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Questão de Medicina — Urologia — Avança SP 2025

MedicinaUrologia
Código
qg414006
Banca
Avança SP
Órgão
IAMSPE
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Residência Médica - Pré-Requisito - Cirurgia Geral - Projeto Avançado
Paciente masculino, 56 anos, evolui com retenção urinária aguda. Apresenta os seguintes exames complementares: PSA 1,2, Creatinina 0,7, Ureia 32, Ultrassonografia de próstata com glândula 180 g, com presença de balão de sonda vesical no interior da bexiga. Estudo urodinâmico com pressão detrusora no fluxo máximo de 95 cmH2O e fluxo máximo de 1 mL/s.Qual a conduta mais adequada nesse contexto?
  1. AIniciar triplo bloqueio com gosserrelina, bicalutamida e abiraterona para redução do tamanho prostático e posterior retirada da sonda.
  2. BTrocar o sítio do cateter de demora de uretral para suprapúbico e realizar treinamento vesical até retorno adequado da micção.
  3. CIndicar cirurgia prostática desobstrutiva mediante ressecção transuretral clássica.
  4. DIndicar prostatectomia transvesical por técnica aberta ou minimamente invasiva.
  5. EIndicar prostatectomia radical por conta do acentuado aumento glandular e risco de subdiagnóstico de câncer.
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GabaritoD — Indicar prostatectomia transvesical por técnica aberta ou minimamente invasiva.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Retenção urinária aguda por hiperplasia prostática benigna (HPB) de grande volume

Gabarito: letra D. Em paciente com retenção urinária aguda, próstata de 180 g e estudo urodinâmico demonstrando obstrução infravesical grave (pressão detrusora no fluxo máximo de 95 cmH2O com fluxo máximo de apenas 1 mL/s), a conduta mais adequada é a cirurgia desobstrutiva. Para glândulas muito volumosas (> 80–100 g), a prostatectomia transvesical (técnica aberta ou minimamente invasiva, como a enucleação a laser) é preferível à ressecção transuretral clássica, que tem maior risco de complicações e ressecção incompleta nesses casos.

A retenção urinária aguda é a incapacidade súbita de urinar, geralmente dolorosa, que exige alívio imediato por cateterismo vesical. No homem, a causa mais comum é a obstrução infravesical por hiperplasia prostática benigna (HPB). O caso apresentado reúne elementos clássicos: paciente de 56 anos, próstata de 180 g à ultrassonografia, PSA baixo (1,2 ng/mL, afastando suspeita de neoplasia), função renal preservada (creatinina 0,7) e estudo urodinâmico que confirma obstrução grave — pressão detrusora elevada (95 cmH2O) com fluxo máximo muito reduzido (1 mL/s).

O estudo urodinâmico é o exame que diferencia obstrução de disfunção contrátil do detrusor. Como visto no material de apoio, "a redução do fluxo urinário na presença da pressão vesical elevada confirma o diagnóstico de obstrução, enquanto que, na presença de baixa pressão, indica atividade ineficaz do detrusor". Aqui, a pressão está elevada e o fluxo é mínimo — obstrução infravesical grave confirmada. O tratamento definitivo da obstrução por HPB com retenção urinária refratária é cirúrgico, e a escolha da técnica depende principalmente do volume prostático.

A ressecção transuretral da próstata (RTU) é o padrão-ouro para glândulas de até 80 g. Para próstatas maiores, a RTU clássica tem maior risco de sangramento, síndrome de TURP (absorção de líquido de irrigação) e ressecção incompleta. Nesses casos, a prostatectomia transvesical (aberta) ou as técnicas minimamente invasivas de enucleação (como HoLEP — enucleação a laser de hólmio, ou ThuLEP) são as opções preferenciais. Com 180 g, a próstata deste paciente está muito acima do limite para RTU clássica, tornando a prostatectomia transvesical a conduta mais adequada.

A alternativa D é a única que contempla corretamente o tratamento cirúrgico para próstata de grande volume. As demais alternativas apresentam erros conceituais importantes: a A propõe bloqueio hormonal androgênico (tratamento de câncer de próstata metastático, não de HPB), a B sugere troca do sítio do cateter sem tratar a causa, a C indica RTU clássica (inadequada para 180 g) e a E propõe prostatectomia radical (cirurgia oncológica, sem indicação aqui).

