Questão de Medicina — Cardiologia e Alterações Vasculares — Avança SP 2025
Medicina›Cardiologia e Alterações Vasculares
Código
qg414019
Banca
Avança SP
Órgão
IAMSPE
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Residência Médica - Pré-Requisito - Cirurgia Geral - Projeto Avançado
Em relação à cirurgia de revascularização miocárdica (CABG - Coronary Artery Bypass Grafting), observam-se preferências quanto aos condutos utilizados. Qual a taxa de permeabilidade da artéria mamária interna esquerda em 10 anos e qual a taxa de oclusão dos enxertos de veia safena em 1 ano?
AArtéria mamária interna: > 80% em 10 anos; Veia safena: até 15% de oclusão em 1 ano.
BArtéria mamária interna: > 90% em 10 anos; Veia safena: até 25% de oclusão em 1 ano.
CArtéria mamária interna: > 95% em 10 anos; Veia safena: até 30% de oclusão em 1 ano.
DArtéria mamária interna: > 85% em 10 anos; Veia safena: até 20% de oclusão em 1 ano.
EArtéria mamária interna: > 70% em 10 anos; Veia safena: até 10% de oclusão em 1 ano.
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GabaritoD — Artéria mamária interna: > 85% em 10 anos; Veia safena: até 20% de oclusão em 1 ano.
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Cirurgia de revascularização miocárdica: condutos e permeabilidade
Gabarito: letra D. A artéria mamária interna esquerda (AMIE) apresenta taxa de permeabilidade superior a 85% em 10 anos, enquanto os enxertos de veia safena apresentam até 20% de oclusão em 1 ano. Esses valores refletem a superioridade do conduto arterial sobre o venoso, sendo a AMIE o enxerto de escolha para a artéria descendente anterior, conforme as diretrizes de revascularização miocárdica (ESC/EACTS 2018).
A cirurgia de revascularização miocárdica (CABG) é o tratamento cirúrgico da doença arterial coronariana obstrutiva, consistindo na criação de pontes (bypasses) que desviam o fluxo sanguíneo das obstruções coronarianas. A escolha do conduto é um dos fatores mais importantes para o sucesso do procedimento, pois determina a durabilidade da revascularização e, consequentemente, os desfechos clínicos em longo prazo.
Os dois condutos mais utilizados são a artéria mamária interna (torácica interna) e a veia safena magna. A artéria mamária interna esquerda é o padrão-ouro para revascularizar a artéria descendente anterior, devido à sua excelente permeabilidade em longo prazo. Estudos clássicos demonstram que a permeabilidade da AMIE em 10 anos é superior a 85%, com muitos autores citando taxas de 90-95%. Essa durabilidade excepcional decorre de características biológicas únicas: a artéria mamária interna é resistente à aterosclerose, possui endotélio com produção de óxido nítrico e prostaciclina, e mantém um diâmetro compatível com o fluxo coronariano.
Em contrapartida, a veia safena, embora seja um conduto de fácil obtenção e manuseio, apresenta taxas de oclusão significativamente maiores. A oclusão precoce (em 1 ano) ocorre em até 20% dos casos, principalmente por trombose, relacionada a trauma de manipulação, descamação endotelial e exposição a altas pressões. A oclusão tardia (5-10 anos) é causada por aterosclerose acelerada do enxerto venoso. Essa diferença de comportamento entre os condutos explica por que a AMIE é preferida para a artéria mais importante (descendente anterior), enquanto a veia safena é utilizada para as demais artérias coronárias.
A banca explora a memorização desses valores numéricos, que são amplamente citados na literatura de cirurgia cardiovascular. O candidato deve estar atento não apenas aos números, mas também à lógica: a AMIE tem permeabilidade alta (>85%) e a veia safena tem oclusão precoce considerável (até 20%). A alternativa correta é a que combina esses dois valores.
Alternativa A — ❌ Incorreta
A alternativa afirma que a AMIE tem permeabilidade >80% em 10 anos e a veia safena até 15% de oclusão em 1 ano. O valor da AMIE está abaixo do esperado (o correto é >85%), e o da veia safena está subestimado (o correto é até 20%). A banca utiliza valores próximos, mas incorretos, para confundir o candidato.
Alternativa B — ❌ Incorreta
A alternativa afirma que a AMIE tem permeabilidade >90% em 10 anos e a veia safena até 25% de oclusão em 1 ano. Embora a permeabilidade da AMIE possa chegar a 90-95% em alguns estudos, o valor consagrado e mais citado é >85%. O valor da veia safena (25%) está superestimado em relação ao padrão de até 20%.
Alternativa C — ❌ Incorreta
A alternativa afirma que a AMIE tem permeabilidade >95% em 10 anos e a veia safena até 30% de oclusão em 1 ano. O valor de 95% é otimista demais para 10 anos, e o de 30% para a veia safena é excessivo. A banca exagera nos números para criar um distrator.
Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A alternativa afirma que a AMIE tem permeabilidade >85% em 10 anos e a veia safena até 20% de oclusão em 1 ano. Esses são os valores clássicos e mais aceitos na literatura de cirurgia cardiovascular, refletindo a superioridade do conduto arterial sobre o venoso.
Alternativa E — ❌ Incorreta
A alternativa afirma que a AMIE tem permeabilidade >70% em 10 anos e a veia safena até 10% de oclusão em 1 ano. O valor da AMIE está muito abaixo do real (o correto é >85%), e o da veia safena está subestimado (o correto é até 20%). A banca inverte a lógica, subestimando a AMIE e superestimando a veia safena.
NÃO CAIA NESSA!
A banca explora a memorização de valores numéricos, criando alternativas com números próximos, mas incorretos. O candidato que não domina os valores exatos pode ser induzido a escolher uma alternativa com números "parecidos". A chave é lembrar que a AMIE tem permeabilidade >85% em 10 anos e a veia safena tem até 20% de oclusão em 1 ano.
PEGA ESSA DICA!
Para fixar, associe a AMIE a um valor alto (>85%) e a veia safena a um valor moderado (até 20%). Lembre-se de que a veia safena é um conduto venoso, mais sujeito a trombose e aterosclerose, enquanto a AMIE é um conduto arterial, mais resistente. Essa lógica ajuda a eliminar alternativas com valores extremos.