Residência Médica - Pré-Requisito - Cirurgia Geral - Projeto Avançado
Um adulto jovem sofreu trauma torácico fechado, evoluiu com pneumotórax e foi submetido à drenagem em selo d’água. Na reavaliação, o pulmão encontra-se totalmente reexpandido à radiografia, sem fuga aérea ao repouso e com parâmetros clínicos estáveis. Indique a conduta imediata mais apropriada para o dreno de tórax nesse cenário:
AManter o dreno por 72 h e trocá-lo preventivamente para evitar empiema.
BClampear o dreno por 24 h e, se mantida a expansão, realizar nova troca do sistema coletor.
CPrescrever antibioticoprofilaxia rotineira e manter o dreno até o 5º dia.
DProgramar a retirada do dreno, por se tratar de medida temporária após reexpansão pulmonar.
EConverter o sistema para sucção contínua por mais 48 h antes de decidir retirada.
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GabaritoC — Prescrever antibioticoprofilaxia rotineira e manter o dreno até o 5º dia.
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Drenagem torácica no pneumotórax: critérios para retirada do dreno
Gabarito: letra D. No pneumotórax traumático drenado, uma vez confirmada a reexpansão pulmonar total à radiografia, ausência de fuga aérea ao repouso e estabilidade clínica, a conduta imediata é programar a retirada do dreno — trata-se de medida temporária que cumpriu seu papel. As demais alternativas propõem condutas sem respaldo (troca preventiva, clampeamento prolongado, antibioticoprofilaxia rotineira ou sucção contínua adicional), que não são indicadas nesse cenário.
O dreno torácico em selo d'água é o tratamento padrão do pneumotórax traumático que requer intervenção. Seu objetivo é evacuar o ar do espaço pleural, permitindo que o pulmão reexpanda e que as pleuras visceral e parietal voltem a se aproximar, restaurando a pressão negativa intrapleural. O material de apoio descreve exatamente essa função: "Inserir um tubo torácico (drenagem torácica) para remover o ar acumulado e restaurar a pressão negativa no espaço pleural". Uma vez atingido esse objetivo — pulmão totalmente reexpandido, sem fuga aérea e com o paciente estável —, o dreno não tem mais função e deve ser retirado.
Os critérios clássicos para retirada do dreno torácico no pneumotórax são: (1) reexpansão pulmonar completa confirmada por radiografia; (2) ausência de fuga aérea (borbulhamento) no selo d'água, geralmente observada por um período de observação; e (3) drenagem de líquido ausente ou mínima. No caso do enunciado, todos esses critérios foram preenchidos: o pulmão está totalmente reexpandido à radiografia, não há fuga aérea ao repouso e os parâmetros clínicos estão estáveis. Portanto, a conduta imediata é programar a retirada do dreno.
A retirada do dreno é um procedimento simples, realizado à beira do leito, com o paciente em apneia ou em expiração forçada, seguido de curativo oclusivo. Não há necessidade de clampeamento prévio rotineiro, troca do sistema coletor, antibioticoprofilaxia ou manutenção prolongada do dreno. Essas medidas não têm respaldo na literatura e podem até aumentar o risco de complicações, como infecção ou desconforto desnecessário.
A pegadinha desta questão está em propor condutas que parecem "cautelosas" ou "preventivas", mas que não são indicadas na prática clínica. O candidato pode ser tentado a escolher uma alternativa que sugira manter o dreno por mais tempo ou realizar alguma intervenção adicional, mas a conduta correta é simplesmente retirar o dreno quando os critérios de reexpansão e ausência de fuga aérea são atingidos.
1Reexpansão pulmonar total
2Sem fuga aérea
3Drenagem mínima/ausente
4Paciente estável
5Retirar o dreno
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Alternativa A — ❌ Incorreta
Manter o dreno por 72 h e trocá-lo preventivamente para evitar empiema não é indicado. A troca preventiva do dreno não reduz o risco de empiema e expõe o paciente a um procedimento desnecessário, com risco de complicações como sangramento, dor e nova lesão pulmonar. O empiema é prevenido com técnica asséptica na inserção e manejo adequado do dreno, não com trocas rotineiras. Além disso, uma vez reexpandido o pulmão e sem fuga aérea, o dreno deve ser retirado, não mantido por tempo fixo.
Alternativa B — ❌ Incorreta
Clampear o dreno por 24 h e, se mantida a expansão, realizar nova troca do sistema coletor não é a conduta imediata apropriada. O clampeamento do dreno é uma medida que pode ser considerada em situações específicas (como para avaliar se o paciente tolera a retirada), mas não é rotineiramente indicada e não deve ser feita por 24 h. Além disso, a troca do sistema coletor não é necessária se o sistema estiver funcionando adequadamente. A conduta correta é retirar o dreno, não clampear e trocar o sistema.
Alternativa C — ❌ Incorreta
Prescrever antibioticoprofilaxia rotineira e manter o dreno até o 5º dia não é indicado. A antibioticoprofilaxia não é recomendada rotineiramente para drenagem torácica no pneumotórax traumático, pois não há evidência de redução de infecções e pode selecionar bactérias resistentes. Além disso, manter o dreno até o 5º dia, sem critérios clínicos, prolonga desnecessariamente o tempo de drenagem e aumenta o risco de complicações. A retirada deve ser baseada nos critérios de reexpansão e ausência de fuga aérea, não em um tempo fixo.
Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO
Programar a retirada do dreno é a conduta imediata mais apropriada, pois o dreno é uma medida temporária que cumpriu seu papel: o pulmão está totalmente reexpandido, sem fuga aérea e o paciente está estável. A retirada do dreno é indicada quando há reexpansão pulmonar completa, ausência de fuga aérea e drenagem mínima ou ausente. Nesse cenário, manter o dreno por mais tempo não traz benefícios e pode aumentar o risco de complicações.
Alternativa E — ❌ Incorreta
Converter o sistema para sucção contínua por mais 48 h antes de decidir retirada não é indicado. A sucção contínua é utilizada quando há fuga aérea persistente ou quando o pulmão não reexpande adequadamente. No caso descrito, o pulmão já está totalmente reexpandido e não há fuga aérea, portanto não há indicação de sucção contínua. A conduta correta é retirar o dreno, não prolongar a drenagem com sucção.
PEGA ESSA DICA!
Para questões de drenagem torácica, memorize os critérios de retirada: reexpansão pulmonar completa, ausência de fuga aérea e drenagem mínima. Desconfie de alternativas que propõem manter o dreno por tempo fixo, trocas preventivas ou antibioticoprofilaxia rotineira — essas condutas não são respaldadas pela prática clínica.