Paciente com trauma facial extenso, secreções espessas de difícil aspiração e sinais de obstrução de via aérea alta chega à sala de emergência. Considerando indicações clássicas do procedimento, assinale a alternativa que melhor sustenta a decisão por traqueostomia:
AEpistaxe leve autolimitada e ventilação espontânea preservada.
BObstrução de via aérea alta, grandes traumas faciais e retenção de secreções.
COtite média supurada com dor mastoidea e febre baixa.
DSialorreia por paralisia facial periférica isolada.
EDisfonia funcional sem evidência de edema laríngeo.
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GabaritoB — Obstrução de via aérea alta, grandes traumas faciais e retenção de secreções.
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Traqueostomia: indicações clássicas no trauma facial
Gabarito: letra B. A traqueostomia está indicada em situações de obstrução de via aérea alta, grandes traumas faciais e retenção de secreções — exatamente o que a alternativa B descreve. As demais alternativas apresentam condições que não constituem indicação clássica do procedimento, pois não comprometem a via aérea de forma significativa ou não se relacionam com a necessidade de uma via aérea cirúrgica definitiva.
A traqueostomia é um procedimento cirúrgico que consiste na criação de uma abertura direta na traqueia, através do pescoço, para estabelecer uma via aérea definitiva. Ela é indicada quando há necessidade de ventilação mecânica prolongada, obstrução de via aérea alta que não pode ser resolvida por outros meios, ou quando há necessidade de facilitar a aspiração de secreções em pacientes com dificuldade de eliminá-las espontaneamente. No contexto do trauma facial extenso, a traqueostomia é frequentemente necessária porque o trauma pode causar edema, hematomas, fraturas e deformidades que obstruem a passagem do ar, além de dificultar a higiene brônquica pela retenção de secreções espessas.
A decisão de realizar uma traqueostomia deve ser baseada em critérios clínicos bem estabelecidos. As indicações clássicas incluem: obstrução de via aérea alta (por qualquer causa, como trauma, tumor, edema ou corpo estranho), necessidade de ventilação mecânica prolongada (geralmente por mais de 14 dias), incapacidade de proteger a via aérea (por exemplo, em pacientes com rebaixamento do nível de consciência), e retenção de secreções que não podem ser aspiradas adequadamente por outros meios. No trauma facial, especificamente, a traqueostomia pode ser preferida à intubação orotraqueal porque esta pode ser tecnicamente difícil ou impossível devido às fraturas, edema e deformidades, e porque a traqueostomia permite uma melhor higiene brônquica e facilita o manejo a longo prazo.
É importante distinguir a traqueostomia de outros procedimentos de via aérea, como a intubação orotraqueal e a cricotireoidostomia. A intubação orotraqueal é o procedimento de escolha na maioria das emergências, pois é rápida e menos invasiva. A cricotireoidostomia é uma via aérea de emergência, indicada quando a intubação orotraqueal falha ou é contraindicada, mas é um procedimento temporário que deve ser convertido em traqueostomia o mais rápido possível. A traqueostomia, por sua vez, é um procedimento mais definitivo, indicado quando se prevê necessidade prolongada de via aérea artificial ou quando a anatomia facial impede outros métodos.
A banca explora a confusão entre indicações de traqueostomia e outras condições clínicas que não a justificam. O candidato pode ser tentado a escolher alternativas que descrevem problemas respiratórios ou de via aérea, mas que não são indicações clássicas do procedimento, como epistaxe leve ou disfonia funcional. A chave é identificar quais condições realmente comprometem a via aérea de forma significativa e quais podem ser manejadas por outros meios. A alternativa B é a única que reúne as três indicações clássicas: obstrução de via aérea alta, grandes traumas faciais e retenção de secreções.
Traqueostomia: Indicações clássicas (Obstrução de via aérea alta, Grandes traumas faciais, Retenção de secreções, Ventilação mecânica prolongada, Incapacidade de proteger a via aérea); Não indicações (Epistaxe leve autolimitada, Otite média supurada, Sialorreia isolada, Disfonia funcional); Alternativas à traqueostomia (Intubação orotraqueal (emergência), Cricotireoidostomia (temporária))
Alternativa A — ❌ Incorreta
Epistaxe leve autolimitada e ventilação espontânea preservada não são indicações de traqueostomia. A epistaxe leve geralmente é controlada com medidas conservadoras, como compressão nasal ou tamponamento, e não compromete a via aérea. A ventilação espontânea preservada indica que o paciente está respirando adequadamente, sem necessidade de intervenção cirúrgica na via aérea. A traqueostomia seria um procedimento excessivo e desnecessário nesse cenário.
Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO
Esta alternativa descreve exatamente as indicações clássicas de traqueostomia: obstrução de via aérea alta, grandes traumas faciais e retenção de secreções. A obstrução de via aérea alta impede a passagem do ar, exigindo uma via aérea alternativa. Grandes traumas faciais podem causar edema, fraturas e deformidades que obstruem a via aérea e dificultam a intubação. A retenção de secreções espessas, de difícil aspiração, como descrito no enunciado, é uma indicação para traqueostomia, pois permite uma higiene brônquica eficaz. Esses três fatores, em conjunto, justificam plenamente a decisão por traqueostomia.
Alternativa C — ❌ Incorreta
Otite média supurada com dor mastoidea e febre baixa é uma condição que sugere uma infecção do ouvido médio e da mastoide, mas não tem relação com a via aérea. A traqueostomia não é indicada para tratar infecções de ouvido. Essa alternativa é um distrator que descreve uma condição otorrinolaringológica comum, mas que não se enquadra nas indicações do procedimento.
Alternativa D — ❌ Incorreta
Sialorreia por paralisia facial periférica isolada não é indicação de traqueostomia. A sialorreia (excesso de saliva) pode ser um sintoma de paralisia facial, mas não compromete a via aérea de forma significativa. A traqueostomia é um procedimento invasivo e não é utilizada para tratar sialorreia. O manejo da sialorreia envolve outras medidas, como fisioterapia, medicamentos ou, em casos graves, procedimentos cirúrgicos específicos, mas não a traqueostomia.
Alternativa E — ❌ Incorreta
Disfonia funcional sem evidência de edema laríngeo não é indicação de traqueostomia. A disfonia funcional é um distúrbio da voz que não compromete a via aérea. A ausência de edema laríngeo indica que não há obstrução significativa. A traqueostomia é reservada para casos de obstrução real ou risco iminente de obstrução, o que não é o caso aqui. Essa alternativa descreve uma condição que pode ser manejada com fonoterapia ou outras medidas, sem necessidade de intervenção cirúrgica na via aérea.