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Questão de Medicina — Oncologia — Avança SP 2025

MedicinaOncologia
Código
qg414094
Banca
Avança SP
Órgão
IAMSPE
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Residência Médica - Pré-Requisito - Medicina Paliativa
Na programação da abordagem de um tumor sólido inicial, a equipe considera a técnica do linfonodo sentinela para orientar a extensão da cirurgia linfonodal e reduzir morbidade. Com base nos princípios e implicações na extensão da linfadenectomia, assinale a alternativa correta:
  1. AO linfonodo sentinela negativo exige linfadenectomia radical pela alta taxa de falsonegativo.
  2. BA identificação do sentinela deve ser feita apenas com radiofármaco; corantes atrapalham a análise histológica.
  3. CA técnica é restrita a melanoma e mama, sendo contraindicada em vulva e colo do útero.
  4. DA negatividade do linfonodo sentinela permite omitir a linfonodectomia radical e sua pesquisa pode ser realizada com corante (azul patente) e/ou radiofármaco (tecnécio).
  5. EA marcação do sentinela é menos acurada em cirurgia aberta do que na laparoscópica.
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GabaritoD — A negatividade do linfonodo sentinela permite omitir a linfonodectomia radical e sua pesquisa pode ser realizada com corante (azul patente) e/ou radiofármaco (tecnécio).

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Linfonodo sentinela: princípios e implicações na linfadenectomia

Gabarito: letra D. A técnica do linfonodo sentinela (LS) baseia-se na premissa de que a drenagem linfática de um tumor segue um trajeto ordenado, sendo o primeiro linfonodo a receber a drenagem o mais provável de conter metástases. Quando o LS é negativo, a linfadenectomia radical pode ser omitida, pois a probabilidade de comprometimento de linfonodos não sentinela é baixa. A pesquisa do LS pode ser realizada com corante vital (azul patente) e/ou radiofármaco (tecnécio-99m), isoladamente ou em combinação (técnica do traçador duplo), sendo esta última a que apresenta maiores taxas de identificação e menores taxas de falso-negativo.

O linfonodo sentinela é definido como o primeiro linfonodo da cadeia de drenagem linfática de um tumor, ou seja, o primeiro a receber a drenagem linfática da região onde se encontra o tumor primário. A lógica da técnica é que, se o primeiro linfonodo da cadeia não contém células tumorais, é muito improvável que linfonodos subsequentes (não sentinela) estejam comprometidos. Por isso, a biópsia do LS permite estadiar a axila (ou outra cadeia linfática) com uma cirurgia minimamente invasiva, evitando a morbidade de uma linfadenectomia radical (esvaziamento axilar), que inclui linfedema, dor, parestesias e limitação de movimentos.

A identificação do LS pode ser feita por três métodos: (1) corante vital (azul patente ou azul de isossulfano), que cora o linfonodo e os vasos linfáticos, permitindo sua visualização direta durante a cirurgia; (2) radiofármaco (tecnécio-99m associado a um coloide, como fitato ou enxofre coloidal), que é injetado no tumor e migra para o LS, sendo detectado por uma sonda gama durante o ato cirúrgico; e (3) a combinação dos dois (traçador duplo), que aumenta a taxa de identificação e reduz a taxa de falso-negativo. A escolha do método depende da disponibilidade, da experiência da equipe e do tipo de tumor. O corante não atrapalha a análise histológica; na verdade, ele auxilia o cirurgião a localizar o linfonodo, e a análise histológica é feita por congelação ou por exame anatomopatológico definitivo, independentemente do método de marcação.

A técnica do LS é amplamente utilizada em diversos tumores sólidos, não se restringindo a melanoma e mama. É indicada em câncer de vulva, colo do útero, pênis, próstata, tireoide, cólon, entre outros. Em cada um desses tumores, a cadeia linfática de drenagem é específica, e a técnica é adaptada. Por exemplo, no câncer de vulva, o LS é realizado na região inguinal; no câncer de colo do útero, na região pélvica; no melanoma, na cadeia linfática regional correspondente ao sítio do tumor primário.

A acurácia da técnica do LS não é menor em cirurgia aberta do que na laparoscópica. Na verdade, a técnica é igualmente eficaz em ambas as abordagens, desde que a equipe tenha experiência. Em cirurgia laparoscópica, a identificação do LS pode ser facilitada pelo uso de sondas gama laparoscópicas e pela visualização do corante, mas a acurácia é semelhante à da cirurgia aberta. A escolha da via de acesso (aberta ou laparoscópica) depende do tumor, da localização e da preferência do cirurgião, não da acurácia da técnica do LS.

