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Questão de Medicina — Hematologia — Avança SP 2025

MedicinaHematologia
Código
qg414097
Banca
Avança SP
Órgão
IAMSPE
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Residência Médica - Pré-Requisito - Medicina Paliativa
A mielotoxicidade é um efeito adverso comum da quimioterapia, resultante da ação dos fármacos sobre a medula óssea. O monitoramento dessa toxicidade é vital, pois ela se manifesta clinicamente pela redução das células sanguíneas:
  1. AA leucopenia, e especificamente a neutropenia, é a manifestação mais frequente e precoce da mielotoxicidade, aumentando o risco de infecções.
  2. BA anemia é a manifestação mais precoce e perigosa da mielotoxicidade, ocorrendo geralmente nas primeiras 24 horas após a infusão.
  3. CO nadir, período de menor contagem celular, ocorre de forma padronizada 30 dias após a aplicação de qualquer agente quimioterápico.
  4. DA plaquetopenia é a complicação menos relevante da mielotoxicidade, pois raramente exige intervenção clínica, como transfusão.
  5. EA mielotoxicidade afeta exclusivamente a produção de eritrócitos, poupando as linhagens leucocitária e plaquetária.
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GabaritoA — A leucopenia, e especificamente a neutropenia, é a manifestação mais frequente e precoce da mielotoxicidade, aumentando o risco de infecções.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Mielotoxicidade da quimioterapia: neutropenia como manifestação mais frequente

Gabarito: letra A. A leucopenia — e, em particular, a neutropenia — é a manifestação mais frequente e precoce da mielotoxicidade induzida por quimioterapia, elevando diretamente o risco de infecções. As demais alternativas distorcem a cronologia, a relevância clínica ou o espectro de linhagens afetadas, como se verá em cada análise.

A mielotoxicidade é o efeito adverso mais comum e limitante da quimioterapia, resultante da ação citotóxica dos fármacos sobre as células progenitoras da medula óssea. Como essas células têm alta taxa de proliferação, são particularmente vulneráveis aos agentes antineoplásicos, que atacam justamente células em divisão. O resultado é a pancitopenia — redução das três linhagens sanguíneas: eritrócitos (anemia), leucócitos (leucopenia) e plaquetas (plaquetopenia).

A neutropenia é a consequência mais temida e a mais precoce, porque os neutrófilos têm meia-vida curta (cerca de 6 a 8 horas) e são produzidos em grande quantidade pela medula. Quando a produção é interrompida, a contagem cai rapidamente, em poucos dias. Já os eritrócitos têm vida média de 90 a 120 dias, e as plaquetas, de 7 a 10 dias — por isso a anemia e a plaquetopenia demoram mais para se manifestar. Essa diferença de cinética explica por que a neutropenia é o primeiro sinal de mielotoxicidade e por que o risco de infecção é a principal preocupação clínica: sem neutrófilos, o paciente fica vulnerável a bactérias e fungos, podendo evoluir para sepse.

O nadir é o momento de menor contagem celular após a quimioterapia, e seu tempo de ocorrência varia conforme o agente utilizado. Para a maioria dos esquemas, o nadir de neutrófilos ocorre entre 7 e 14 dias após a infusão, não em um padrão fixo de 30 dias. A plaquetopenia, por sua vez, é complicação relevante e frequente, podendo exigir transfusão profilática ou terapêutica quando a contagem cai abaixo de 10.000 a 20.000/mm³, especialmente com sangramento ativo. A mielotoxicidade afeta todas as linhagens, e não apenas os eritrócitos.

A distinção central que separa as alternativas é a cronologia e a gravidade clínica de cada citopenia: a neutropenia é a mais precoce e a mais perigosa (risco infeccioso), enquanto anemia e plaquetopenia são mais tardias. É exatamente nessa hierarquia que as alternativas se dividem.

Mielotoxicidade
  • 1Pancitopenia (3 linhagens)
    • Anemia (eritrócitos)
    • Leucopenia (neutrófilos)
    • Plaquetopenia (plaquetas)
  • 2Cronologia da queda
    • Neutrófilos (meia-vida: horas)
      • Queda precoce (dias)
      • Risco de infecção
    • Plaquetas (7-10 dias)
      • Queda intermediária
    • Hemácias (90-120 dias)
      • Queda tardia
  • 3Nadir
    • Menor contagem celular
    • Neutrófilos: 7-14 dias
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Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A alternativa está correta ao afirmar que a leucopenia, especificamente a neutropenia, é a manifestação mais frequente e precoce da mielotoxicidade, aumentando o risco de infecções. Isso decorre da cinética dos neutrófilos: meia-vida curta e alta renovação medular, o que os torna os primeiros a cair após a agressão quimioterápica. O risco infeccioso é a principal causa de morbimortalidade relacionada ao tratamento oncológico, e a neutropenia febril é uma emergência médica.

Alternativa B — ❌ Incorreta

A anemia não é a manifestação mais precoce nem a mais perigosa da mielotoxicidade. Os eritrócitos têm vida média de 90 a 120 dias, portanto a queda da hemoglobina é mais lenta e tardia. Além disso, a anemia raramente é a complicação mais grave nas primeiras 24 horas após a infusão — nesse período, o risco maior é de reações agudas à infusão, não de mielotoxicidade. A alternativa troca a cronologia da neutropenia pela da anemia.

Alternativa C — ❌ Incorreta

O nadir não ocorre de forma padronizada em 30 dias para qualquer agente quimioterápico. O tempo de nadir varia conforme o fármaco e o esquema: para a maioria dos citotóxicos, o nadir de neutrófilos ocorre entre 7 e 14 dias após a infusão. Agentes como as nitrosoureias podem ter nadir mais tardio, mas não há um padrão fixo de 30 dias. A alternativa generaliza indevidamente um prazo que não corresponde à realidade clínica.

Alternativa D — ❌ Incorreta

A plaquetopenia é complicação relevante e frequente da mielotoxicidade, podendo exigir intervenção clínica, como transfusão de plaquetas. A alternativa a classifica como "menos relevante" e afirma que "raramente exige intervenção", o que contraria a prática clínica: plaquetas abaixo de 10.000 a 20.000/mm³, ou sangramento ativo, indicam transfusão. A plaquetopenia pode causar hemorragias graves, inclusive intracranianas.

Alternativa E — ❌ Incorreta

A mielotoxicidade afeta todas as linhagens hematopoiéticas — eritroide, leucocitária e megacariocítica —, resultando em pancitopenia. A alternativa afirma que afeta exclusivamente a produção de eritrócitos, poupando leucócitos e plaquetas, o que é falso. A medula óssea é um tecido único com progenitores comuns; a agressão quimioterápica atinge indiscriminadamente as células em divisão de todas as linhagens.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a confusão entre a cronologia das citopenias. O candidato que lembra que a quimioterapia causa anemia pode marcar a letra B, mas a anemia é tardia — a neutropenia é a primeira a cair, pela meia-vida curta dos neutrófilos. Guarde: neutrófilos caem em dias, hemácias em semanas, plaquetas no meio-termo.

PEGA ESSA DICA!

Para questões de mielotoxicidade, memorize a cinética: neutrófilos (meia-vida de horas) → queda precoce; plaquetas (7-10 dias) → queda intermediária; hemácias (90-120 dias) → queda tardia. O nadir de neutrófilos costuma ser entre 7 e 14 dias, não 30.

Gabarito: letra A

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