tem ação anti-inflamatória mais fraca e não é capaz de controlar a neurite hansênica, que exige corticoide sistêmico em dose imunossupressora. Além disso, o esquema de 14 dias sem desmame não é o padrão para reação tipo 1, que requer tratamento prolongado (semanas a meses) com redução gradual. O AINE pode até ser usado como adjuvante, mas nunca como monoterapia no controle da neurite.
Alternativa B — ❌ Incorreta
A talidomida é o fármaco de primeira linha para a reação tipo 2 (eritema nodoso hansênico — ENH), não para a reação tipo 1. A questão fala em neurólise periférica, que é consequência da neurite — manifestação típica da reação tipo 1 (reação reversa). Para esta, o tratamento padrão é a corticoterapia (prednisona). Além disso, a talidomida é teratogênica e exige cuidados especiais em mulheres em idade fértil, o que reforça que não é a primeira escolha neste contexto.
Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A prednisona na dose de 1 mg/kg/dia por 4 semanas, seguida de redução semanal de 5 mg, é o esquema clássico e padrão para o tratamento da reação hansênica tipo 1, incluindo a neurite que motiva a neurólise. Essa dose é imunossupressora e suficiente para controlar a inflamação neural, e o desmame gradual é essencial para evitar o rebote inflamatório e a insuficiência adrenal. É exatamente o que a alternativa descreve.
Alternativa D — ❌ Incorreta
O corticoide em "choque" (pulso) por 3 dias com suspensão imediata é um esquema inadequado para a neurite hansênica. A reação tipo 1 exige tratamento prolongado (semanas a meses) com desmame gradual. A suspensão abrupta de corticoide após uso prolongado pode causar insuficiência adrenal aguda e fenômeno de rebote (recrudescência da inflamação), além de não garantir o controle sustentado da neurite.
Alternativa E — ❌ Incorreta
O gabapentinoide (gabapentina ou pregabalina) é um fármaco adjuvante para o tratamento da dor neuropática, mas não tem ação anti-inflamatória. Na neurite hansênica, o processo inflamatório é a causa do dano neural, e o tratamento deve ser com corticoide. O gabapentinoide pode ser usado como coadjuvante para o controle da dor, mas nunca como monoterapia no pós-operatório de neurólise.