Questão de Medicina — Doenças Infecto-Parasitárias — Avança SP 2025
Medicina›Doenças Infecto-Parasitárias
Código
qg414118
Banca
Avança SP
Órgão
IAMSPE
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Residência Médica - Pré-Requisito - Programa de Infectologia Hospitalar
Um médico está avaliando um paciente de 28 anos para o início da Profilaxia Pré-Exposição (PrEP) ao HIV. O paciente relata um estilo de vida que inclui múltiplos parceiros sexuais e uso inconsistente de preservativos. Considerando o perfil de indicações do cabotegravir injetável de longa ação, identifique o critério fundamental que deve ser obrigatoriamente atendido antes da primeira administração:
ARealização de teste sorológico positivo para HIV-1.
BConfirmação de status sorológico negativo para HIV-1.
CDosagem basal de transaminases hepáticas dentro da normalidade.
DAusência de histórico de qualquer doença sexualmente transmissível.
EComprometimento formal com o uso de preservativo em todas as relações.
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GabaritoB — Confirmação de status sorológico negativo para HIV-1.
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Profilaxia Pré-Exposição (PrEP) ao HIV: cabotegravir injetável de longa ação
Gabarito: letra B. O critério fundamental e obrigatório antes da primeira administração do cabotegravir injetável de longa ação (CAB-LA) como PrEP é a confirmação de status sorológico negativo para HIV-1, pois a PrEP é indicada exclusivamente para pessoas não infectadas pelo HIV — administrar o antirretroviral a alguém já soropositivo seria ineficaz e poderia selecionar resistência viral. Essa exigência decorre do próprio conceito de PrEP, que pressupõe indivíduos sob alto risco de infecção, porém com sorologia negativa evidenciada, conforme o Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas (PCDT) do Ministério da Saúde.
A Profilaxia Pré-Exposição (PrEP) é uma das estratégias da prevenção combinada do HIV: consiste no uso profilático de antirretrovirais (ARV) por pessoas não infectadas, mas com risco aumentado de adquirir o vírus. O objetivo é criar uma barreira farmacológica que impeça a instalação da infecção caso haja exposição. O cabotegravir injetável de longa ação (CAB-LA) é um inibidor de integrase administrado por via intramuscular a cada 8 semanas, e sua eficácia depende justamente de ser usado por quem ainda não tem o HIV — por isso, a triagem sorológica negativa é condição sine qua non.
O PCDT PrEP do Ministério da Saúde define que a PrEP deve ser considerada para pessoas a partir de 15 anos, com peso igual ou superior a 35 kg, sexualmente ativas e com risco aumentado de exposição ao HIV em relação à população geral. Os grupos prioritários incluem gays e homens que fazem sexo com homens (HSH), pessoas transexuais, trabalhadores do sexo e parcerias sorodiferentes. No entanto, o simples pertencimento a um desses segmentos não basta: é preciso avaliar práticas e parcerias sexuais, dinâmica social e contextos de maior vulnerabilidade, como repetição de relações sexuais sem preservativo, parcerias eventuais, histórico de IST, busca repetida por PEP e chemsex.
Na prática, antes de iniciar qualquer modalidade de PrEP — oral diária ou injetável —, o serviço de saúde deve realizar testagem para HIV (e idealmente para outras IST, como sífilis e hepatites virais). Se o resultado for positivo, a pessoa não pode iniciar PrEP; ela deve ser encaminhada para tratamento antirretroviral. Se for negativo, a PrEP pode ser iniciada, com acompanhamento periódico e testagem regular a cada visita de dispensação. Essa lógica vale tanto para a PrEP oral (tenofovir + lamivudina ou tenofovir + entricitabina) quanto para o CAB-LA injetável.
A pegadinha desta questão está em confundir o critério de elegibilidade (sorologia negativa) com outras exigências que não são obrigatórias para o início da PrEP, como dosagem de transaminases, ausência de IST ou compromisso formal com preservativo. A banca explora o senso comum de que "prevenção" exigiria exames hepáticos ou promessas de comportamento seguro, quando o que a norma técnica exige é apenas a confirmação de que a pessoa não está infectada pelo HIV. Guarde essa fronteira: PrEP é para quem é HIV negativo; PEP é para quem teve exposição de risco; TARV é para quem já vive com HIV — é exatamente nessa distinção que as alternativas se dividem.
PrEP ao HIV: Conceito (Uso profilático de ARV, Pessoas não infectadas, Alto risco de exposição); Modalidades (Oral diária (TDF + FTC), Injetável (CAB-LA, 8/8 semanas)); Critério obrigatório (Sorologia negativa para HIV-1); Não são critérios (Transaminases normais, Ausência de IST, Compromisso com preservativo)
Alternativa A — ❌ Incorreta
Afirma que seria necessário teste sorológico positivo para HIV-1. Isso é o oposto do que a PrEP exige: se a pessoa já tem HIV, ela não faz PrEP, mas sim tratamento antirretroviral (TARV). A PrEP é uma estratégia de prevenção para pessoas não infectadas; administrar CAB-LA a alguém soropositivo seria ineficaz e poderia induzir resistência viral ao inibidor de integrase, comprometendo futuras opções terapêuticas.
Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A confirmação de status sorológico negativo para HIV-1 é o critério fundamental e obrigatório antes da primeira administração do cabotegravir injetável de longa ação. Isso decorre do próprio conceito de PrEP: uso profilático de ARV em indivíduos sob alto risco de infectar-se pelo HIV, com status sorológico negativo evidenciado. Sem essa confirmação, não há como garantir que a profilaxia está sendo aplicada a quem dela se beneficia — e não a quem já necessita de tratamento.
Alternativa C — ❌ Incorreta
A dosagem basal de transaminases hepáticas não é critério obrigatório para iniciar PrEP com cabotegravir. O CAB-LA não tem hepatotoxicidade relevante que exija monitorização hepática prévia obrigatória — diferentemente de outros medicamentos, como alguns antirretrovirais que podem exigir avaliação de função hepática ou renal. A banca insere esse distrator para confundir com exigências de outros protocolos, mas o PCDT PrEP não condiciona o início à dosagem de transaminases.
Alternativa D — ❌ Incorreta
A ausência de histórico de qualquer doença sexualmente transmissível não é exigida para iniciar PrEP. Pelo contrário: o histórico de IST é um dos critérios que indicam maior risco de exposição ao HIV e, portanto, reforçam a indicação de PrEP. A presença de IST prévia não contraindica a profilaxia — ela é um marcador de vulnerabilidade que justifica a oferta da estratégia.
Alternativa E — ❌ Incorreta
O comprometimento formal com o uso de preservativo em todas as relações não é condição obrigatória para o início da PrEP. A PrEP é justamente uma estratégia complementar para pessoas que têm dificuldade ou inconsistência no uso de preservativos — como o paciente do enunciado, que relata uso inconsistente. Exigir compromisso formal com camisinha seria contraditório com a finalidade da PrEP, que visa proteger justamente quem não consegue usar preservativo de forma consistente. O preservativo deve ser sempre estimulado, mas não é pré-requisito para a profilaxia.
Gabarito: letra B — a confirmação de sorologia negativa para HIV-1 é o critério fundamental e obrigatório antes da primeira administração do cabotegravir injetável de longa ação como PrEP.