Um paciente de 62 anos, com choque séptico secundário a perfuração intestinal, necessita de laparotomia de urgência para controle de foco abdominal. Considerando os efeitos hemodinâmicos dos agentes de indução anestésica, o fármaco de escolha é:
AMidazolam.
BTiopental.
CEtomidato.
DCetamina.
EPropofol em baixa dose.
Revelar gabarito e comentário▾
GabaritoD — Cetamina.
Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.
Escolha do agente de indução anestésica no choque séptico
Gabarito: letra D (Cetamina). Em paciente com choque séptico, o agente de indução ideal é aquele que preserva a estabilidade hemodinâmica, evitando hipotensão adicional. A cetamina, por estimular a liberação de catecolaminas endógenas, mantém ou até eleva a pressão arterial, sendo a escolha clássica nesse cenário. Os demais agentes (midazolam, tiopental, propofol) causam vasodilatação e depressão miocárdica, podendo agravar o choque.
O choque séptico é caracterizado por hipotensão refratária à reposição volêmica, secundária à vasodilatação periférica e à disfunção miocárdica induzidas pela resposta inflamatória sistêmica. Nesse contexto, a indução anestésica para laparotomia de urgência representa um momento de alto risco: qualquer agente que deprima ainda mais a contratilidade cardíaca ou reduza a resistência vascular periférica pode precipitar colapso hemodinâmico irreversível. Por isso, a escolha do fármaco deve priorizar a estabilidade cardiovascular, mesmo que isso signifique abrir mão de outras propriedades farmacológicas.
A cetamina é um anestésico dissociativo que exerce seus efeitos principalmente pelo antagonismo dos receptores NMDA. Seu perfil hemodinâmico é único entre os indutores: ela estimula a liberação de noradrenalina e adrenalina endógenas, resultando em aumento da frequência cardíaca, da pressão arterial e do débito cardíaco. Essa ação simpatomimética indireta a torna particularmente útil em pacientes hipovolêmicos, com choque ou instabilidade hemodinâmica, como é o caso do paciente com sepse grave. Embora possa causar efeitos adversos como delirium e agitação na recuperação, esses são menos relevantes no contexto de urgência cirúrgica.
Os demais agentes de indução apresentam perfis hemodinâmicos desfavoráveis no choque séptico. O propofol, o tiopental e o midazolam causam vasodilatação periférica e depressão miocárdica, podendo levar a hipotensão significativa. O etomidato, embora seja cardioestável e frequentemente citado como opção em pacientes instáveis, tem a desvantagem de suprimir a função adrenal, o que pode ser deletério em um paciente já em choque séptico, onde a resposta ao estresse é fundamental. Por isso, a cetamina é considerada o agente de escolha nesse cenário específico.
A banca explora exatamente essa distinção: o candidato que conhece o perfil hemodinâmico de cada agente identifica a cetamina como a opção correta, enquanto aqueles que se lembram apenas do etomidato como "cardioestável" podem ser induzidos ao erro. A questão não cobra apenas a memorização de doses, mas a aplicação do conhecimento farmacológico a uma situação clínica concreta.
Indução anestésica no choque séptico: Cetamina (escolha) (Estimula catecolaminas endógenas, Aumenta PA, FC e débito cardíaco); Etomidato (cardioestável) (Suprime a função adrenal); Propofol (Vasodilatação e depressão miocárdica); Tiopental (Vasodilatação e depressão miocárdica); Midazolam (Vasodilatação e depressão miocárdica)
Alternativa A — ❌ Incorreta
O midazolam, um benzodiazepínico, causa vasodilatação periférica e pode deprimir a contratilidade miocárdica, especialmente em pacientes hipovolêmicos ou com reserva cardiovascular limitada. Em um paciente com choque séptico, seu uso como agente de indução pode agravar a hipotensão, tornando-o uma escolha inadequada. Embora seja útil para sedação e ansiólise, não é o fármaco de escolha para indução em paciente hemodinamicamente instável.
Alternativa B — ❌ Incorreta
O tiopental, um barbitúrico de ação ultracurta, é um potente vasodilatador e depressor miocárdico. Seu uso em pacientes com choque séptico pode causar queda acentuada da pressão arterial, comprometendo ainda mais a perfusão tecidual. Por esse motivo, é contraindicado como agente de indução em pacientes hemodinamicamente instáveis, sendo reservado para situações em que a estabilidade cardiovascular não é uma preocupação primária.
Alternativa C — ❌ Incorreta
O etomidato é um agente de indução conhecido por sua cardioestabilidade, sendo frequentemente utilizado em pacientes com instabilidade hemodinâmica. No entanto, ele causa supressão adrenal transitória, inibindo a síntese de cortisol. Em um paciente com choque séptico, essa supressão pode ser prejudicial, pois a resposta ao estresse é fundamental para a sobrevivência. Embora seja uma opção em alguns contextos, a cetamina é preferível no choque séptico devido ao seu perfil hemodinâmico favorável e à ausência de supressão adrenal clinicamente relevante.
Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A cetamina é o agente de indução de escolha no choque séptico. Seu efeito simpatomimético indireto, mediado pela liberação de catecolaminas endógenas, resulta em aumento da pressão arterial, da frequência cardíaca e do débito cardíaco. Essa propriedade a torna ideal para pacientes com instabilidade hemodinâmica, como aqueles com choque séptico, onde a manutenção da perfusão tecidual é crítica. Embora possa causar efeitos adversos como delirium na recuperação, esses são menos relevantes no contexto de urgência cirúrgica.
Alternativa E — ❌ Incorreta
O propofol, mesmo em baixa dose, causa vasodilatação periférica e depressão miocárdica, podendo levar a hipotensão significativa. Em um paciente com choque séptico, essa ação pode agravar o quadro, comprometendo a perfusão dos órgãos vitais. Embora seja um agente de indução amplamente utilizado, não é a escolha adequada para pacientes hemodinamicamente instáveis, onde a estabilidade cardiovascular é prioritária.
NÃO CAIA NESSA!
A banca explora a confusão entre o etomidato, que é cardioestável, e a cetamina, que é o agente de escolha no choque séptico. O candidato que se lembra apenas da cardioestabilidade do etomidato pode marcá-lo, esquecendo-se da supressão adrenal que ele causa, um efeito deletério no choque séptico. A cetamina, por outro lado, além de manter a estabilidade hemodinâmica, não suprime a adrenal, sendo a opção mais segura nesse cenário.
PEGA ESSA DICA!
Para questões sobre escolha de agente de indução em pacientes instáveis, lembre-se do perfil hemodinâmico de cada fármaco: cetamina (aumenta PA), etomidato (cardioestável, mas suprime adrenal), propofol/tiopental/midazolam (causam hipotensão). No choque séptico, a cetamina é a escolha clássica.