Questão de Medicina — Cirurgia Geral — Avança SP 2025
Medicina›Cirurgia Geral
Código
qg414018
Banca
Avança SP
Órgão
IAMSPE
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Residência Médica - Pré-Requisito - Cirurgia Geral - Projeto Avançado
Sobre o nervo torácico longo e suas implicações em cirurgia torácica, qual das seguintes afirmativas está CORRETA?
AO nervo torácico longo é profundo e raramente lesado em procedimentos cirúrgicos torácicos.
BA lesão do nervo torácico longo resulta em perda da adução do braço e incapacidade de elevação da escápula.
CO nervo torácico longo encontra-se superficial no músculo serrátil anterior e sua lesão resulta em escápula alada, sendo frequentemente lesado em mastectomia radical, toracotomias e punhaladas no tórax lateral.
DCom o aumento da cirurgia torácica videoassistida nos últimos 20 anos, houve aumento significativo das lesões ao nervo torácico longo.
EA escápula alada não está relacionada a procedimentos como toracotomia transaxilar ou ressecção de primeira costela.
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GabaritoE — A escápula alada não está relacionada a procedimentos como toracotomia transaxilar ou ressecção de primeira costela.
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Nervo torácico longo e escápula alada em cirurgia torácica
Gabarito: letra C. O nervo torácico longo é um ramo do plexo braquial que se posiciona superficialmente sobre o músculo serrátil anterior; sua lesão causa paralisia desse músculo e resulta em escápula alada, sendo classicamente lesado em mastectomia radical, toracotomias e feridas penetrantes na parede lateral do tórax. A afirmativa C descreve com precisão essa anatomia e as consequências clínicas, sendo a única correta entre as opções.
O nervo torácico longo origina-se das raízes cervicais C5, C6 e C7 do plexo braquial e desce pela face lateral do tórax, inervando o músculo serrátil anterior. Esse músculo é responsável por manter a escápula aplicada contra o gradil costal e por participar da rotação superior da escápula durante a abdução e elevação do braço. Quando o nervo é lesado, o serrátil anterior perde sua função, e a borda medial da escápula se desprende do tórax, formando a deformidade conhecida como escápula alada — o sinal clínico mais característico dessa lesão.
A vulnerabilidade do nervo torácico longo decorre justamente de sua posição anatômica: ele é superficial, percorrendo a face externa do serrátil anterior, coberto apenas por fáscia e pele. Essa localização o expõe a lesões iatrogênicas em procedimentos como mastectomia radical (especialmente na dissecção da cadeia linfática axilar), toracotomias, drenagens torácicas e biópsias de linfonodos cervicais — situação em que o nervo pode ser confundido com um vaso linfático. Além disso, feridas penetrantes na parede lateral do tórax, como punhaladas, podem seccionar diretamente o nervo.
A escápula alada é o sinal clínico mais característico da lesão do nervo torácico longo. O paciente apresenta dificuldade em elevar o braço acima da cabeça e, ao empurrar uma parede com os braços estendidos, a borda medial da escápula se projeta para trás, afastando-se do tórax. Essa deformidade é classicamente descrita em livros de anatomia e cirurgia, como o tratado de anatomia de Moore, que menciona a lesão do nervo torácico longo como causa de escápula alada, podendo ocorrer espontaneamente em indivíduos que exercem trabalhos pesados ou após procedimentos médicos como biópsia de gânglio linfático cervical.
A banca explora a confusão entre a função do serrátil anterior e a de outros músculos do ombro. Enquanto o serrátil anterior é responsável pela protração e rotação superior da escápula, a adução do braço é realizada principalmente pelo peitoral maior e pelo latíssimo do dorso. A lesão do nervo torácico longo não compromete a adução, mas sim a capacidade de elevar o braço acima da cabeça e de manter a escápula aplicada ao tórax. Essa distinção é crucial para responder corretamente à questão.
Guarde a fronteira entre a função do serrátil anterior (protração e rotação superior da escápula) e a de outros músculos do ombro (adução, abdução): é exatamente nela que as alternativas se dividem.
Nervo torácico longo: Origem (Plexo braquial (C5, C6, C7)); Trajeto (Superficial sobre o serrátil anterior); Função do serrátil anterior (Protração da escápula, Rotação superior da escápula); Lesão (Escápula alada, Dificuldade de elevar o braço); Causas (Mastectomia radical, Toracotomia, Ferida penetrante no tórax)
Alternativa A — ❌ Incorreta
Afirma que o nervo torácico longo é profundo e raramente lesado. Isso é o oposto da realidade: o nervo é superficial, percorrendo a face externa do serrátil anterior, coberto apenas por fáscia e pele. Essa posição superficial o torna vulnerável a lesões iatrogênicas e traumáticas, sendo frequentemente lesado em mastectomia radical, toracotomias e feridas penetrantes. A banca inverte a profundidade do nervo para confundir o candidato.
Alternativa B — ❌ Incorreta
Afirma que a lesão do nervo torácico longo resulta em perda da adução do braço e incapacidade de elevação da escápula. O erro está na primeira parte: a adução do braço é realizada principalmente pelo peitoral maior e pelo latíssimo do dorso, não pelo serrátil anterior. A lesão do nervo torácico longo compromete a protração e a rotação superior da escápula, causando escápula alada e dificuldade de elevar o braço acima da cabeça, mas não afeta a adução. A banca troca a função do serrátil anterior pela de outros músculos do ombro.
Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO
Descreve com precisão a anatomia e as consequências clínicas da lesão do nervo torácico longo. O nervo é superficial no músculo serrátil anterior, e sua lesão resulta em escápula alada, sendo frequentemente lesado em mastectomia radical, toracotomias e punhaladas no tórax lateral. Essa afirmativa está correta e é a única que reflete o conhecimento anatômico e cirúrgico adequado.
Alternativa D — ❌ Incorreta
Afirma que houve aumento significativo das lesões ao nervo torácico longo com o aumento da cirurgia torácica videoassistida nos últimos 20 anos. Isso é incorreto: a cirurgia videoassistida é minimamente invasiva e, na verdade, reduz o trauma cirúrgico e a incidência de lesões iatrogênicas, incluindo as do nervo torácico longo. A banca sugere o oposto do que ocorre na prática cirúrgica moderna.
Alternativa E — ❌ Incorreta
Afirma que a escápula alada não está relacionada a procedimentos como toracotomia transaxilar ou ressecção de primeira costela. Isso é falso: esses procedimentos podem lesar o nervo torácico longo, que percorre a face lateral do tórax, e causar escápula alada. A banca nega uma relação que é bem documentada na literatura cirúrgica.
NÃO CAIA NESSA!
A banca adora inverter a profundidade do nervo (alternativa A) e trocar a função do serrátil anterior pela de outros músculos do ombro (alternativa B). Lembre-se: o nervo torácico longo é superficial, e sua lesão causa escápula alada, não perda da adução. Com treino, você enxerga essas trocas de longe 💪
PEGA ESSA DICA!
Para memorizar a função do serrátil anterior, pense na "protração" — ele puxa a escápula para frente, como em um empurrão. A lesão do nervo torácico longo causa escápula alada, que é o sinal clássico. Compare com a adução, que é feita pelo peitoral maior e latíssimo do dorso.