Pular para o conteúdo principal

Questão de Medicina — Farmacologia e Anestesiologia — Avança SP 2025

MedicinaFarmacologia e Anestesiologia
Código
qg414106
Banca
Avança SP
Órgão
IAMSPE
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Residência Médica - Pré-Requisito - Medicina Paliativa
Durante a avaliação pré-anestésica, uma paciente de 68 anos, portadora de DPOC moderada controlada, angina estável e hipertensão bem controlada, será submetida a colecistectomia videolaparoscópica eletiva. Além da classificação ASA, o anestesiologista deve planejar o local de recuperação pós-operatória. De acordo com as boas práticas e a condição clínica da paciente, qual é a conduta mais apropriada?
  1. AASA II – alta para enfermaria após 6 horas.
  2. BASA III – monitorização em unidade de terapia intensiva no pós-operatório imediato.
  3. CASA II – recuperação em sala de observação por 2 horas.
  4. DASA III – liberação para enfermaria, pois a cirurgia é de pequeno porte.
  5. EASA IV – necessidade de ventilação mecânica prolongada.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoB — ASA III – monitorização em unidade de terapia intensiva no pós-operatório imediato.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Classificação ASA e planejamento do local de recuperação pós-operatória

Gabarito: letra B. A paciente de 68 anos com DPOC moderada, angina estável e hipertensão controlada é classificada como ASA III (doença sistêmica grave, mas não incapacitante), e a conduta mais apropriada é a monitorização em unidade de terapia intensiva (UTI) no pós-operatório imediato, devido ao risco aumentado de complicações cardiopulmonares. A classificação ASA é o principal preditor de risco perioperatório, e a decisão sobre o local de recuperação deve considerar a gravidade das comorbidades e o porte cirúrgico.

A classificação ASA (American Society of Anesthesiologists) é um sistema de estratificação de risco que avalia o estado físico do paciente antes da cirurgia. Ela varia de ASA I (paciente saudável) a ASA VI (morte cerebral, doador de órgãos). A paciente em questão apresenta três comorbidades significativas: DPOC moderada, angina estável e hipertensão arterial. A presença de angina estável, mesmo que controlada, indica doença arterial coronariana, que é uma condição sistêmica grave. A DPOC moderada também contribui para o risco, pois pode comprometer a função respiratória no pós-operatório. A hipertensão bem controlada, isoladamente, não elevaria a classificação, mas a combinação das três condições coloca a paciente em ASA III.

A colecistectomia videolaparoscópica é considerada uma cirurgia de médio porte, com risco intermediário de sangramento, conforme a tabela de risco de procedimentos. Embora seja minimamente invasiva, o pneumoperitônio e a posição de Trendelenburg reversa podem causar alterações hemodinâmicas e respiratórias significativas, especialmente em pacientes com comorbidades. O planejamento do local de recuperação pós-operatória deve levar em conta o risco de complicações, como descompensação cardíaca, exacerbação da DPOC, hipoxemia, arritmias e eventos tromboembólicos. A monitorização em UTI permite detecção precoce e manejo imediato dessas complicações.

A decisão de encaminhar o paciente para UTI ou enfermaria não é baseada apenas na classificação ASA, mas também no tipo de cirurgia, na urgência do procedimento e na reserva fisiológica do paciente. Pacientes ASA III submetidos a cirurgias de médio e grande porte, especialmente com comorbidades cardiopulmonares, se beneficiam de monitorização mais intensiva no pós-operatório imediato. A alta para enfermaria após 6 horas ou a liberação para enfermaria por ser cirurgia de pequeno porte seriam condutas inadequadas, pois subestimam o risco. A classificação ASA IV seria incorreta, pois a paciente não tem doença sistêmica grave e incapacitante que represente ameaça constante à vida. A necessidade de ventilação mecânica prolongada não é uma indicação rotineira para esta paciente, mas sim uma complicação possível que a monitorização em UTI visa prevenir.

A pegadinha desta questão está em associar a classificação ASA ao porte cirúrgico de forma simplista. O candidato pode pensar que, por ser uma cirurgia videolaparoscópica (minimamente invasiva), a paciente poderia ser liberada para enfermaria. No entanto, a presença de múltiplas comorbidades (ASA III) e o risco de complicações cardiopulmonares no pós-operatório imediato justificam a monitorização em UTI. A banca explora a confusão entre o porte cirúrgico e o risco do paciente, que são fatores independentes na decisão do local de recuperação.

Guarde o critério decisivo: a classificação ASA reflete a gravidade das comorbidades do paciente, e o local de recuperação pós-operatória deve ser planejado com base nesse risco, independentemente do porte cirúrgico. É essa combinação que separa as alternativas corretas das incorretas.

Classificação ASA
  • 1ASA I
    • Paciente saudável
  • 2ASA II
    • Doença sistêmica leve
  • 3ASA III
    • Doença sistêmica grave, não incapacitante
    • Ex.: angina estável, DPOC moderada
  • 4ASA IV
    • Doença grave com ameaça constante à vida
  • 5ASA V
    • Moribundo, sem expectativa de sobrevida
  • 6ASA VI
    • Morte cerebral (doador)
  • 7Local de recuperação pós-operatória
    • Enfermaria
      • Baixo risco
      • Cirurgia de pequeno porte
    • UTI
      • Alto risco (ASA III+)
      • Cirurgia de médio/grande porte
      • Comorbidades cardiopulmonares
LEVEL · soulevel.com.br

Alternativa A — ❌ Incorreta

A paciente não é ASA II, pois apresenta angina estável e DPOC moderada, que são doenças sistêmicas graves. A classificação ASA II é para pacientes com doença sistêmica leve, sem limitação funcional. Além disso, a alta para enfermaria após 6 horas seria inadequada para uma paciente ASA III, que necessita de monitorização mais intensiva no pós-operatório imediato.

Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A paciente é ASA III, pois tem doença sistêmica grave (angina estável, DPOC moderada) que não é incapacitante. A monitorização em UTI no pós-operatório imediato é a conduta mais apropriada, pois permite vigilância contínua de sinais de descompensação cardíaca, insuficiência respiratória, arritmias e outras complicações. Essa conduta está alinhada com as boas práticas de manejo perioperatório de pacientes de alto risco.

Alternativa C — ❌ Incorreta

A classificação ASA II está incorreta, pois a paciente tem comorbidades que a enquadram em ASA III. Além disso, a recuperação em sala de observação por 2 horas é insuficiente para uma paciente com risco cardiopulmonar aumentado, que pode necessitar de monitorização prolongada e intervenções imediatas.

Alternativa D — ❌ Incorreta

Embora a classificação ASA III esteja correta, a liberação para enfermaria é inadequada. A cirurgia videolaparoscópica, embora minimamente invasiva, não é de pequeno porte e pode causar estresse fisiológico significativo. A paciente com múltiplas comorbidades tem risco aumentado de complicações pós-operatórias, o que justifica a monitorização em UTI, não a liberação para enfermaria.

Alternativa E — ❌ Incorreta

A classificação ASA IV é incorreta, pois a paciente não tem doença sistêmica grave e incapacitante que represente ameaça constante à vida. A necessidade de ventilação mecânica prolongada não é uma indicação rotineira para esta paciente, mas sim uma complicação possível que a monitorização em UTI visa prevenir. A conduta apropriada é a monitorização, não a ventilação mecânica prolongada.

Gabarito: letra B

Link permanente: /questoes/qg414106