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Questão de Medicina — Doenças Infecto-Parasitárias — Avança SP 2025

MedicinaDoenças Infecto-Parasitárias
Código
qg414120
Banca
Avança SP
Órgão
IAMSPE
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Residência Médica - Pré-Requisito - Programa de Infectologia Hospitalar
Uma mulher de 28 anos, gestante de 24 semanas, HIV positiva, é encaminhada para aconselhamento sobre profilaxia da transmissão vertical. Segundo o estudo ACTG-076 citado no documento, qual esquema terapêutico demonstrou redução significativa na transmissão vertical do HIV:
  1. AZidovudina durante a gestação, no parto e ao recém-nascido por seis semanas, reduzindo transmissão de 25,6% para 8,3%.
  2. BNevirapina dose única no momento do parto associada a lamivudina por duas semanas ao recém-nascido.
  3. CTerapia tripla com dois inibidores nucleosídeos e um inibidor de protease apenas no terceiro trimestre gestacional.
  4. DCesariana eletiva associada a supressão do aleitamento materno sem uso de antirretrovirais.
  5. ELamivudina durante toda gestação com suspensão no parto para evitar toxicidade neonatal.
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GabaritoA — Zidovudina durante a gestação, no parto e ao recém-nascido por seis semanas, reduzindo transmissão de 25,6% para 8,3%.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Profilaxia da transmissão vertical do HIV: o estudo ACTG-076

Gabarito: letra A. O estudo ACTG-076 (AIDS Clinical Trials Group 076), publicado em 1994, demonstrou que o uso de zidovudina (AZT) durante a gestação, no parto e no recém-nascido por seis semanas reduziu a transmissão vertical do HIV de 25,6% para 8,3% — exatamente o que a alternativa A descreve. Esse foi o primeiro grande ensaio clínico a comprovar a eficácia de uma intervenção antirretroviral na prevenção da transmissão materno-infantil, tornando-se o marco histórico do tema.

O estudo ACTG-076 foi um ensaio clínico randomizado, duplo-cego, que comparou o esquema com zidovudina (AZT) em três momentos — pré-natal (via oral), intraparto (via intravenosa) e neonatal (via oral por 6 semanas) — contra placebo. O resultado foi tão expressivo que o estudo foi interrompido precocemente, e o esquema passou a ser o padrão-ouro da profilaxia da transmissão vertical. É importante entender que, na época, não existia a terapia antirretroviral combinada (TARV) como conhecemos hoje; o AZT em monoterapia era a única arma disponível, e mesmo assim conseguiu reduzir drasticamente a transmissão.

Hoje, com a TARV combinada (geralmente com dolutegravir, tenofovir e lamivudina), a supressão da carga viral materna próxima ao parto reduz a transmissão vertical para menos de 1%. Mas a pergunta é específica: quer saber o que o estudo ACTG-076 demonstrou. Por isso, os números de 25,6% para 8,3% e o esquema com AZT em três fases são os elementos-chave que identificam a alternativa correta.

A transmissão vertical do HIV pode ocorrer em qualquer momento da gestação, durante o trabalho de parto e parto, e após o nascimento por meio do aleitamento materno. A maioria dos casos (65-70%) ocorre durante o trabalho de parto e parto, o que justifica a importância da profilaxia intraparto. O estudo ACTG-076 atacou exatamente esses três momentos: pré-natal (AZT oral), intraparto (AZT intravenoso) e neonatal (AZT oral por 6 semanas). Essa abordagem tripla foi o que permitiu a redução drástica da transmissão.

A pegadinha da questão está em confundir o esquema histórico do ACTG-076 com as estratégias atuais de profilaxia. A alternativa B, por exemplo, menciona nevirapina dose única no parto — que é uma estratégia usada em situações específicas, mas não foi o que o ACTG-076 demonstrou. A alternativa C fala em terapia tripla no terceiro trimestre, que é uma abordagem moderna, mas não corresponde ao estudo. A alternativa D sugere cesariana eletiva sem antirretrovirais, o que contraria a lógica do estudo. E a alternativa E propõe lamivudina durante toda a gestação com suspensão no parto, o que não tem respaldo no ACTG-076.

Guarde a fronteira entre o esquema histórico do ACTG-076 (AZT em três fases) e as estratégias atuais (TARV combinada): é exatamente nela que as alternativas se dividem.

  1. 1Pré-natal: AZT oral
  2. 2Intraparto: AZT IV
  3. 3Neonatal: AZT oral 6 semanas
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Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A alternativa A descreve com precisão o esquema do estudo ACTG-076: zidovudina durante a gestação, no parto e ao recém-nascido por seis semanas, com redução da transmissão de 25,6% para 8,3%. Esses números são os resultados oficiais do ensaio clínico, que se tornou o marco histórico da prevenção da transmissão vertical do HIV. O AZT foi usado em três momentos: pré-natal (oral), intraparto (intravenoso) e neonatal (oral por 6 semanas).

Alternativa B — ❌ Incorreta

A alternativa B menciona nevirapina dose única no momento do parto associada a lamivudina por duas semanas ao recém-nascido. Esse esquema não corresponde ao ACTG-076. A nevirapina dose única foi uma estratégia usada em contextos de recursos limitados, mas não foi o que o estudo demonstrou. O ACTG-076 usou AZT, não nevirapina, e o esquema neonatal foi por seis semanas, não duas.

Alternativa C — ❌ Incorreta

A alternativa C fala em terapia tripla com dois inibidores nucleosídeos e um inibidor de protease apenas no terceiro trimestre gestacional. Essa é uma abordagem moderna de TARV, mas não corresponde ao ACTG-076, que usou AZT em monoterapia. Além disso, o estudo não se limitou ao terceiro trimestre — o AZT foi iniciado no segundo trimestre e continuou no parto e no recém-nascido.

Alternativa D — ❌ Incorreta

A alternativa D propõe cesariana eletiva associada a supressão do aleitamento materno sem uso de antirretrovirais. Essa abordagem ignora completamente o papel dos antirretrovirais, que são o pilar da prevenção da transmissão vertical. O ACTG-076 demonstrou justamente a eficácia do AZT, e a cesariana eletiva é uma medida complementar, não substituta.

Alternativa E — ❌ Incorreta

A alternativa E sugere lamivudina durante toda gestação com suspensão no parto para evitar toxicidade neonatal. Essa conduta não tem respaldo no ACTG-076, que usou AZT e manteve o tratamento no parto e no recém-nascido. Suspender o antirretroviral no parto aumentaria o risco de transmissão, contrariando a lógica da profilaxia.

NÃO CAIA NESSA!

A banca troca o esquema histórico do ACTG-076 (AZT em três fases) pelas estratégias atuais de TARV combinada ou por esquemas alternativos como nevirapina dose única. O candidato que conhece as diretrizes modernas pode se confundir e marcar a alternativa B ou C, mas a questão é específica sobre o estudo ACTG-076. Fique atento aos números: 25,6% para 8,3% e seis semanas de AZT neonatal são as marcas registradas desse estudo.

PEGA ESSA DICA!

Para questões sobre transmissão vertical do HIV, memorize os marcos históricos: ACTG-076 (AZT, 1994, redução de 25,6% para 8,3%) e as estratégias atuais (TARV combinada, supressão viral <1%). Quando a questão citar um estudo específico, foque nos números e no esquema exato que ele demonstrou.

Gabarito: letra A

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