Questão de Medicina — Pediatria e Neonatologia — Avança SP 2025
Medicina›Pediatria e Neonatologia
Código
qg414031
Banca
Avança SP
Órgão
IAMSPE
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Residência Médica - Pré-Requisito - Cirurgia Geral - Projeto Avançado
Em relação à criptorquidia, o protocolo estabelece diretrizes específicas sobre o momento adequado para encaminhamento ao cirurgião pediátrico. Qual a recomendação quanto ao início e conclusão do tratamento?
ADeve ser iniciado após o 2º ano de vida e completado até o 5º ano de vida.
BDeve ser iniciado a partir do 6º mês de vida e completado ao término do 2º ano de vida.
CDeve ser iniciado imediatamente ao nascimento e completado até o 6º mês de vida.
DDeve ser aguardada a puberdade para definição da conduta cirúrgica.
EDeve ser iniciado aos 12 meses e completado até 18 meses de vida.
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GabaritoB — Deve ser iniciado a partir do 6º mês de vida e completado ao término do 2º ano de vida.
Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.
Criptorquidia: momento do tratamento cirúrgico
Gabarito: letra B. A recomendação atual é iniciar o tratamento a partir do 6º mês de vida e completá-lo até o término do 2º ano de vida. Essa janela reflete o entendimento de que a descida espontânea do testículo raramente ocorre após os 6 meses, e que a correção precoce preserva a função testicular e a fertilidade futura.
A criptorquidia é a falha na descida de um ou ambos os testículos para a bolsa escrotal. É a anomalia genital mais comum em meninos, afetando cerca de 3% dos nascidos a termo. O diagnóstico é clínico, pelo exame físico, e o tratamento é essencialmente cirúrgico (orquidopexia). A grande questão é o momento ideal para a cirurgia, que mudou ao longo das últimas décadas.
Antigamente, a cirurgia era adiada para depois dos 2 anos de idade. No entanto, estudos mostraram que a espera prolongada causa danos progressivos às células germinativas (espermatogônias), comprometendo a fertilidade. Por isso, as diretrizes atuais — incluindo as da Sociedade Brasileira de Pediatria e de sociedades internacionais — recomendam a correção precoce.
O raciocínio por trás da janela de 6 meses a 2 anos é duplo:
Por que iniciar a partir dos 6 meses? Porque a descida espontânea do testículo pode ocorrer até os 6 meses de vida. Antes disso, há uma chance razoável de o testículo descer sozinho, tornando a cirurgia desnecessária. Após os 6 meses, essa chance é mínima, e a conduta expectante não se justifica.
Por que completar até o 2º ano? Porque é nesse período que ocorre a maturação das células germinativas. A partir dos 2 anos, o testículo criptorquídico já apresenta alterações histológicas irreversíveis, com perda progressiva de células germinativas. A cirurgia realizada antes desse marco preserva melhor a função testicular e reduz o risco de infertilidade.
Na prática, o fluxo é: o pediatra diagnostica a criptorquidia no exame físico do recém-nascido e acompanha o paciente. Se o testículo não descer espontaneamente até os 6 meses, o paciente é encaminhado ao cirurgião pediátrico para a orquidopexia, que deve ser realizada idealmente entre 6 e 12 meses, mas sempre antes dos 2 anos.
A pegadinha desta questão está em confundir a janela correta com prazos antigos ou exagerados. A alternativa A (2 a 5 anos) reflete a conduta ultrapassada; a C (nascimento a 6 meses) é precoce demais, pois não respeita a chance de descida espontânea; a D (aguardar a puberdade) é completamente equivocada, pois a espera até a puberdade causa danos irreversíveis; e a E (12 a 18 meses) está dentro da janela aceitável, mas não é a recomendação mais precisa, que prioriza o início aos 6 meses.
Guarde a fronteira: descida espontânea até 6 meses → cirurgia a partir de 6 meses → conclusão até 2 anos. É exatamente nessa linha que as alternativas se dividem.
0–6 mesesDescida espontânea possível
6 mesesInício do tratamento
6–12 mesesOrquidopexia ideal
Até 2 anosConclusão obrigatória
Após 2 anosDano irreversível
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Alternativa A — ❌ Incorreta
Afirma que o tratamento deve ser iniciado após o 2º ano de vida e completado até o 5º ano. Isso reflete a conduta ultrapassada, que foi abandonada porque a espera até os 2 anos já causa danos irreversíveis às células germinativas. O início após os 2 anos compromete a fertilidade e aumenta o risco de malignidade. A recomendação atual é iniciar aos 6 meses e completar até os 2 anos.
Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO
Esta é a recomendação exata: iniciar a partir do 6º mês de vida (quando a descida espontânea não ocorreu) e completar até o término do 2º ano de vida. Essa janela preserva a função testicular, pois a cirurgia é realizada antes do dano histológico irreversível às células germinativas, que se inicia por volta dos 2 anos.
Alternativa C — ❌ Incorreta
Afirma que o tratamento deve ser iniciado imediatamente ao nascimento e completado até os 6 meses. Isso é precoce demais: até os 6 meses, há chance de descida espontânea do testículo, e a cirurgia nesse período seria desnecessária em muitos casos. A conduta correta é aguardar os 6 meses e, se o testículo não descer, então operar.
Alternativa D — ❌ Incorreta
Afirma que se deve aguardar a puberdade para definir a conduta cirúrgica. Isso é gravemente equivocado: a espera até a puberdade causa danos irreversíveis às células germinativas, comprometendo a fertilidade, e aumenta o risco de neoplasia testicular. A cirurgia deve ser feita antes dos 2 anos, não na puberdade.
Alternativa E — ❌ Incorreta
Afirma que o tratamento deve ser iniciado aos 12 meses e completado até 18 meses. Embora essa janela esteja dentro do prazo aceitável (antes dos 2 anos), ela não é a recomendação mais precisa. A diretriz atual prioriza o início aos 6 meses, pois a descida espontânea já não é esperada após essa idade, e a cirurgia precoce oferece os melhores resultados funcionais.
NÃO CAIA NESSA!
A banca explora a confusão entre a conduta antiga (cirurgia após os 2 anos) e a atual (cirurgia entre 6 meses e 2 anos). A alternativa A traz exatamente o prazo ultrapassado, e a E traz um prazo parcialmente correto, mas não o ideal. O candidato que não conhece a atualização das diretrizes cai na A. Lembre-se: a regra de ouro é 6 meses a 2 anos — nada de esperar até os 5 anos ou até a puberdade.