Pular para o conteúdo principal

Questão de Medicina — Neurologia — Avança SP 2025

MedicinaNeurologia
Código
qg414049
Banca
Avança SP
Órgão
IAMSPE
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Residência Médica - Pré-Requisito - Medicina Paliativa
Em relação às manifestações neurológicas da Doença de Wilson, assinale a alternativa correta:
  1. ADisartria é um dos sintomas mais precoces e prevalentes.
  2. BCoreia é o distúrbio de movimento mais comum.
  3. CAnéis de Kayser-Fleischer estão presentes em até metade dos pacientes com sintomas neurológicos.
  4. DAs manifestações neurológicas são mais comuns na doença de início na infância.
  5. EAs manifestações neurológicas normalmente antecedem as hepáticas.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoA — Disartria é um dos sintomas mais precoces e prevalentes.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Manifestações neurológicas da Doença de Wilson

Gabarito: letra A. A disartria é, de fato, um dos sintomas neurológicos mais precoces e prevalentes da doença de Wilson, aparecendo em cerca de 91% dos pacientes com acometimento neurológico, conforme estudo do Hospital das Clínicas da USP citado na literatura. As demais alternativas apresentam erros conceituais: a coreia não é o distúrbio de movimento mais comum (são mais comuns disartria, distúrbios da marcha, distonia, rigidez e tremor), os anéis de Kayser-Fleischer estão presentes na quase totalidade dos casos neurológicos (não em metade), as manifestações neurológicas são mais comuns em adolescentes e adultos jovens (não na infância, quando predomina a forma hepática) e, na maioria dos casos, as manifestações hepáticas precedem as neurológicas.

A doença de Wilson é uma condição autossômica recessiva rara, causada por mutações no gene ATP7B (cromossomo 13q14.3), que leva ao acúmulo de cobre no organismo, principalmente no fígado e no cérebro. O cobre se deposita em diversos órgãos, e as manifestações clínicas dependem do local de deposição. Por ser o primeiro órgão acometido, o fígado é o principal alvo na infância, com quadros que vão de hepatomegalia assintomática e transaminases elevadas até cirrose e insuficiência hepática aguda. Já as manifestações neurológicas tendem a surgir mais tardiamente, geralmente na segunda ou terceira décadas de vida, quando o cobre já se acumulou nos núcleos da base.

Os sintomas neurológicos são predominantemente extrapiramidais. O estudo retrospectivo do HC-FMUSP (1963–2004) mostrou a seguinte frequência: disartria (91%), distúrbios da marcha (75%), risus sardonicus (72%), distonia (69%), rigidez (66%), tremores (60%) e disfagia (50%). A disartria, portanto, é o sintoma mais frequente e costuma ser um dos primeiros a aparecer, frequentemente associada a movimentos lentos da língua e discinesia orofacial, incluindo o "riso sardônico". O tremor clássico é o "tremor adejante" (wing-beating), irregular e espasmódico, que combinado com disartria sugere fortemente o diagnóstico.

Os anéis de Kayser-Fleischer são a manifestação ocular característica, visíveis como uma faixa marrom-dourada na membrana de Descemet da córnea, próximos ao limbo. Estão presentes na quase totalidade dos pacientes com acometimento neurológico (mais de 90%), mas não são exclusivos da doença de Wilson, podendo ocorrer em outras condições hepatobiliares. O diagnóstico é clínico-laboratorial, com dosagem de ceruloplasmina sérica, cuprúria de 24 horas e biomicroscopia com lâmpada de fenda, além do escore de Leipzig.

A forma neurológica é mais comum em adolescentes e adultos jovens, com idade média de início em torno dos 20 anos, e não na infância. Na infância, predomina a forma hepática. Além disso, na maioria dos casos, os pacientes com manifestações neurológicas já desenvolveram a forma hepática, mesmo que assintomática — ou seja, as manifestações hepáticas normalmente precedem as neurológicas, e não o contrário.

A banca explora exatamente essas inversões: troca a prevalência da disartria pela coreia, subestima a frequência dos anéis de Kayser-Fleischer, inverte a faixa etária de maior ocorrência da forma neurológica e inverte a ordem de aparecimento das manifestações hepáticas e neurológicas. Guarde esses quatro pontos: eles são o critério que separa as alternativas.

Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A disartria é, de fato, um dos sintomas mais precoces e prevalentes da doença de Wilson. No estudo do HC-FMUSP, foi o achado mais comum, presente em 91% dos pacientes com manifestações neurológicas. Ela resulta do comprometimento dos núcleos da base e pode se manifestar como disartria espástica, atáxica ou hipocinética, frequentemente associada a disfagia e discinesia orofacial. A alternativa está correta ao afirmar que é um dos sintomas mais precoces e prevalentes.

Alternativa B — ❌ Incorreta

A coreia não é o distúrbio de movimento mais comum na doença de Wilson. Embora possa ocorrer, os sintomas mais frequentes são disartria (91%), distúrbios da marcha (75%), risus sardonicus (72%), distonia (69%), rigidez (66%) e tremores (60%). A coreia é a manifestação prototípica de outras doenças, como a doença de Huntington, mas na doença de Wilson o quadro é dominado por disartria, distonia, rigidez e tremor. A banca troca o distúrbio mais comum (disartria) por um menos frequente (coreia).

Alternativa C — ❌ Incorreta

Os anéis de Kayser-Fleischer estão presentes na quase totalidade dos pacientes com sintomas neurológicos, não em até metade. A literatura relata que estão presentes em mais de 90% dos casos com acometimento neurológico. A alternativa subestima a prevalência, o que a torna incorreta. Vale lembrar que os anéis não são exclusivos da doença de Wilson, mas sua presença em paciente com sintomas neurológicos é altamente sugestiva.

Alternativa D — ❌ Incorreta

As manifestações neurológicas são mais comuns em adolescentes e adultos jovens, com idade média de início em torno dos 20 anos, e não na infância. Na infância, predomina a forma hepática, pois o fígado é o primeiro órgão a acumular cobre. A forma neurológica tende a se apresentar mais tardiamente, geralmente na segunda ou terceira décadas de vida. A alternativa inverte a faixa etária de maior ocorrência.

Alternativa E — ❌ Incorreta

Na maioria dos casos, as manifestações hepáticas precedem as neurológicas, mesmo que de forma assintomática. O fígado é o primeiro órgão acometido pelo acúmulo de cobre, e os pacientes com sintomas neurológicos geralmente já desenvolveram a forma hepática. A alternativa afirma o contrário, o que a torna incorreta. A ordem típica é: hepática na infância → neurológica na adolescência/adulto jovem.

Gabarito: letra A

Link permanente: /questoes/qg414049