De acordo com as definições do Sepsis-3, o diagnóstico de choque séptico é estabelecido quando o paciente apresenta sepse com hipotensão persistente, necessitando de vasopressor para manter PAM ≥ 65 mmHg e: (A) Lactato sérico > 1 mmol/L, independente da volemia.
ALactato sérico > 1 mmol/L, independente da volemia.
BCreatinina > 2,0 mg/dL ou oligúria.
CRelação PaO2/FiO2 < 300.
DPlaquetas < 100.000/mm³.
ELactato sérico > 2 mmol/L, apesar de ressuscitação volêmica adequada.
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GabaritoE — Lactato sérico > 2 mmol/L, apesar de ressuscitação volêmica adequada.
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Choque séptico: definição Sepsis-3
Gabarito: letra E. Segundo o Sepsis-3, o choque séptico é definido como sepse com necessidade de vasopressor para manter PAM ≥ 65 mmHg e lactato sérico > 2 mmol/L (18 mg/dL) persistente apesar de ressuscitação volêmica adequada. As demais alternativas descrevem disfunções orgânicas que definem sepse (pelo SOFA), mas não o choque séptico.
O Sepsis-3 (2016) unificou o conceito de sepse como "disfunção orgânica ameaçadora à vida causada por resposta desregulada do hospedeiro à infecção", abandonando o termo "sepse grave". A disfunção orgânica é operacionalizada pelo aumento ≥ 2 pontos no escore SOFA. O choque séptico é um subgrupo mais grave, que exige, além da disfunção cardiovascular, a presença de hiperlactatemia refratária à reposição volêmica — ou seja, não basta a hipotensão que responde a fluidos, nem o lactato elevado isoladamente.
A definição clínica do Sepsis-3 para choque séptico é: sepse + vasopressor para PAM ≥ 65 mmHg + lactato > 2 mmol/L (> 18 mg/dL) apesar de ressuscitação volêmica adequada. O lactato é o marcador de disfunção celular/metabólica que, junto com a necessidade de vasopressor, confirma o estado de choque. A ressuscitação volêmica adequada é o pré-requisito para distinguir o choque séptico da hipotensão por hipovolemia pura — se o paciente responde a fluidos e normaliza a PAM sem vasopressor, não é choque séptico.
Na prática, o diagnóstico é clínico-laboratorial: paciente com foco infeccioso, PAM < 65 mmHg, que não responde à expansão volêmica inicial (30 mL/kg de cristaloide), necessitando noradrenalina, e que mantém lactato > 2 mmol/L após essa reposição. O lactato > 2 mmol/L é o ponto de corte que define a disfunção metabólica celular — valores entre 1 e 2 mmol/L podem ser normais ou refletir hiperlactatemia leve, sem caracterizar choque.
A pegadinha da banca está em confundir os critérios de sepse (disfunção orgânica pelo SOFA: creatinina > 2 mg/dL, PaO2/FiO2 < 300, plaquetas < 100.000/mm³, etc.) com os critérios de choque séptico (que exige lactato > 2 mmol/L + vasopressor). As alternativas B, C e D são disfunções orgânicas que, isoladamente, definem sepse, não choque séptico. A alternativa A erra o ponto de corte do lactato (1 mmol/L) e ignora a necessidade de ressuscitação volêmica prévia.
Guarde a fronteira: sepse = disfunção orgânica (SOFA ≥ 2) por infecção; choque séptico = sepse + vasopressor + lactato > 2 mmol/L refratário a volume. É exatamente nessa distinção que as alternativas se dividem.
Alternativa A — ❌ Incorreta
O ponto de corte do lactato está errado (1 mmol/L) e, mais importante, o choque séptico exige que a hiperlactatemia persista apesar da ressuscitação volêmica adequada — não é "independente da volemia". O lactato > 1 mmol/L é um valor que pode ser normal ou refletir hiperlactatemia leve, sem valor diagnóstico para choque. O critério correto é lactato > 2 mmol/L (18 mg/dL) após reposição volêmica.
Alternativa B — ❌ Incorreta
Creatinina > 2,0 mg/dL ou oligúria são critérios de disfunção orgânica renal que definem sepse (pelo SOFA), não choque séptico. O choque séptico exige especificamente disfunção cardiovascular (vasopressor) + hiperlactatemia refratária. A banca troca o critério de sepse pelo de choque séptico.
Alternativa C — ❌ Incorreta
Relação PaO2/FiO2 < 300 é critério de disfunção orgânica respiratória (SOFA), que define sepse, não choque séptico. Novamente, a alternativa descreve uma disfunção orgânica isolada, sem os critérios hemodinâmicos e metabólicos do choque.
Alternativa D — ❌ Incorreta
Plaquetas < 100.000/mm³ é critério de disfunção orgânica hematológica/coagulação (SOFA), que define sepse, não choque séptico. É mais um distrator que confunde disfunção orgânica (sepse) com choque séptico.
Alternativa E — ✅ Correta ⟵ GABARITO
Esta alternativa reproduz exatamente a definição do Sepsis-3: sepse + hipotensão persistente com necessidade de vasopressor para PAM ≥ 65 mmHg e lactato sérico > 2 mmol/L (18 mg/dL) apesar de ressuscitação volêmica adequada. O termo "apesar de ressuscitação volêmica adequada" é o diferencial — exclui a hipotensão por hipovolemia não corrigida e confirma a disfunção cardiovascular refratária a volume, característica do choque séptico.
NÃO CAIA NESSA!
A banca adora trocar os critérios de sepse (disfunção orgânica pelo SOFA: creatinina, PaO2/FiO2, plaquetas) pelos de choque séptico (vasopressor + lactato > 2 mmol/L refratário a volume). As alternativas B, C e D são disfunções orgânicas válidas para sepse, mas não definem choque. Fique atento: choque séptico SEMPRE exige lactato > 2 mmol/L E vasopressor, com volume já otimizado.
PEGA ESSA DICA!
Para memorizar, use o mnemônico "V-LAC": Vasopressor (PAM ≥ 65) + LACtato > 2 mmol/L (18 mg/dL) apesar de volume adequado. Se a alternativa trouxer qualquer outra disfunção orgânica (renal, respiratória, hematológica) sem esses dois elementos, é sepse, não choque séptico.