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Questão de Medicina — Urologia — Avança SP 2025

MedicinaUrologia
Código
qg414001
Banca
Avança SP
Órgão
IAMSPE
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Residência Médica - Pré-Requisito - Cirurgia Geral - Projeto Avançado
Um paciente de 66 anos, com PSA de 27 ng/mL, biópsia mostrando adenocarcinoma de próstata Gleason 4+4 (ISUP 4) e toque retal T2c, é estadiado com exames convencionais (cintilografia óssea e tomografia) sem evidência de metástase. Após realizar o PET-PSMA evidenciou captação em linfonodo pélvico unilateral sem outras lesões. Considerando-se o manejo atual do câncer de próstata localizado de alto risco com suspeita de linfonodo positivo, qual das condutas a seguir está mais alinhada às evidências atuais?
  1. AO PET-PSMA com linfonodo positivo contraindica a prostatectomia radical sendo necessário o bloqueio androgênico contínuo.
  2. BO paciente pode ser tratado com radioterapia sobre a próstata e cadeia linfonodal sem indicação de bloqueio hormonal concomitante.
  3. CA combinação de prostatectomia radical com linfadenectomia estendida e sem bloqueio hormonal pode ser utilizada como terapêutica inicial.
  4. DA cirurgia não deve ser considerada até que o linfonodo seja confirmado por biópsia percutânea.
  5. EA terapia neoadjuvante, com novos agentes hormonais (enzalutamida ou apalutamida), deve ser realizada antes da cirurgia ou da radioterapia.
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GabaritoE — A terapia neoadjuvante, com novos agentes hormonais (enzalutamida ou apalutamida), deve ser realizada antes da cirurgia ou da radioterapia.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Câncer de próstata de alto risco com linfonodo positivo no PET-PSMA

Gabarito: letra E. No cenário de câncer de próstata localizado de alto risco (PSA 27, Gleason 4+4/ISUP 4, T2c) com linfonodo pélvico positivo no PET-PSMA, a conduta mais alinhada às evidências atuais é a terapia neoadjuvante com novos agentes hormonais (enzalutamida ou apalutamida) antes da cirurgia ou radioterapia. Isso porque o PET-PSMA detecta doença linfonodal que os exames convencionais não mostram, e o tratamento sistêmico neoadjuvante com antagonistas do receptor de androgênio de segunda geração demonstrou benefício em ensaios clínicos randomizados nesse contexto de alto risco.

O câncer de próstata é o tumor mais comum em homens, e sua agressividade é estratificada pelo PSA, escore de Gleason (ou grupo de grau ISUP) e estágio clínico. O paciente do caso tem doença de alto risco: PSA > 20 ng/mL, Gleason 4+4 (ISUP 4) e T2c. Nesses casos, a chance de doença linfonodal oculta é significativa, e o PET-PSMA — um exame de imagem molecular que detecta a expressão do antígeno de membrana específico da próstata (PSMA) — é mais sensível que a cintilografia óssea e a tomografia para identificar metástases linfonodais e à distância. Quando o PET-PSMA mostra captação em linfonodo pélvico, isso muda o estadiamento e o planejamento terapêutico.

A terapia neoadjuvante com novos agentes hormonais (enzalutamida ou apalutamida) antes da cirurgia ou radioterapia é uma estratégia emergente e cada vez mais respaldada por evidências. Esses fármacos são antagonistas do receptor de androgênio de segunda geração, que bloqueiam a via de sinalização androgênica de forma mais potente que os antiandrogênicos clássicos. Em ensaios clínicos randomizados, o uso neoadjuvante de apalutamida ou enzalutamida, em combinação com privação androgênica, demonstrou redução do volume tumoral, maior taxa de margens cirúrgicas negativas e, em alguns estudos, melhora da sobrevida livre de recorrência bioquímica em pacientes de alto risco. Essa abordagem visa tratar a doença micrometastática sistêmica que o PET-PSMA pode estar detectando, mesmo que de forma limitada.

A distinção crucial aqui é entre doença localizada de alto risco e doença linfonodal (N1). Historicamente, a presença de linfonodo positivo era considerada contraindicação relativa à cirurgia, e o tratamento padrão era radioterapia + privação androgênica prolongada. No entanto, com o advento do PET-PSMA, muitos pacientes que antes seriam classificados como M0 agora são detectados com doença N1 oligometastática. Nesse cenário, a abordagem moderna envolve tratamento multimodal, e a terapia neoadjuvante com novos agentes hormonais é uma opção que visa melhorar os resultados antes da terapia local definitiva. A combinação de prostatectomia radical com linfadenectomia estendida também é uma opção válida, mas a alternativa C está incorreta ao afirmar que pode ser feita "sem bloqueio hormonal" — em doença de alto risco com linfonodo positivo, o tratamento sistêmico é parte integrante da estratégia.

A pegadinha da banca está em apresentar alternativas que misturam conceitos de estadiamento e tratamento. O candidato pode ser tentado a escolher a alternativa A (que contraindica a cirurgia) ou a D (que exige biópsia percutânea), mas ambas refletem uma visão ultrapassada. A alternativa B erra ao omitir o bloqueio hormonal, que é essencial na doença de alto risco. A alternativa C erra ao excluir o tratamento sistêmico. A alternativa E, por sua vez, reflete a tendência atual de intensificar o tratamento sistêmico neoadjuvante em pacientes de alto risco com doença linfonodal detectada por PET-PSMA.

