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Questão de Medicina — Neurologia — Avança SP 2025

MedicinaNeurologia
Código
qg414051
Banca
Avança SP
Órgão
IAMSPE
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Residência Médica - Pré-Requisito - Medicina Paliativa
Paciente de 28 anos, sexo feminino, com antecedente de cefaleia desde os 14 anos, procura atendimento médico devido a aumento da frequência dos episódios. Relata dor em aperto, bilateral, de intensidade moderada, que piora com esforços físicos (como abaixar a cabeça ou subir escadas) e está associada a náuseas. Nega fotofobia, fonofobia, vômitos ou sintomas visuais. Os episódios duram cerca de 24 horas, com aproximadamente 8 dias de dor por mês. Há piora no período perimenstrual e melhora parcial com analgésicos simples. Antecedentes: sobrepeso e constipação. História familiar: mãe com antecedente de cefaleia. Medicações em uso contínuo: nega. Qual alternativa indica o diagnóstico mais provável e o tratamento medicamentoso mais adequado para essa paciente?
  1. ACefaleia tipo tensão. Venlafaxina.
  2. BCefaleia tipo tensão. Amitriptilina.
  3. CEnxaqueca sem aura. Propranolol.
  4. DEnxaqueca sem aura. Toxina botulínica.
  5. EEnxaqueca sem aura. Amitriptilina.
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GabaritoC — Enxaqueca sem aura. Propranolol.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Cefaleias primárias: enxaqueca sem aura versus cefaleia tipo tensão

Gabarito: letra C. O quadro descrito — dor bilateral em aperto, de intensidade moderada, agravada por atividade física, associada a náuseas, com duração de 24 horas e piora perimenstrual — preenche os critérios diagnósticos de enxaqueca sem aura (ICHD-3), e não de cefaleia tipo tensão. Para profilaxia, o propranolol é um dos betabloqueadores de primeira linha, sendo a alternativa mais adequada entre as opções.

A enxaqueca (migrânea) é uma cefaleia primária recorrente, tipicamente de caráter pulsátil, unilateral, de intensidade moderada a forte, com duração de 4 a 72 horas, agravada por atividade física rotineira e acompanhada de náuseas, vômitos, fotofobia e fonofobia. A cefaleia tipo tensão (CTT), por sua vez, é bilateral, em aperto/pressão, de intensidade leve a moderada, não agravada por atividade física, e não apresenta náuseas (apenas anorexia pode ocorrer) — embora possa ter fotofobia ou fonofobia, mas nunca ambas. A tabela abaixo resume as diferenças essenciais:

Característica

Enxaqueca

Cefaleia tipo tensão

Duração

4 a 72 horas

30 min a 7 dias

Tipo de dor

Pulsátil, latejante

Peso, aperto

Lateralidade

Unilateral

Bilateral

Intensidade

Moderada a forte

Leve a moderada

Piora com atividade física

Sim

Não

Náuseas/vômitos

Sim

Não

Fotofobia e fonofobia

Sim

Não

No caso da paciente, o ponto-chave é a piora com esforço físico (abaixar a cabeça, subir escadas) e a presença de náuseas — ambos critérios que excluem a cefaleia tipo tensão e confirmam a enxaqueca. A duração de 24 horas (dentro do intervalo de 4 a 72 horas) e a piora perimenstrual (fator hormonal clássico de gatilho migranoso) reforçam o diagnóstico. A história familiar positiva também é comum na enxaqueca.

Quanto ao tratamento profilático, a paciente apresenta 8 dias de dor por mês, o que configura enxaqueca episódica de alta frequência, indicando necessidade de profilaxia. As opções de primeira linha incluem betabloqueadores (propranolol, metoprolol), amitriptilina, topiramato, flunarizina e candesartana. O propranolol é um dos mais consagrados, com eficácia comprovada. A amitriptilina também é eficaz, mas é mais utilizada na cefaleia tipo tensão crônica e como segunda linha na enxaqueca. A toxina botulínica é reservada para enxaqueca crônica (≥ 15 dias/mês), o que não é o caso.

A pegadinha central desta questão é a descrição da dor em aperto e bilateral, que remete à cefaleia tipo tensão, mas a presença de náuseas e a piora com atividade física são critérios que descartam esse diagnóstico e apontam para enxaqueca. O candidato que se fixa apenas no caráter da dor erra a questão.

Alternativa A — ❌ Incorreta

Erra no diagnóstico: a presença de náuseas e a piora com atividade física excluem cefaleia tipo tensão. Além disso, a venlafaxina não é tratamento de primeira linha para profilaxia de cefaleia; é mais usada em casos refratários ou com comorbidades depressivas.

Alternativa B — ❌ Incorreta

Erra no diagnóstico pelos mesmos motivos da alternativa A. A amitriptilina seria adequada para cefaleia tipo tensão, mas o diagnóstico correto é enxaqueca.

Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO

Diagnóstico correto: enxaqueca sem aura, pelos critérios de náuseas, piora com atividade física, duração de 24h e gatilho menstrual. Tratamento profilático adequado: propranolol, betabloqueador de primeira linha para prevenção da enxaqueca.

Alternativa D — ❌ Incorreta

Diagnóstico correto, mas tratamento inadequado. A toxina botulínica é indicada apenas para enxaqueca crônica (≥ 15 dias/mês), e a paciente tem 8 dias/mês (episódica).

Alternativa E — ❌ Incorreta

Diagnóstico correto, mas a amitriptilina, embora eficaz na enxaqueca, é mais comumente associada à profilaxia da cefaleia tipo tensão. O propranolol é a escolha mais clássica e direta para enxaqueca episódica de alta frequência, sendo a alternativa C a mais adequada.

NÃO CAIA NESSA!

A banca descreve a dor como "em aperto, bilateral" — características típicas de cefaleia tipo tensão — para induzir o candidato a escolher as alternativas A ou B. No entanto, os critérios de náuseas e piora com atividade física são exclusivos da enxaqueca e excluem a cefaleia tipo tensão. Fique atento: na CTT, a dor não piora com atividade física e não há náuseas (apenas anorexia).

PEGA ESSA DICA!

Para diferenciar enxaqueca de cefaleia tipo tensão na prova, use o mnemônico "PNA" — Pulsátil, Náuseas, Atividade física piora. Se o paciente tem esses três, é enxaqueca. Na CTT, a dor é em aperto, sem náuseas e não piora com esforço.

Gabarito: letra C

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