Cirurgia desobstrutiva na HPB
  • 1Volume prostático
    • Até ~80 g
      • RTU clássica
    • Acima de 80–100 g
      • Prostatectomia transvesical (aberta)
      • Enucleação a laser (HoLEP/ThuLEP)
  • 2Tratamentos que NÃO se aplicam
    • Bloqueio hormonal (câncer metastático)
    • Troca de sítio do cateter (não trata causa)
    • Prostatectomia radical (cirurgia oncológica)
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Alternativa A — ❌ Incorreta

O triplo bloqueio com gosserrelina (análogo de GnRH), bicalutamida (antiandrogênico) e abiraterona (inibidor da síntese de andrógenos) é esquema de tratamento do câncer de próstata metastático (castração química + bloqueio androgênico periférico + inibição da CYP17). Não há indicação para reduzir o tamanho de próstata benigna — para isso, usam-se inibidores da 5-alfa-redutase (finasterida, dutasterida), que agem bloqueando a conversão de testosterona em dihidrotestosterona. Além disso, o PSA de 1,2 ng/mL não sugere neoplasia, e a retenção aguda exige tratamento desobstrutivo, não hormonal.

Alternativa B — ❌ Incorreta

Trocar o cateter uretral por suprapúbico e realizar "treinamento vesical" não trata a causa da obstrução. O cateter suprapúbico pode ser útil em casos de falha de sondagem uretral ou necessidade de derivação prolongada, mas não é a conduta definitiva para obstrução grave por HPB. O treinamento vesical (micção cronometrada, dupla micção) é medida comportamental para sintomas leves a moderados, não para retenção urinária com obstrução urodinamicamente grave. O paciente precisa de cirurgia desobstrutiva.

Alternativa C — ❌ Incorreta

A ressecção transuretral clássica (RTU) é o tratamento cirúrgico padrão para HPB com volume prostático até aproximadamente 80 g. Para glândulas de 180 g, a RTU clássica é tecnicamente difícil, com maior risco de sangramento, perfuração capsular, síndrome de TURP (hiponatremia dilucional por absorção de líquido de irrigação) e ressecção incompleta. A alternativa erra ao indicar RTU para um volume muito acima do limite recomendado — o correto é a prostatectomia transvesical ou enucleação a laser.

Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A prostatectomia transvesical (técnica aberta de Freyer) ou minimamente invasiva (enucleação a laser, como HoLEP) é a cirurgia desobstrutiva indicada para próstatas de grande volume (> 80–100 g). Com 180 g, o paciente se enquadra perfeitamente nessa indicação. O estudo urodinâmico confirma obstrução grave (pressão detrusora 95 cmH2O, fluxo máximo 1 mL/s), e a retenção urinária aguda é complicação da HPB que indica tratamento cirúrgico definitivo. A função renal preservada e o PSA baixo permitem proceder com segurança.

Alternativa E — ❌ Incorreta

A prostatectomia radical é cirurgia oncológica, indicada para câncer de próstata localizado, não para HPB. O PSA de 1,2 ng/mL é baixo e não há qualquer dado sugestivo de neoplasia (toque retal não descrito, mas PSA < 4 ng/mL com próstata volumosa é compatível com HPB). Além disso, a prostatectomia radical tem morbidade significativa (incontinência urinária, disfunção erétil) e não é tratamento para obstrução benigna. O "risco de subdiagnóstico de câncer" não justifica cirurgia radical sem evidência de malignidade.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a confusão entre os tipos de cirurgia prostática: RTU (para próstatas < 80 g), prostatectomia transvesical (para próstatas > 80–100 g) e prostatectomia radical (para câncer). O volume de 180 g é a chave — ele elimina a RTU clássica (alternativa C) e aponta para a transvesical (alternativa D). A alternativa E tenta confundir com "risco de câncer", mas o PSA baixo afasta essa hipótese.

PEGA ESSA DICA!

Na prova, decore o limite: RTU até ~80 g; acima disso, prostatectomia transvesical ou enucleação a laser. E lembre: bloqueio hormonal (gosserrelina, bicalutamida, abiraterona) é para câncer metastático, nunca para HPB. Se a alternativa citar esses fármacos, elimine-a imediatamente.

Gabarito: letra D

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