Guarde a fronteira entre doença localizada de alto risco e doença linfonodal (N1): é exatamente nela que as alternativas se dividem. A presença de linfonodo positivo no PET-PSMA não contraindica a terapia local, mas exige a adição de tratamento sistêmico — e a terapia neoadjuvante com novos agentes hormonais é a abordagem mais alinhada às evidências atuais.

Alternativa A — ❌ Incorreta

Afirma que o PET-PSMA com linfonodo positivo contraindica a prostatectomia radical, sendo necessário bloqueio androgênico contínuo. Isso está errado por dois motivos: (1) a presença de linfonodo positivo no PET-PSMA não é contraindicação absoluta à cirurgia — a prostatectomia radical com linfadenectomia estendida pode ser considerada em casos de doença oligometastática; (2) o bloqueio androgênico contínuo isolado não é o tratamento padrão para doença localizada de alto risco com linfonodo positivo — a abordagem moderna envolve terapia multimodal, incluindo tratamento local definitivo e terapia sistêmica. A alternativa reflete uma visão ultrapassada em que N1 era considerado doença metastática sistêmica incurável.

Alternativa B — ❌ Incorreta

Afirma que o paciente pode ser tratado com radioterapia sobre a próstata e cadeia linfonodal sem indicação de bloqueio hormonal concomitante. Isso é incorreto porque, em câncer de próstata de alto risco (PSA > 20, Gleason ≥ 8, T2c), a radioterapia deve ser combinada com privação androgênica. O contexto de apoio é claro: "A RT primária para pacientes de risco intermediário e de alto risco é, com frequência, combinada com privação de androgênios". A presença de linfonodo positivo no PET-PSMA reforça ainda mais a necessidade de tratamento sistêmico concomitante. A alternativa erra ao omitir o bloqueio hormonal, que é parte essencial do tratamento.

Alternativa C — ❌ Incorreta

Afirma que a combinação de prostatectomia radical com linfadenectomia estendida e sem bloqueio hormonal pode ser utilizada como terapêutica inicial. Embora a prostatectomia radical com linfadenectomia estendida seja uma opção válida para doença localizada de alto risco, a exclusão do bloqueio hormonal é o erro. Em doença de alto risco com linfonodo positivo no PET-PSMA, o tratamento sistêmico (privação androgênica e/ou novos agentes hormonais) é parte integrante da estratégia terapêutica, seja como neoadjuvante, adjuvante ou concomitante. A alternativa C subestima a agressividade da doença e a necessidade de abordagem multimodal.

Alternativa D — ❌ Incorreta

Afirma que a cirurgia não deve ser considerada até que o linfonodo seja confirmado por biópsia percutânea. Isso é incorreto porque a biópsia percutânea de linfonodo pélvico é um procedimento tecnicamente difícil, com risco de complicações e baixa acurácia, e não é rotineiramente recomendada. O PET-PSMA tem alta sensibilidade e especificidade para detectar doença linfonodal, e a decisão de tratamento não deve ser adiada aguardando confirmação histológica de um linfonodo pélvico. A abordagem moderna é tratar com base nos achados de imagem de alta qualidade, considerando a terapia multimodal. A alternativa D reflete uma postura excessivamente conservadora e não alinhada à prática clínica atual.

Alternativa E — ✅ Correta ⟵ GABARITO

Afirma que a terapia neoadjuvante, com novos agentes hormonais (enzalutamida ou apalutamida), deve ser realizada antes da cirurgia ou da radioterapia. Esta é a conduta mais alinhada às evidências atuais. Em pacientes com câncer de próstata de alto risco e linfonodo positivo no PET-PSMA, a terapia neoadjuvante com antagonistas do receptor de androgênio de segunda geração (enzalutamida, apalutamida) demonstrou benefícios em ensaios clínicos randomizados, incluindo redução do volume tumoral, maior taxa de margens negativas e melhora da sobrevida livre de recorrência. Essa abordagem visa tratar a doença micrometastática sistêmica que o PET-PSMA detecta, otimizando os resultados da terapia local definitiva. O contexto de apoio menciona que "em pacientes com câncer de próstata metastático, ensaios clínicos controlados e randomizados relataram uma sobrevida global mais longa quando a terapia de privação androgênica foi combinada com... antagonistas do receptor de androgênios, enzalutamida e apalutamida", e essa lógica se estende ao cenário neoadjuvante de alto risco.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a confusão entre doença localizada de alto risco e doença linfonodal (N1). O candidato pode pensar que linfonodo positivo no PET-PSMA contraindica a cirurgia (alternativa A) ou que exige confirmação por biópsia (alternativa D), mas ambas são visões ultrapassadas. A pegadinha está em apresentar a terapia neoadjuvante com novos agentes hormonais como a conduta mais alinhada às evidências — uma abordagem que muitos candidatos ainda não conhecem. Fique atento: em doença de alto risco com linfonodo positivo, o tratamento é multimodal, e a terapia sistêmica neoadjuvante é cada vez mais recomendada.

PEGA ESSA DICA!

Para questões de câncer de próstata, memorize a estratificação de risco (PSA, Gleason/ISUP, estágio T) e as opções de tratamento por risco. Em doença de alto risco, a terapia multimodal é a regra: cirurgia ou radioterapia + privação androgênica. Com o PET-PSMA, a detecção de linfonodo positivo muda o estadiamento e frequentemente leva à terapia neoadjuvante com novos agentes hormonais (enzalutamida, apalutamida) antes da terapia local. Essa é uma tendência recente e muito cobrada em provas de urologia e oncologia.

Gabarito: letra E

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