Questão de Medicina — Pneumologia — Avança SP 2025
Medicina›Pneumologia
Código
qg414040
Banca
Avança SP
Órgão
IAMSPE
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Residência Médica - Pré-Requisito - Cirurgia Geral - Projeto Avançado
Em um paciente politraumatizado submetido à toracostomia tubular para tratamento de lesão torácica aguda, considere as complicações pósprocedimento mais observadas na prática. Indique a alternativa que apresenta a complicação mais frequente associada à drenagem de tórax no contexto de urgência:
AEmpiema pleural.
BLesão do feixe neurovascular intercostal.
CFístula broncopleural.
DEdema pulmonar por reexpansão.
EMau posicionamento do dreno.
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GabaritoB — Lesão do feixe neurovascular intercostal.
Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.
Complicações da drenagem torácica no trauma
Gabarito: letra B. A complicação mais frequente associada à toracostomia tubular de urgência é a lesão do feixe neurovascular intercostal, decorrente da passagem do dreno em local inadequado ou com técnica incorreta. Embora o mau posicionamento do dreno seja uma complicação comum, a lesão do feixe neurovascular intercostal é a mais frequentemente observada na prática, especialmente em procedimentos de urgência realizados por profissionais menos experientes.
A drenagem torácica (toracostomia tubular) é o procedimento padrão para o tratamento de pneumotórax e hemotórax no trauma. A técnica clássica consiste na passagem do dreno no 5º espaço intercostal, na linha axilar média, com dissecção romba sobre a borda superior da costela. O ponto crítico é que o feixe neurovascular intercostal (artéria, veia e nervo) corre no sulco costal, na borda inferior de cada costela. Por isso, a passagem do dreno deve ser feita acima da costela (na borda superior), para evitar a lesão desse feixe. Quando o dreno é introduzido abaixo da costela, ou com técnica inadequada, pode ocorrer laceração dos vasos intercostais, levando a sangramento significativo, que pode ser de difícil controle e até mesmo fatal.
A frequência dessa complicação é maior em situações de urgência, onde o procedimento é realizado rapidamente, muitas vezes por profissionais em treinamento, e com o paciente em condições instáveis. Estudos mostram que a lesão do feixe neurovascular intercostal é a complicação mais comum da drenagem torácica, superando o mau posicionamento do dreno, o empiema e outras complicações. O mau posicionamento, embora frequente, muitas vezes é detectado e corrigido com a radiografia de tórax de controle, enquanto a lesão vascular pode ter consequências imediatas e graves.
As demais complicações listadas — empiema pleural, fístula broncopleural e edema pulmonar por reexpansão — são complicações possíveis, porém menos frequentes que a lesão do feixe neurovascular. O empiema é uma complicação tardia, relacionada à infecção da cavidade pleural, e ocorre em uma minoria dos casos. A fístula broncopleural é uma complicação rara, geralmente associada a lesões mais extensas ou a procedimentos cirúrgicos. O edema pulmonar por reexpansão é uma complicação potencialmente grave, mas que ocorre principalmente quando há drenagem rápida de grandes volumes de líquido ou ar, sendo menos comum na prática clínica.
A banca explora aqui a confusão entre "complicação mais frequente" e "complicação mais grave" ou "complicação mais conhecida". O mau posicionamento do dreno é uma complicação muito discutida e facilmente identificada na radiografia, mas a lesão do feixe neurovascular é a mais frequente na prática, especialmente em procedimentos de urgência. É importante que o aluno conheça a técnica correta de drenagem e as complicações mais comuns, para que possa preveni-las e tratá-las adequadamente.
Complicações da drenagem torácica
1Mais frequente
Lesão do feixe neurovascular intercostal
Passagem abaixo da costela
Sangramento de difícil controle
2Comuns
Mau posicionamento do dreno
Detectado na radiografia
Corrigível com reposição
3Menos frequentes
Empiema pleural (tardio, infeccioso)
Edema pulmonar por reexpansão (drenagem rápida)
Fístula broncopleural (rara, cirúrgica)
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Alternativa A — ❌ Incorreta
O empiema pleural é uma complicação possível da drenagem torácica, mas não é a mais frequente. O empiema é uma infecção da cavidade pleural que ocorre em uma minoria dos casos, geralmente relacionada a drenagem prolongada, contaminação do sistema de drenagem ou falha na resolução do processo infeccioso inicial. É uma complicação tardia e que pode ser prevenida com técnica asséptica adequada e remoção precoce do dreno.
Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A lesão do feixe neurovascular intercostal é a complicação mais frequente da drenagem torácica, especialmente em procedimentos de urgência. O feixe neurovascular corre na borda inferior de cada costela, e a passagem do dreno deve ser feita acima da costela para evitá-lo. A lesão pode causar sangramento significativo, que pode ser de difícil controle. A técnica correta de drenagem, com dissecção romba sobre a borda superior da costela, é essencial para prevenir essa complicação.
Alternativa C — ❌ Incorreta
A fístula broncopleural é uma complicação rara da drenagem torácica, geralmente associada a lesões mais extensas, como laceração brônquica, ou a procedimentos cirúrgicos. Não é a complicação mais frequente. A fístula broncopleural se manifesta com escape aéreo persistente pelo dreno e pode exigir tratamento cirúrgico.
Alternativa D — ❌ Incorreta
O edema pulmonar por reexpansão é uma complicação potencialmente grave, mas não é a mais frequente. Ocorre quando há drenagem rápida de grandes volumes de líquido ou ar, levando a um rápido reexpandir do pulmão e a um aumento da permeabilidade capilar, com extravasamento de líquido para o interstício pulmonar. É mais comum em drenagens de grandes derrames pleurais ou pneumotórax de longa duração, e não na drenagem de urgência no trauma.
Alternativa E — ❌ Incorreta
O mau posicionamento do dreno é uma complicação comum, mas não é a mais frequente. O mau posicionamento pode ocorrer quando o dreno é introduzido em local inadequado, como no subcutâneo, na fissura pulmonar ou no mediastino. É facilmente identificado na radiografia de tórax de controle e pode ser corrigido com a reposição do dreno. A lesão do feixe neurovascular intercostal é mais frequente e tem consequências mais graves.
NÃO CAIA NESSA!
A banca troca a complicação mais frequente (lesão do feixe neurovascular intercostal) pela complicação mais conhecida ou mais facilmente identificada (mau posicionamento do dreno). O candidato que não conhece a frequência real das complicações tende a escolher a alternativa E, por ser uma complicação muito discutida e facilmente visível na radiografia. Lembre-se: a lesão do feixe neurovascular é a mais comum, especialmente em procedimentos de urgência.
PEGA ESSA DICA!
Para memorizar as complicações da drenagem torácica, pense na ordem de frequência: 1) lesão do feixe neurovascular intercostal, 2) mau posicionamento do dreno, 3) empiema, 4) edema pulmonar por reexpansão, 5) fístula broncopleural. A lesão do feixe neurovascular é a mais frequente porque está diretamente relacionada à técnica de inserção, que é o ponto mais crítico do procedimento.