A principal pegadinha desta questão é a inversão do conceito: a alternativa A afirma que LS negativo exige linfadenectomia radical, quando na verdade é o oposto — LS negativo permite omitir a linfadenectomia. A alternativa B afirma que a identificação deve ser feita apenas com radiofármaco, quando na verdade o corante é uma opção válida e não atrapalha a análise histológica. A alternativa C restringe a técnica a melanoma e mama, quando na verdade ela é aplicável a vários tumores. A alternativa E afirma que a marcação é menos acurada em cirurgia aberta, quando na verdade a acurácia é semelhante. A alternativa D é a única que apresenta corretamente os princípios da técnica.

Linfonodo sentinela (LS)
  • 1Conceito
    • Primeiro linfonodo da drenagem
    • Se negativo, baixa chance de metástases
  • 2Métodos de identificação
    • Corante vital (azul patente)
    • Radiofármaco (tecnécio-99m)
    • Traçador duplo (maior acurácia)
  • 3Aplicações
    • Mama
    • Melanoma
    • Vulva
    • Colo do útero
    • Pênis, próstata, tireoide, cólon
  • 4Implicação clínica
    • LS negativo → omite linfadenectomia radical
    • Evita morbidade (linfedema, dor)
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Alternativa A — ❌ Incorreta

Afirma que o linfonodo sentinela negativo exige linfadenectomia radical pela alta taxa de falso-negativo. Isso é o oposto do princípio da técnica: quando o LS é negativo, a linfadenectomia radical pode ser omitida, pois a probabilidade de comprometimento de linfonodos não sentinela é baixa. A taxa de falso-negativo da técnica do LS é aceitável (em torno de 5-10% em mama, por exemplo), e é justamente por isso que a técnica é segura para evitar a morbidade da linfadenectomia. A alternativa inverte o raciocínio: o LS negativo é a indicação para NÃO realizar a linfadenectomia, não para realizá-la.

Alternativa B — ❌ Incorreta

Afirma que a identificação do sentinela deve ser feita apenas com radiofármaco, e que corantes atrapalham a análise histológica. Isso é falso por dois motivos: (1) o corante vital (azul patente) é uma opção válida e amplamente utilizada, isoladamente ou em combinação com o radiofármaco; (2) o corante não atrapalha a análise histológica — ele apenas cora o linfonodo, facilitando sua localização, e a análise histológica é feita por congelação ou exame definitivo, independentemente do método de marcação. A combinação de corante e radiofármaco (traçador duplo) é, na verdade, a técnica que apresenta maiores taxas de identificação e menores taxas de falso-negativo.

Alternativa C — ❌ Incorreta

Afirma que a técnica é restrita a melanoma e mama, sendo contraindicada em vulva e colo do útero. Isso é falso: a técnica do LS é amplamente utilizada em diversos tumores sólidos, incluindo vulva, colo do útero, pênis, próstata, tireoide, cólon, entre outros. Em cada um desses tumores, a cadeia linfática de drenagem é específica, e a técnica é adaptada. A contraindicação não é por tipo de tumor, mas por condições específicas, como cirurgias ou radioterapia prévias na região, que podem alterar a drenagem linfática e comprometer a acurácia da técnica.

Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO

Afirma que a negatividade do linfonodo sentinela permite omitir a linfonodectomia radical e que sua pesquisa pode ser realizada com corante (azul patente) e/ou radiofármaco (tecnécio). Isso está correto: o LS negativo é a indicação para NÃO realizar a linfadenectomia radical, pois a probabilidade de comprometimento de linfonodos não sentinela é baixa. Além disso, a pesquisa do LS pode ser feita com corante vital, radiofármaco ou a combinação de ambos, sendo esta última a que apresenta melhores resultados. A alternativa espelha exatamente os princípios da técnica.

Alternativa E — ❌ Incorreta

Afirma que a marcação do sentinela é menos acurada em cirurgia aberta do que na laparoscópica. Isso é falso: a acurácia da técnica do LS é semelhante em ambas as abordagens, desde que a equipe tenha experiência. Em cirurgia laparoscópica, a identificação do LS pode ser facilitada pelo uso de sondas gama laparoscópicas e pela visualização do corante, mas a acurácia é equivalente à da cirurgia aberta. A escolha da via de acesso depende do tumor, da localização e da preferência do cirurgião, não da acurácia da técnica do LS.

Gabarito: letra D

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